Militares no comando, lares evacuados, testagem maciça. O que o PSD defende

O PSD apresentou esta manhã o seu plano de emergência para combate à pandemia do covid-19. Quer testagem maciça e os militares a comandar as operações.

O PSD quer que todas as pessoas contactadas por uma pessoa infetada sejam testados em 24 horas. A proposta foi esta manhã avançada pelo deputado (e médico) Ricardo Batista Leite, numa conferência de imprensa para apresentar "as propostas do Conselho Estratégico Nacional (CEN) para o controlo e gestão da saúde em Portugal no contexto da pandemia COVID-19".

"Portugal não está a fazer o suficiente. A testagem é um elemento crítico sem o qual não há controlo da pandemia", disse o dirigente social-democrata, que salientou ainda a importância de ser dispensável a obrigatoriedade de receita para se fazer um teste. "Identificar, testar e isolar em 24 horas é crítico", insistiu.

Para efeitos de reforço substantivo da capacidade de rastreamento, o deputado falou na necessidade de recorrer a estudantes na área da Saúde e até na utilização de call centers.

"Evacuação imediata"

O PSD defende também que o Estado deve proceder a um mapeamento de todos os lares de idosos em Portugal, legais e ilegais, e proceder à "evacuação imediata" para hospitais de retaguarda daqueles onde não haja condições de segurança para manter os idosos (e funcionários) protegidos do vírus.

Segundo Ricardo Batista Leite, as Forças Armadas devem ser colocadas no topo da hierarquia de comando nas operações de combate à pandemia - mas "em articulação com a DGS e com a Proteção Civil".

Outras medidas propostas foram a libertação dos médicos de família da tarefa de acompanharem telefonicamente os doentes em quarentena doméstica. O PSD insiste também que os espaços não covid das unidades do SNS assim se devem manter, passando o Estado a utilizar a "capacidade instalada" no setor privado e social sempre que no sistema estatal a capacidade covid se esgotar.

O deputado social-democrata disse que as sugestões do PSD se baseiam na informação que é pública e "partem do pressuposto que o Governo está a fazer tudo para controlar a onda que está em crescendo".

Acompanhado pelo coordenador do CEN para a Saúde, António Araújo, o social-democrata destacou, do conjunto de propostas, o eixo da emergência e o eixo da "visão a longo e médio prazo".

"Na visão da emergência que é a resposta imediata, ultrapassada a discussão do que nós temos termos de reduzir o número de novos casos, há aqui uma necessidade de garantir, no que diz respeito à Covid-19, testagem, identificação e isolamento de todos os infetados e de todos os suspeitos, é um elemento crítico sem o qual não há controlo da pandemia", disse.

No que diz respeito aos doentes não covid-19, Baptista Leite considera ser fundamental garantir uma recuperação das listas de espera para consultas, cirurgias e exames adiadas neste contexto de pandemia, utilizando o sistema de saúde como um todo, público e privado, para assegurar que todos os doentes não covid-19 tem acesso aos cuidados de saúde.

O PSD defende ainda que do ponto de vista legal, o isolamento dos suspeitos deve ser equiparado ao isolamento dos casos positivos, garantindo o pagamento atempado dos subsídios respetivos.

No eixo 2, os sociais-democratas instam o Governo a melhorar a comunicação das autoridades com a população, assegurando ainda que a informação é disseminada nomeadamente à comunidade científica.

No eixo 4 - `Prevenir o esgotamento da capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde´ - , o CEN sugere a criação de um programa de recuperação de consultas, cirurgias e exames complementares em atraso, esgotando a totalidade da capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde, em parceria formal com as instituições de todo o sistema nacional de saúde.

Baptista Leite considera ser fundamental garantir uma recuperação das listas de espera para consultas, cirurgias e exames adiadas neste contexto de pandemia, utilizando o sistema de saúde como um todo, público, privado e social, para assegurar que todos os doentes não covid-19 tem acesso aos cuidados de saúde.

Neste contexto, o PSD entende que deve haver um plano de identificação "acelerada" de todas as unidades de saúde de respostas de cuidados intensivos que tenham resposta ventilatórias, incluindo hospitais privados), diálise e pontos de oxigénio, defendendo que todas estas respostas devem ser libertadas, na medida do possível para receber os doentes, sem comprometer a resposta dos doentes não-covid.

Ricardo Baptista Leite lembrou que, nos últimos meses, houve um aumento da morbilidade e da mortalidade no país, que é preciso travar e que é explicado também pela dificuldade no acesso aos cuidados de saúde.

Os sociais-democratas defendem ainda a criação de um sistema nacional que permitia a gestão das camas na rede, que permita conhecer em tempo real a situação nas enfermarias e unidades de cuidados intensivos.

O PSD considera por outro lado, que, para além da vacina, Portugal deve estar na primeira linha de acompanhamento de todas as novas opções terapêuticas em fase de desenvolvimento para tratamento e eventual cura da infeção por SARS-CoV-2, posicionando o país como potencial hub para a realização de ensaios clínicos de fase 2 e 3.

Em Portugal, morreram 3 021 pessoas dos 187 237 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG