Parlamento vota projeto para acabar com taxas moderadoras nos centros de saúde

O parlamento debate e vota hoje um projeto de lei do Bloco de Esquerda para acabar com as taxas moderadoras nos centros de saúde.

O BE pretende que "deixem de existir taxas moderadoras nos cuidados de saúde primários e em todas as consultas e prestações de saúde que sejam prescritas por profissional de saúde e cuja origem de referenciação seja o Serviço Nacional de Saúde (SNS)".

"Temos de ter uma política mais virada para a prevenção da doença e promoção da saúde, para o acesso aos cuidados de saúde primários e para o acompanhamento pelo médico de família. Para privilegiar esta política, não deve haver nenhum tipo de barreira de acesso" a estes cuidados, argumenta o deputado Moisés Ferreira, em declarações à agência Lusa.

Entende igualmente que não faz sentido cobrar taxas moderadoras para consultas e outras prestações de saúde que são prescritas por profissionais do SNS, considerando que estas taxas acabam por ser "copagamentos encapotados".

O objetivo dos bloquistas é o fim das taxas moderadoras e a gratuitidade no acesso aos cuidados e consideram que este é "um passo nessa direção".

Na exposição de motivos do projeto de lei, o BE recorda que, após negociações com o Governo, foram apresentadas propostas no sentido de acabar com as taxas moderadoras nas duas situações em sede de discussão da nova Lei de Bases da Saúde.

"Outro objetivo é garantir que esta matéria em torno das taxas moderadoras seja aprovada já nesta legislatura. É uma matéria que tem sido debatida no âmbito de uma nova Lei de Bases e chegou a constar do acordo, que o PS depois não cumpriu, e do debate na especialidade", refere Moisés Ferreira.

O deputado recorda que o PS chegou a ter uma proposta "com uma redação similar" à do Bloco, mas que remetia a sua efetivação para legislação posterior.

"O BE está a apresentar essa legislação para garantir que nesta legislatura concretizamos esta matéria", afirma Moisés Ferreira à Lusa.

O texto do projeto do Bloco refere que a iniciativa legislativa "serve para concretizar a intenção maioritária demonstrada no debate da especialidade da nova Lei de Bases da Saúde, passando a dispensar a cobrança de taxa moderadora nos cuidados de saúde primários e em todas as prestações de saúde sempre que a origem for o SNS".

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