Rio elogia capacidades de Paulo Portas, mas "nada está decidido" para Câmara de Lisboa

Na entrevista ao Polígrafo, da SIC Notícias, presidente do PSD sugeriu ainda que seja realizada uma auditoria ao Novo Banco por uma instituição pública como o Tribunal de Contas (TdC)

O presidente do PSD, Rui Rio, elogiou as capacidades políticas do antigo líder do CDS-PP Paulo Portas, mas garantiu que "nada está decidido" sobre o candidato do partido para a Câmara de Lisboa.

Em entrevista ao programa Polígrafo, da SIC Notícias, na segunda-feira à noite, Rio foi questionado sobre uma proposta lançada pelo antigo ministro Miguel Poiares Maduro, que sugeriu ao semanário Expresso que PSD e CDS-PP deveriam concorrer coligados no próximo ano à câmara da capital, com Paulo Portas como candidato.

"Eu não vou comentar nome nenhum para câmara nenhuma, designadamente para o Porto e Lisboa. O dr. Paulo Portas é hoje um dos políticos de referência e dos portugueses mais bem preparados para o exercício de qualquer cargo público", elogiou.

O líder do PSD reforçou ter "imenso respeito pelas capacidades" do antigo líder do CDS-PP, mas atalhou: "Não quer dizer que o PSD o vá apoiar para se candidatar à Câmara de Lisboa. Logo se vê, está tudo em aberto. Efetivamente é uma pessoa muito capaz hoje no panorama político".

Já sobre as presidenciais, Rio admitiu conhecer militantes do PSD que não estão inclinados a votar em Marcelo Rebelo de Sousa, se este se recandidatar, mas voltou a apontar o atual Presidente da República como a escolha natural do partido e adiantou que o tema vai estar em cima da mesa na próxima reunião da Comissão Política Nacional.

"Parece-me evidente que, estando na Presidência da República alguém da fundação do PSD, que foi líder do PSD, que é Presidente num momento em que precisamos de estabilidade e quando olhamos aos outros candidatos que já se perfilaram - designadamente André Ventura e Ana Gomes, que são candidatos de muita rutura -, penso que é aconselhável o país ponderar e ter calma", apelou.

Questionado sobre eventuais coligações com o Chega, Rio recusou-as nas autárquicas, que se realizarão daqui a um ano, e voltou a responder que, nas legislativas previstas para 2023, só poderiam acontecer com um partido mais moderado que atualmente, tal como afirmara numa entrevista antes das férias.

"Neste mês e meio não vi o Chega moderado em nada, pelo contrário. Sem o Chega moderar a sua postura, o seu discurso, o que defende em muitos projetos-lei que são de perfil populista não, se se moderar logo se vê", referiu.

Rui Rio admitiu que seria "mais confortável" para o PSD ter "um CDS forte do que um Chega forte", mas atribuiu as culpas pelo decréscimo eleitoral do antigo parceiro de coligação aos democratas-cristãos.

"O CDS ia para os famosos debates quinzenais sempre em conflito, olhe o que aconteceu. As pessoas não votam em quem diz mal, querem para o Governo aquela pessoa que tem uma alternativa, em quem confiam, que sabem que fala verdade", defendeu.

Rio sugere auditoria pelo TdC ao Novo Banco e aprova proposta de inquérito do BE

O presidente do PSD sugeriu que seja realizada uma auditoria ao Novo Banco por uma instituição pública como o Tribunal de Contas (TdC) e disse estar disponível para aprovar a proposta de comissão de inquérito feita pelo Bloco de Esquerda.

Na entrevista, Rui Rio defendeu ainda que o Estado não deveria colocar "nem mais um tostão" no Novo Banco enquanto não conferir "a conta corrente" que tem com esta instituição, embora admitindo que os contratos são para cumprir.

"O que temos de fazer é arranjar uma instituição pública, talvez o Tribunal de Contas, que faça auditoria que nos inspire confiança", afirmou, desvalorizando a auditoria recentemente realizada pela consultora Deloitte.

Questionado se é contra uma nova injeção no Novo Banco no próximo Orçamento do Estado, Rio respondeu: "Não exatamente, o Governo tem uma responsabilidade enorme, foi o Governo que assinou o contrato de compra e venda do Novo Banco".

"Em minha opinião, não podemos dar nem mais um tostão ao Novo Banco enquanto não aferirmos a conta corrente com o Novo Banco. Se o dinheiro era devido e o Novo Banco apresentar faturas de novas perdas, aí temos de pagar e atacar o contrato que o Governo assinou", disse.

Quanto à criação de uma comissão de inquérito sobre o tema - que irá ser votada na próxima sexta-feira, com propostas no parlamento de PS, BE, Iniciativa Liberal e Chega -, Rio declarou ser a favor, mas não considera necessário que o partido apresente um texto próprio.

"A questão do Novo Banco é tão grave que evidentemente temos de fazer uma comissão de inquérito. Eu li o pedido redigido pelo BE, está certo, estou de acordo, voto a favor", adiantou o líder social-democrata.

Rio reiterou que os vários processos de aquisição de imóveis abaixo do valor de mercado pelo Novo Banco deveriam ser investigados pelo Ministério Público e estranhou a rapidez com que a Procuradoria-Geral da República decidiu que não deveria emitir uma providência cautelar para impedir novas operações deste tipo.

"Até posso concordar com isso, o que fico admirado é que, quando levam tantos anos a investigar tantas coisas, em 30 dias - e 30 dias do mês de agosto - cheguem à conclusão de que não há nenhuma evidência que as coisas tenham sido vendidas ao desbarato", sublinhou.

Sobre o próximo Orçamento do Estado, Rio recusou sempre dizer se estaria disponível para viabilizar um documento em vésperas da presidência portuguesa da União Europeia, caso o documento não seja aprovado à esquerda.

"A minha resposta é absolutamente irrelevante porque o primeiro-ministro deu essa resposta há duas ou três semanas, quando disse ao Expresso que no dia em que para aprovar um Orçamento precisar do PSD o Governo acabou", disse, remetendo para o Presidente da República a resposta à solução para uma eventual crise política num período em que o parlamento não pode ser dissolvido.

Sobre a polémica que envolveu a participação de António Costa na Comissão de Honra do recandidato à presidência do Benfica Luís Filipe Vieira - que, entretanto, retirou o nome do primeiro-ministro -, Rio invocou o seu histórico contra a promiscuidade entre futebol e política desde os tempos em que contestou o totonegócio no parlamento.

"Fui contido propositadamente (...). Eu tenho essa marca, não tenho de ser muito efusivo porque tenho a razão do meu lado há muitos anos", apontou, considerando que, mais do que pelos processos judiciais ainda em curso, o apoio de Costa a Vieira foi criticável por o dirigente desportivo ser um dos grandes devedores ao Novo Banco.

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