"A "nação" social-democrata tem sérias expectativas que Rui Rio seja candidato a primeiro-ministro"

O vice-presidente e coordenador autárquico do PSD reitera que foram cumpridos todos os objetivos para as eleições. Defende que os resultados, em que inclui a "surpresa" Lisboa, abrem a porta à mudança de ciclo político e dão a Rio o perfil de candidato à liderança do governo.

Qual foi a avaliação do PSD dos resultados eleitorais?

A Comissão Política Nacional concluiu que foram cumpridos os objetivos traçados para estas eleições autárquicas, que era ter mais câmaras, mais eleitos e mais percentagem de votos. E além disso, teve algumas vitórias que são impressivas de uma viragem política de implantação do PSD, como é ter conquistado a Câmara de Lisboa, ter invertido a tendência no Porto fazendo perder a maioria absoluta ao atual presidente da câmara, ficando com dez câmaras no Alentejo à custa de quatro ganhas em Évora e duas em Portalegre, que é uma marca histórica para o PSD. E ao mesmo tempo também as capitais de distrito conquistadas - Coimbra, Funchal e Portalegre - são significativas por uma questão simples: porque passámos de uma posição diminuída em número de capitais de distrito para uma goleada ao PS, ficamos com 11 e o PS apenas com cinco.

Mas também perderam algumas câmaras que eram emblemáticas do PSD, como Guarda, Penela e Ferreira do Zêzere.

Não estávamos a contar perder, pelo menos duas delas. No caso a Guarda e Ferreira do Zêzere, esta última porque estava desde o início com o PSD. Foi surpresa, mas tantos anos também cria desgaste. No caso da Guarda foi por uma divisão interna, de tal maneira que se somarmos a candidatura independente, que era o presidente da concelhia do PSD até há três meses, e o PSD tem uma goleada de 64% ou 65%, o PS passou para terceira força política na Guarda.

E Lisboa foi uma surpresa total?

Foi, embora as sondagens nunca afastaram a ideia de que se poderia conquistar Lisboa, porque estar a sete ou oito pontos não é, em autárquicas, uma vantagem que seja inibidora de conquistar a câmara. Mas com todo o clima que se criou à volta disso, é evidente que Lisboa foi surpresa na noite eleitoral.

Apesar da vitória, Carlos Moedas terá a vida muito dificultada para governar a câmara.

O PSD nessas matérias do poder local, quando acabam as eleições, normalmente não se imiscui com as questões dos presidentes de câmara eleitos. Eles serão os que no terreno terão mais facilidade em perceber que caminhos terão de trilhar. Mas estou descansado em Lisboa, como coordenador autárquico, porque se há uma pessoa capaz de fazer consensos, de ter determinação e coragem para os fazer, é o eng. Carlos Moedas. Quando foi candidato não teve medo de deixar tudo [era administrador na Fundação Gulbenkian], também provou durante a campanha que faz pontes, é um homem de diálogo e de muito trabalho. É a pessoa ideal para arranjar as melhores soluções para levar a cabo o mandato na Câmara de Lisboa.

A direção nacional do PSD gostou da campanha de Alexandre Poço em Oeiras, o candidato 007?

Não fizemos uma avaliação sobre isso, mas a campanha de Alexandre Poço dividiu-se em duas partes: uma mais provocatória e que tinha o objetivo de dar-se a conhecer. É preciso dizer que Oeiras é um caso à parte mesmo para o PSD porque tinha se calhar mais gente do PSD com Isaltino Morais do que na candidatura de Alexandre Poço. Mas a segunda parte da campanha já foi menos provocatória porque foi apresentando medidas.

E Sintra? Não quiseram Marco Almeida, mas o candidato escolhido, Ricardo Batista Leite, também não conseguiu tirar a câmara ao PS.

Quando indicámos o candidato Ricardo Batista Leite tínhamos fundadas esperança de pudermos virar a câmara. Era uma figura nova, era já bastante conhecido pelo trabalho que fez no Parlamento e capaz de encarnar este espírito de mudança. Os resultados foram atenuados porque a candidatura fez perder a maioria absoluta na Câmara de Sintra. O que mostra que o PSD também alargou a sua base de apoio nas Áreas Metropolitanas.

Estes resultados deram um novo fôlego a Rui Rio para continuar o seu projeto político?

O resultado eleitoral é um pressuposto que dá ao dr. Rui Rio, mais até do que candidato a presidente do partido, o perfil de candidato a primeiro-ministro. O resultado autárquico demonstrou que o PSD pode inverter a tendência nas Áreas Metropolitanas e nas capitais de distrito, que punham o partido perante a opinião pública com menos possibilidades de entrar no eleitorado. E agora houve um salto na própria opinião das pessoas, o que transforma o líder do partido vitorioso e capaz de inverter a tendência para as legislativas. Isso é mais importante do que saber se deu mais ou menos possibilidade de ser candidato a presidente do partido. Penso que a 'nação' social-democrata depois desta eleição tem sérias expectativas que Rui Rio seja candidato a primeiro-ministro. Se ele vai decidir ou não ser candidato a presidente do partido depende da sua avaliação.

Os resultados também silenciaram os opositores de Rui Rio, à exceção de Paulo Rangel, que escreveu sobre as autárquicas...

As expectativas eram muito baixas por parte dos opositores e houve água fria que acalmou essas situações e obrigou a uma reflexão mais aprofundada. É isso que está a acontecer com os putativos candidatos e devido a esta onda que se criou entre os sociais-democratas de se poder chegar ao poder.

O Conselho Nacional de dia 14 será já o momento da reflexão?

Aí será feita a análise dos resultados autárquicos. Não sei se nessa altura já haverá decisões quer por parte dos putativos candidatos quer do próprio atual presidente. Essa é a altura de marcar as eleições diretas e o congresso do partido e a partir daí será normal que os candiatos à liderança do partido se apresentem. P.S.

paulasa@dn.pt

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