PSD colou proposta do Orçamento de Costa a Sócrates. Esquerda aprovou documento

Quarta proposta do Governo socialista passou mais uma vez na generalidade com os votos da esquerda parlamentar e PAN. PSD critica eleitoralismo lembrando "desvario" de 2009

Já está: o quarto Orçamento do Governo socialista passou mais uma vez na generalidade com os votos da esquerda parlamentar (PS, BE, PCP e PEV) e o deputado único do PAN.

Naquele que é o último orçamento da legislatura, a direita acusou o Governo de "eleitoralismo" e daí foi um passo até ser lembrado o nome de José Sócrates e invocado o despesismo socialista. A intervenção final do ministro Vieira da Silva foi acompanhada de insistentes apartes, com deputados a gritarem insistentemente: "E 2010? E o Sócrates?". E quando Vieira da Silva - que foi governante nesses executivos - sustentou que o PS livrou o país das sanções da União Europeia, as bancadas da direita explodiram: "Tenha vergonha! Ministro de Sócrates, tenha vergonha!", gritou o deputado e líder da distrital de Viseu do PSD, Pedro Alves.

A colagem deste Orçamento de António Costa aos governos de Sócrates tinha sido já apontada antes pelo líder parlamentar do PSD, Fernando Negrão, que também não poupou nas palavras. "Basta lembrar o desvario que foi o ano de 2009, no último governo socialista do eng. José Sócrates."

Colando 2009 a 2018, Negrão (que classificou o Orçamento de "falso" e de "aldrabice") disse que "é normal que assim seja, porque numa e noutra altura o partido que governa é o mesmo e muitos dos seus principais rostos se repetem", como se repete "também o modo de fazer as coisas".

Para melhor completar o seu raciocínio, rematou: "Dez anos volvidos, percebemos que hoje a forma de pensar não é diferente. Fará provavelmente parte do ADN do Partido Socialista."

Com um Governo e um PS a argumentarem que a direita falhou sempre nos prognósticos que fez nos orçamentos dos anos anteriores, a chamada geringonça voltou a aparecer unida num ponto: nas críticas aos anos da governação do PSD e CDS, de 2011 a 2015.

O ministro foi alvo à direita (por "esconder" um "desvio de quase 600 milhões de euros"), mas também à esquerda com PCP, BE e PEV a criticarem a sua "obsessão com o défice" e a cobrarem ao ministro aquilo que se "pode melhorar" em sede de especialidade.

Os bloquistas anteciparam mesmo que, nas próximas semanas, vão propor "a criação de um complemento de pensão que compense a aplicação do fator de sustentabilidade na pensão de quem tanto trabalhou e descontou".

Para o restante caderno de encargos, a coordenadora do BE, Catarina Martins, deixou um aviso, que comunistas e ecologistas também deixaram com outras palavras: "Aqui estaremos senhor ministro das Finanças para o trabalho da especialidade."

O debate ficou marcado ainda pela estreia da ministra da Cultura, Graça Fonseca, a discursar na Assembleia da República. E logo de forma polémica: questionada pelo CDS sobre o facto dos espetáculos tauromáquicos não terem o IVA reduzido, por um "preconceito de gosto", a ministra recusou que o executivo seguisse a sugestão da bancada centrista: ""Não é uma questão de gosto, é uma questão de civilização e manteremos [a proposta] como está", atirou. André Silva, do PAN, levantou-se de pé a aplaudir Graça Fonseca.

Ao fim de dois dias de debates, o Parlamento aprovou também as Grandes Opções do Plano para 2019 (pelas mesmas bancadas que aprovaram o Orçamento e com voto contra da direita).

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