Líder do CDS. "Parece que querem a todo o custo fazer um assalto ao poder antes das legislativas"

O líder centrista defende que é necessário tempo para que o partido consiga estar preparado para as eleições de 30 de janeiro. "Se tivéssemos um congresso para a data que estava inicialmente antecipada, significaria que existiam apenas três semanas" para o CDS se preparar para as legislativas.

Francisco Rodrigues dos Santos, líder do CDS-PP, afirmou, esta sexta-feira, que o principal "constrangimento" que encontra para a realização do congresso do partido na data em que estava previsto, tendo em conta as eleições legislativas para 30 de janeiro, prende-se com a necessidade de afirmação do partido.

"O principal constrangimento que encontro é a necessidade de afirmarmos o partido para o país, contruir um programa com tempo, peso e medida e estudar a nossa estratégia eleitoral que pode ou não integrar uma lógica de coligação. Tudo isto num partido que tem que se reerguer e afirmar pujantemente ao país não se consegue fazer em seis semanas", justificou em entrevista à SIC Notícias.

"O CDS, no dia 20 de dezembro, terá que apresentar no tribunal as listas fechadas dos seus candidatos" e tem de construir um programa "num clima de concórdia e de conciliação", frisou Francisco Rodrigues dos Santos.

"Desde que o congresso foi antecipado e convocado, Nuno Melo e os seus apoiantes têm entrado numa escalada de agressão verbal e ambiente tumultuoso no CDS que impede o partido de falar para fora, retido em questiúnculas internas, alegando incumprimentos processuais", continuou o líder centrista, que quer evitar esta situação.

Francisco Rodrigues dos Santos pretende evitar a polémica e "dizer que nas próximas seis semanas o CDS só devia ter uma preocupação, integrar todas as sensibilidade dentro do partido, apresentar um programa" que reflita a pluralidade do CDS.

"Se tivéssemos um congresso para a data que estava inicialmente antecipada, e fui eu que quis antecipar, significaria que existiam apenas três semanas para fazer tudo isto", argumentou, referindo-se a programa, protagonistas, listas fechadas e estratégia de coligação definida. "Era deixar o partido em stand by", considerou.

"Absolutamente convencido que venceria" congresso

Afirmou que se o congresso foi cancelado "foi porque o órgão máximo entre congressos, que é o Conselho Nacional, assim o deliberou". Desta forma, defende que todos no partido devem respeitar as decisões do Conselho Nacional.

Não sente necessidade de legitimar a liderança? "A legitimidade não é contada por dias", começou por responder, apontando argumentos. "Se tenho legitimidade até 20 de dezembro para fazer o programa, apresentar, protagonistas e fechar listas, porque diabo eu não terei legitimidade para apresentar o partido em urnas, para executar a minha estratégia, o meu programa e apoiar os meus candidatos?", questionou.

Rodrigues dos Santos considera que "o que seria estranho era verificar outro presidente do partido, que eu não acredito que resultasse do congresso, porque estou absolutamente convencido que o venceria".

Afirmou que a decisão do adiamento do congresso do partido "é completamente irreversível".

Falou depois do apelo de Nuno Melo, candidato à liderança do CDS, para que Francisco Rodrigues dos Santos ajude a pacificar o partido, elegendo os delegados no fim de semana, realizando o congresso na data prevista. "Ele sabe perfeitamente que, de acordo com as regras do partido, isso não é possível: ter um congresso cumprindo as normas dos estatutos no prazo que ele quer que aconteça".

Cecília Meireles "terá obviamente lugar nas listas enquanto for presidente" do partido

Questionado sobre as desfiliações de peso e do caso de Cecília Meireles que vai deixar de ser deputada do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos afirmou: "A maior prova de confiança pessoal e política que eu tenho no trabalho de Cecília Meireles, que é atualmente a melhor deputada do CDS, foi precisamente nunca lhe ter pedido para abandonar o seu lugar de deputada para eu poder estar no parlamento, porque eu sou o número 2 pelo círculo eleitoral do Porto".

Acrescentou que optou por não estar presente no parlamento por considerar o trabalho de Cecília Meireles "excelente".

"Só não continuará como deputada se assim não o quiser, porque terá obviamente lugar nas listas enquanto for presidente do partido", sublinhou.

Sobre a oposição interna, Rodrigues dos Santos refere que não é uma novidade. "As pessoas que agora contestam a minha legitimidade nunca a reconheceram desde que fui eleito".

"Eu nunca tive por parte destas pessoas o reconhecimento da minha legitimidade", lamentou. "Quiseram interromper o meu mandato em janeiro, referiram-se em termos injuriosos que eu nunca tinha visto" em relação a um presidente de um partido.

Na entrevista, Francisco Rodrigues dos Santos enumerou razões pelas quais considera que tem legitimidade política. "Eu recuperei a situação financeira do CDS, reduzi em 55% da dívida que herdei, depois levei o CDS pela primeira vez ao governo dos Açores, nas eleições autárquicas crescemos. E, agora, o que está em causa, é a minha oposição querer jogar a última cartada e em desespero de causa afastar-me para que haja uma tentativa de proteger os seus próprios lugares".

Está "disponível para chegar a uma posição de compromisso com Nuno Melo"

Considerou que "não há nenhum choque de ideias" com Nuno Melo porque nunca o viu a propor uma ideia para o país desde que se assumiu como candidato. "Tem sido a critica à liderança", apontou.

"O que parece é que há aqui uma lógica de grupo, de mais do mesmo com os mesmos, que acham que é um clube vedado a estranhos, e que querem a todo o custo fazer um assalto ao poder antes das legislativas para tentar uma lógica de mercearia de lugares e para isso não contam comigo", resumiu.

Afirmou que Nuno Melo já "mudou muitas vezes de opinião neste período" e que, por isso, é difícil ter "um diálogo estruturado" com o candidato à liderança do partido.

No entanto, afirmou estar "disponível para chegar a uma posição de compromisso com Nuno Melo".

"Acho que este clima truculento, agressivo e esta escalada de violência verbal que Nuno Melo está a gerar no CDS por não respeitar as decisões dos órgãos dos partidos está a descapitalizar-nos aos olhos dos eleitores", considerou ao mesmo tempo que defendeu que o partido deve falar para fora, dando como exemplo vários problemas que o país enfrenta.

CDS desaparecer? "Tenho a certeza absoluta que isso não acontecerá"

Disse que está disponível para discutir com Nuno Melo para coordenarem uma estratégia para estas eleições legislativas, porque "em primeiro lugar o país e em segundo está o partido". "Mas Nuno Melo tem de ser capaz de estabelecer compromissos respeitando as decisões dos órgãos do partido", defendeu.

No que se refere a possíveis coligações, o líder centrista diz que não abordou "esta questão em concreto com Rui Rio", mas disse que é "natural que esteja em cima da mesa essa possibilidade". Disse que defende "uma direita certa" para o CDS.

Afirmou, no entanto, não ter receio de ver o CDS ir sozinho às legislativas.

"Tenho a certeza absoluta que isso não acontecerá", disse ainda o líder centrista quando lhe questionaram se não tem receio de ver o partido desaparecer. "O CDS é um partido que tem história, é um partido de estabilidade, de compromisso e de governo, das pessoas e das liberdades".

Olhando para o futuro, Francisco Rodrigues dos Santos referiu que tem como objetivo fazer o partido crescer. "Neste somatório de deputados do centro direita que seja suficiente para que consigamos governar dispensando a colaboração de outros partidos", afirmou.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG