Rio rejeita coligação pré-eleitoral com CDS e Aliança. Cristas pronta para ser primeira-ministra

O líder do PSD disse "não" ao desafio lançado por Pedro Santana Lopes para uma coligação pré-eleitoral entre PSD, CDS e a Aliança. Assunção diz que está pronta para ser primeira-ministro e para fazer acordos com os sociais-democratas.

Rui Rio afirmou que não faz "sentido algum" Santana Lopes sair do PSD e depois querer fazer uma coligação com o partido. "Para isso não saia", sublinhou o presidente social-democrata, à margem da primeira edição da Academia Política Calvão da Silva, em Coimbra.

A ideia de uma coligação entre os partidos de centro-direita foi lançada por Santana Lopes mesmo antes do congresso fundador do partido que agora lidera, Santana reforçou o apelo a essa hipótese em recente entrevista ao semanário Sol. "A Aliança não tem receio de disputar sozinha as eleições legislativas, mas sem uma coligação pré-eleitoral é muito difícil vencer a frente de esquerda. Essa é a reflexão que devemos fazer", disse.

Pedro Santana Lopes expressou a vontade de o entendimento PSD, CDS e Aliança ser antes das eleições. Mas, disse, "apresentei uma proposta para uma coligação depois das legislativas".

"A Aliança não tem receio de disputar sozinha as eleições legislativas, mas sem uma coligação pré-eleitoral é muito difícil vencer a frente de esquerda. Essa é a reflexão que devemos fazer"

A resposta do líder do PSD foi claríssima na rejeição do entendimento pré-eleitoral.

Assunção pronta para acordo com PSD

Apesar de ter visto chumbada a moção de censura ao governo esta semana, a líder do CDS manifesta-se pronta para governar o país e também para fazer acordos com os sociais-democratas. Numa entrevista ao jornal espanhol La Voz de Galicia, Assunção Cristas afirma que se ganhar as próximas eleições legislativas de 6 de outubro, as suas prioridades passam por melhorar as condições na saúde, educação e as dos trabalhadores da administração pública.

"O povo é soberano e muito inteligente. Vamos esperar e ver o que acontece nas urnas. Estou preparada para ser primeira-ministra e também para fazer acordos com o PSD, como aconteceu no passado, embora nunca - insisto - com António Costa, que, aliás, continua a cair nas sondagens", disse, sem nunca falar da Aliança.

"O povo é soberano e muito inteligente. Vamos esperar e ver o que acontece nas urnas. Estou preparada para ser primeira-ministra e também para fazer acordos com o PSD"

A líder centrista tem, no entanto, insistindo na ideia de que o CDS tem trabalhado para uma maioria de 116 deputado do centro-direita, capaz de fazer frente à frente de esquerda. O que abre a porta a um entendimento com a partido de Santana Lopes, se tiver expressão eleitoral capaz de ajudar a gerar uma alternativa.

O discurso bipolar do governo, segundo Rio

Afastadas as coligações, Rui Rio aproveitou a passagem pela Academia Calvão da Silva para atacar o governo. O primeiro-ministro, António Costa, "diz que está aberto" a dialogar com os enfermeiros e "prepara-se para dar tudo e mais alguma coisa, digamos assim, tentando contentar os enfermeiros, e o ministro das Finanças [Mário Centeno], na mesma altura, em paralelo, diz que não há dinheiro para nada", afirmou . "Se não há dinheiro para nada, o discurso do primeiro-ministro não encaixa", sublinha.

Ou António Costa e Mário Centeno "não estão coordenados", e "cada um diz a sua coisa, ou, então, se estão coordenados, se calhar ainda é pior porque estão a dizer coisas diferentes", sustenta Rui Rio.

"O facto de haver disponibilidade para dialogar" é "altamente positivo, porque se não houver diálogo não saímos disto", não se ultrapassa o conflito, mas "o Governo não pode ter duas palavras, digamos assim, perfeitamente contraditórias", salienta o líder social-democrata, que não tem, por isso, "grandes expectativas" sobre a resolução do problema.

[No discurso do Governo] "há uma contradição enorme, que leva a criar expectativas, que depois obriga o ministro das Finanças a dizer que não é possível"

"Tanto quanto estou a perceber", António Costa "ainda não cedeu" aos enfermeiros, ele "diz que vai ceder", mas "depois há um ministro das Finanças que diz que 'não senhor', que não há dinheiro e como não há dinheiro não pode" satisfazer as reivindicações dos enfermeiros e de outros profissionais em greve.

Para Rui Rio, "a questão de fundo é que o Governo criou na sociedade portuguesa, e em parte continua" a criar a ideia de que "a economia está excelente, que nós estamos no país das maravilhas, que temos mais empregos, melhores salários, mais crescimento" e, "naturalmente, as pessoas e as classes profissionais que viram os seus salários esmagados durante anos" entendem que, "se está tudo bem, chegou a hora de repor alguma justiça".

No discurso do Governo "há uma contradição enorme, que leva a criar expectativas, que depois obriga o ministro das Finanças a dizer que não é possível", insiste Rui Rio.

O Governo deveria olhar para a economia no seu todo e "em razão do que é mais justo e é mais equilibrado", ver o que é que "a economia permite, quer no imediato, quer no futuro", conclui o presidente do PSD.

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