António Costa quer desempregados do turismo nos lares e creches

Com a ministra Ana Mendes Godinho na sala, o chefe do Governo saudou o trabalho "muito rápido" no Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social para enfrentar a pandemia.

"Muitos dos milhares de pessoas que neste momento estão a perder o emprego no setor do turismo são pessoas que já têm uma formação de base, são pessoas que já têm uma experiência de cuidado pessoal, que são um recurso fundamental e com formação para poderem ser facilmente reconvertidas para continuarem a trabalhar com pessoas, agora nas instituições em que estão associadas nas IPSS, nas mutualidades, nas misericórdias ou nas cooperativas."

A tese foi esta tarde defendida pelo primeiro-ministro numa cerimónia no Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social onde, com a ministra Ana Mendes Godinho a seu lado, lançou a fase 3.0 do programa PARES (Programa de Alargamento da Rede de Equipamentos Sociais).

Estando lado a lado com a ministra do Trabalho e da Solidariedade, António Costa fez questão de lhe expressar o seu agradecimento por tudo o que tem feito no setor sob a sua tutela no combate à pandemia do covid-19.

A ministra colocou-se este sábado no centro de uma pequena tempestade política com uma entrevista ao Expresso onde reconheceu que não tinha lido um inquérito da Ordem ao Médicos a um lar de Reguengos de Monsaraz onde a pandemia fez 18 mortos.

Ana Mendes Godinho desdramatizou também os atuais efeitos da covid nos lares ("não é demasiado grande"), salientando, pelo meio, que estava mais preocupada com as questões estruturais dos lares do que com casos concretos.

António Costa, que estendeu o agradecimento também à equipa de secretários de Estado da ministra Ana Mendes Godinho, referiu a forma "muito rápida" como o ministério trabalhou, agradecendo-lhes o "empenho" posto nessa tarefa.

O chefe do Governo agradeceu também a forma como as IPSS em geral reagiram e o esforço feito para diminuir os efeitos da covid-19, sobretudo tendo em conta que muitas instituições trabalham para um grupo de risco, o dos idosos. Costa disse mesmo estar solidário com as IPSS visto que, no seu entender, estas estão a ser muitas vezes "crucificados na praça pública", sendo isso particularmente injusto visto que há muitos nas instituições que "dão o melhor" no combate à pandemia "para responder às necessidades seja das crianças, seja dos idosos, seja dos deficientes, seja de todos aqueles que estão a cargo das instituições de solidariedade social"

"Todos desejamos o melhor mas todos temos de estar preparados para o pior."

"Queria nesta ocasião expressar a todos, àqueles que dirigem e trabalham nas IPSS [Instituições Particulares de Solidariedade Social], que dirigem e trabalham nas misericórdias, nas mutualidades, nas cooperativas a minha solidariedade pessoal pelo enorme esforço que tem sido feito ao longo destes meses", enalteceu.

O chefe do executivo afirmou que "não é possível que não haja falhas", mas considerou que a cada falha se aprende e se tem "uma vontade acrescida de as superar, de as prevenir, de as evitar, com certeza que assim tem de acontecer".

"É fácil ficar no nosso consultório e passar o dia a falar por videoconferência para as televisões, opinando sobre o que acontece aqui e ali. O difícil é fazer o que vocês fazem, o que as vossas instituições fazem, que é no dia a dia ter de cuidar efetivamente de quem está a precisar de cuidados", atirou.

"O virus não vem pela torneira"

Na cerimónia, António Costa anunciou 110 milhões para a próxima fase do PARES

No final do seu discurso, fez um apelo para que as instituições que trabalham com idosos sejam "cada vez mais exigentes" no cumprimento das regras de segurança sanitária porque "o vírus não vem pela torneira, o vírus somos nós que o transportamos".

Ao mesmo tempo, reafirmou que enquanto não surgir uma vacina "a covid vai continuar entre nós". "Todos desejamos o melhor mas todos temos de estar preparados para o pior", afirmou.

Mais 15 mil trabalhadores nos lares

Na cerimónia, a ministra Ana Mendes Godinho anunciou que o programa de reforço de recursos humanos em lares vai contratar mais 15 mil trabalhadores até ao final do ano. Até agora, o programa PARES já colocou 6200 desempregados, trabalhadores em lay-off e outras pessoas elegíveis a desempenhar trabalho social, abrangendo mais de mil instituições.

Segundo a ministra, o objetivo do governo passa por "ir mais longe" pelo que vai ser alargado o número de pessoas abrangidas pelo programa, "para reforço das instituições de modo a poderem preventivamente ter mais pessoas já a trabalhar", tendo por objetivo "colocar até ao final do ano 15 mil pessoas em instituições do setor social de modo a responder às situações da pandemia e incluindo também a vertente da formação".

A medida anunciada resulta, segundo a responsável pelo MTSSS, de um trabalho conjunto e de parceria com as instituições do setor social, em curso desde março, quando teve início a pandemia em Portugal, mas defendeu que "esta resposta de emergência não esgota" o "horizonte de atuação" do governo.

"Por isso, assumimos no Programa de Estabilização Económica e Social (PEES) a prioridade do investimento nos equipamentos sociais e hoje damos aqui um passo fundamental lançando o programa PARES 3.0, com 110 milhões de euros para alargamento da rede de equipamentos, requalificação e melhoria da nossa capacidade coletiva de resposta social, dando prioridade a respostas sociais de apoio a idosos, creches e apoio à deficiência", disse, referindo que o programa foi hoje publicado em Diário da República.

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