Pedro Nuno Santos: "No total do grupo TAP, saíram 1200 e prevê-se que saiam 1600 até ao final do ano"

Ministro das Infraestruturas salientou que a TAP está a operar a cerca de 30% e que há rotas que estão com lotação inferior a 50%, o que não suporta os custos variáveis.

O ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, revelou esta quinta-feira que já saíram do grupo TAP 1200 trabalhadores com vínculo a termo. Mais 400 pessoas devem deixar a empresa até ao final do ano. "No total do grupo, neste momento, saíram 1200 e prevê-se que saiam 1600 até ao final do ano. Mas estamos a falar no grupo", disse Pedro Nuno Santos, na Comissão de Economia, no parlamento.

A TAP, atualmente maioritariamente pública, está a receber uma Ajuda de Estado, no valor máximo de 1.200 milhões de euros que, de acordo com a proposta de Orçamento de Estado para 2021, será esgostado neste ano. No âmbito deste empréstimo, a empresa tem de apresentar um plano de reestruturação, até 10 de dezembro, a Bruxelas. O ministro já tinha indicado que pretendem apresentar o documento antes desta data, em novembro.

Questionado sobre a manutenção de emprego no grupo TAP, Pedro Nuno Santos sublinhou: "perante o auxílio que está a ser dado à TAP, não podemos usar esse auxílio - porque não podemos porque não teríamos autorização da Comissão Europeia - não podemos manter artificialmente uma dimensão que não tem adesão ao mercado que operamos, nem se perspetiva que nos próximos anos se vá ter um mercado que nos permita sustenta a dimensão que a TAP entretanto atingiu. Isso implica que no processo de reestruturação façamos um redimensionamento da empresa".

As previsões internacionais apontam para uma recuperação do setor da aviação civil a partir de 2024. "A TAP está a operar dos 30% mas outras companhias também. Não tem procura e essa é a principal razão para que os aviões não estejam no ar e estejam no chão. Temos mesmo assim algumas rotas a operar com uma lotação inferior a 50% e a operação dessas rotas não está a ser suficiente para pagar custos variáveis", disse o governante, acrescentando que essas rotas partem do Porto.

"Grande parte do negócio da TAP é feito através do hub, portanto faz a distribuição de passageiros que vem do outro lado do Atlântico e são mercados que estão fechados. A Ryanair é ponto a ponto. Os movimentos transatlânticos estão reduzidos a quase nada", o que afeta a operação da companhia aérea portuguesa.

Ana Laranjeiro é jornalista do Dinheiro Vivo

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