"A flor de que mais gosto? O cravo. Escuso de dizer porquê, não escuso?"

O deputado do Bloco de Esquerda e professor universitário José Manuel Pureza responde ao famoso Questionário de Proust e fala-nos sobre os seus gostos. Cita Zeca Afonso e José Mário Branco.

A sua virtude preferida?
A coragem de tomar partido.

A qualidade que mais aprecia num homem?
Um homem chora. De dor, de raiva, de medo, de saudade. Isso faz dele um homem.

A qualidade que mais aprecia numa mulher?
A determinação de vencer os estereótipos.

O que aprecia mais nos seus amigos?
Poder aprender com as suas vidas de verticalidade, de coragem, de procura da beleza, de luta pela justiça. Com eles/as me fiz e me faço e dou graças por isso.

O seu principal defeito?
Vocês sabem, não sabem?...

A sua ocupação preferida?
Ser avô a tempo inteiro.

Qual é a sua ideia de "felicidade perfeita"?
"Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade" (Carlos Drummond de Andrade).

Um desgosto?
Não ter podido despedir-me dos meus pais.

O que é que gostaria de ser?
"Quando eu for grande quero ser / como o rio dessa ponte: / nunca parar de correr / sem nunca esquecer a fonte" (José Mário Branco).

Em que país gostaria de viver?
"Cidade / sem muros nem ameias / gente igual por dentro / gente igual por fora" (Zeca Afonso).

A cor preferida?
O arco-íris: todas as cores, todas as lutas, todas as paixões, toda a diversidade.

A flor de que gosta?
O cravo. Escuso de dizer porquê, não escuso?

O pássaro que prefere?
Ele há cada ave rara...

O autor preferido em prosa?
Morris West.

Poetas preferidos?
Manuel António Pina e Ana Luísa Amaral.

O seu herói da ficção?
Senhor Palomar.

Heroínas favoritas na ficção?
Ifemelu, criada por Chimamanda Ngozi Adichie em Americanah. Desconstrutora do racismo, da colonialidade e do sexismo profundos.

Os heróis da vida real?
Os pedreiros de Peroselo, que lutaram pelo reconhecimento da condição de desgaste rápido da sua profissão até vencerem.

As heroínas históricas?
Dorothy Day, militante anarquista e pacifista no início do século XX, católica, e que, quando fundou um jornal católico para os trabalhadores, durante a Grande Depressão, rejeitou o nome Catholic Radical por o considerar uma redundância.

Os pintores preferidos?
Roy Lichtenstein, Frida Kahlo e Keith Haring.

Compositores preferidos?
Na guitarra de bronze que está junto ao túmulo de Paco de Lucía, em Algeciras, está gravado: "Respeitou a tradição, mas desobedeceu". Isso fez dele um génio.

Os seus nomes preferidos?
Francisco, nome do meu neto e de dois pilares da minha condição de cristão.

O que detesta acima de tudo?
As certezas dos convencidos.

A personagem histórica que mais despreza?
Nathan Bedford Forrest, fundador do Ku Klux Klan.

O feito militar que mais admira?
O 25 de Abril, claro. E a Trégua do Natal de 1914, entre soldados alemães e britânicos, que pararam a guerra para cantarem juntos e jogarem futebol.

O dom da natureza que gostaria de ter?
Seguir para a foz dando vida às margens.

Como gostaria de morrer?
Já que tem mesmo de ser, então que seja sem me privar da dignidade que me imponho a mim mesmo em todos os momentos da vida. Tenho o direito de não morrer em agonia nem numa nuvem de inconsciência. Tenho o direito de morrer abraçado a quem me é querido e com um sorriso de louvor à vida.

Estado de espírito atual?
"Apesar de você / amanhã há de ser / outro dia!" (Chico Buarque).

Os erros que lhe inspiram maior indulgência?
A nossa fragilidade não se perdoa, partilha-se.

A sua divisa?
"Contra factos só há argumentos" (Mia Couto).

Mais Notícias

Outras Notícias GMG