PSD retirou pedido de audição de Gomes Cravinho

Sociais-democratas queriam ouvir ministro da Defesa sobre a "inaceitável dissonância" das razões dadas pelo general Rovisco Duarte para se demitir.

O PSD retirou esta terça-feira o pedido de audição parlamentar do novo ministro da Defesa para esclarecer o seu papel na demissão do general Rovisco Duarte do cargo de chefe do Estado-Maior do Exército (CEME).

A opção - analisada na Comissão parlamentar de Defesa - resultou da rejeição liminar do PS em aceitar a chamada de João Gomes Cravinho para falar de uma questão que caberá ao general Rovisco Duarte explicar: porque invocou razões pessoais junto do Presidente da República e razões políticas na mensagem de despedida ao Exército.

"Parece evidente existir aqui uma inaceitável dissonância" nas justificações dadas pelo general - criticadas por todos os grupos parlamentares - e, por isso, "torna-se imperioso ouvir" Gomes Cravinho, escreveu o PSD.

Ascenso Simões (PS) argumentou que o Parlamento, a ouvir alguém, deveria chamar Rovisco Duarte - ou o próprio Presidente da República, "porque talvez saiba mais" - para explicar os termos da carta de resignação enviada a Belém e da mensagem aos antigos subordinados.

Com Jorge Machado (PCP) a interrogar-se sobre "o que é que o ministro pode explicar", uma vez que a apresentação da proposta de demissão enviada pelo Governo a Belém teve por base a carta invocando razões pessoais, José Matos Correia (PSD) lembrou que a demissão "não é um direito do próprio".

Ela "é aceite ou recusada" e "não basta a carta para que o Presidente da República aceite a demissão", uma vez que só o pode fazer "sob proposta do Governo". Mas, prosseguiu Matos Correia, "é uma questão política" perceber porque é que Rovisco Duarte saiu após a posse do ministro e depois de ter reunido com Gomes Cravinho.

"Temos todos o direito de saber o processo político na base da saída" de Rovisco Duarte "e se o Governo esteve envolvido" nessa decisão, acrescentou Matos Correia.

Depois de João Rebelo (CDS) sugerir que o PSD corrigisse o nome do general no requerimento - onde escreveu Rovisco Pais, depois de a própria Presidência da República ter-lhe chamado Francisco em vez de Frederico - e sustentar que seria "importante ouvir o ministro sobre as versões contraditórias da saída" de Rovisco Duarte, Ascenso Simões não desarmou.

"A anormalidade" está no facto de o ex-CEME "enviar a carta" ao Presidente da República com uma justificação diferente da manifestada aos militares do Exército - os únicos, aliás, a quem Rovisco Duarte considerou dever explicações semanas após ter declarado na mesma Comissão de Defesa que "não sabia o que estava ali a fazer".

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