Sá Carneiro Talks. Durão Barroso e os "4 D" da crise

O ex-presidente da Comissão Europeia é o convidado esta segunda-feira do Instituto Francisco Sá Carneiro, no ciclo de conferências Sá Carneiro Talks, a refletir sobre as consequências da crise pandémica. Durão Barroso irá apontar as suas quatro tendências, os "4 D" da crise.

Neste ciclo de conferências que assinalam os 40 anos da morte de Francisco Sá Carneiro, e que se irão prolongar durante todo o ano, Durão Barroso é convidado a refletir sobre a crise pandémica e as suas consequências e a resposta que a União Europeia está a dar para a ultrapassar. Pelas 18:00 desta segunda-feira a sua palestra será transmitida na página do Facebook do Instituto. O antigo primeiro-ministro e ex-presidente da Comissão Europeia irá certamente apontar as consequências daquela que considera a maior crise de sempre desde que há registo na história económica.

Tal como escreveu num artigo de opinião na edição de sábado do DN, o atual Presidente eleito da GAVI, Aliança Global para as Vacinas e Imunização, considera que há quatro tendências, os "4 D", desta crise: desglobalização, diversificação, descarbonização e digitalização.

"Haverá muito provavelmente um abrandamento da globalização e tendências fortes no sentido do chamado decoupling, fragmentação do comércio e do investimento e também no domínio da tecnologia", escreveu Durão Barroso que considera que também haverá "a diversificação das chamadas cadeias de abastecimento", com uma maior proximidade na Europa. Quanto à digitalização, Durão Barroso afirma que há uma evolução espetacular e elogia a prioridade dada pela Europa ao crescimento verde e no combate às alterações climáticas.

Durão Barroso, que se confrontou no segundo mandado enquanto presidente da Comissão Europeia, com a crise das dívidas soberanas, admite que existem ainda divisões na UE, mas entende que a resposta à esta crise está a ser mais célere e a demonstrar que há uma maior maturidade entre os 27.

Na edição anterior do Sá Carneiro Talks, o convidado foi o ex-comissário Carlos Moedas, que falou de "Inovação" e a que se segue tem como conferencista o eurodeputado Paulo Rangel, que também é vice-presidente do Partido Popular Europeu.

Ao DN, a presidente do IFSC, Maria da Graça Carvalho, afirmou que com este ciclo de conferências se pretende "partir do pensamento de Sá Carneiro e projetá-lo nos assuntos de atualidade e no futuro". A também eurodeputada do PSD, frisou que o Instituto quer, com este ciclo de conferências dedicadas ao pensamento de Sá Carneiro, ir além dos temas clássicos que costuma tratar, mais ligados à política, ao social e às relações internacionais, abrindo as portas a temas como alterações climáticas, novas tecnologias na saúde e a própria saúde. No final do ciclo será publicado um livro, que "será um importante elemento de formação política", assegurou Maria da Graça Carvalho.

Francisco Sá Carneiro foi um dos fundadores do PSD e foi primeiro-ministro em 1980, depois de ter ganho as eleições em coligação com o CDS e o PPM, na Aliança Democrática.. O então líder social-democrata governou oito meses, até 4 de dezembro daquele ano, quando o avião que seguia se despenhou em Camarate., tendo com ele falecido o democrata-cristão e ministro da Defesa, Adelino Amaro da Costa, bem como a sua companheira Snu Abecasis.

Foi bastante influenciado pelo personalismo católico e pelo Humanismo. Procurou adaptar as ideias social-democratas de Eduard Bernstein, Karl Kautsky e do SPD pós-1945 ao contexto cultural português. É a figura referência do PSD e a mais admirada por todos os quadrantes do partido. Durão Barroso entrou para o PSD precisamente porque se tornou admirador das ideias de Sá Carneiro e da sua visão transformadora da sociedade.

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