"Se abril correr bem, em maio portugueses vão conviver socialmente com a realidade do vírus"

Presidente da República garante que já se vê uma luz ao fundo do túnel na contenção da pandemia de covid-19 em Portugal. Vai decretar mais 15 dias de estado de emergência, mas diz que se abril mantiver a trajetória atual, em maio o país irá progressivamente entrar na convivência social e na recuperação económica.

Marcelo Rebelo de Sousa já vê uma luz ao fundo do túnel para sair das restrições mais apertadas à sociedade portuguesa por causa da pandemia. "Abril permite olhar para maio como um mês de transição", afirmou o Presidente da República.

O processo continua a ser "seguir a evolução positiva", assegurou Marcelo, depois de ter estado reunido no Infarmed com o primeiro-ministro, presidente da Assembleia da República, líderes dos partidos e responsáveis de saúde pública. Encontro que lhe permitiu perceber que há uma "desaceleração da propagação do vírus "cada vez mais consistente e regular".

E se tudo continuar assim, em maio os portugueses "vão habituar-se a conviver socialmente com a realidade de um vírus que foi vencido no que representa um risco grave e passa a ser um dado da vida do dia-a-dia".

Mas é uma "transição" que terá de ser feita "com precaução", advertiu o Presidente. Ou seja, com as mesmas atitudes que têm sido assumidas pelos portugueses e com distanciamento social. "Já se começa a ver a luz ao fundo do túnel". Ainda que a transição, advertiu, será "incompatível com o fenómeno de massas", porque significa "um risco muito agravado de contaminação".

O Presidente reiterou a necessidade de voltar a decretar mais um período de estado de emergência, o que decidirá na quinta-feira, mas não se quis comprometer que será o último. "É cedo para falar sobre um assunto a decidir no início de maio".

Partidos de acordo

António Costa também se mostrou esperançado no final da reunião. "Um dia chegaremos a um nível em que vamos lidar com este vírus como lidamos com outros. Não podemos correr o risco de haver descontrolo. Não podemos perder o que já ganhámos. Temos de atingir um nível em que podemos conviver socialmente com o coronavírus. Quando lá chegaremos? Ainda não sabemos"

E fez um apelo: "É preciso que os cidadãos tenham confiança. De que vale reabrir restaurantes se as pessoas não se sintam confiantes em ir a um restaurante? Temos de ser prudentes e progressivos".

Do PSD, Ricardo Batista Leite deu nota de apoio às palavras do Presidente. "Não podemos dar um passo em falso. O levantamento alargado é possível quando voltarmos a identificar as cadeias ativas de transmissão. Neste momento não temos esse controlo.

Catarina Martins, líder do BE, preferiu comentar a expectativa de novas restrições. "Aliviar restrições mesmo em estado de emergência? Um mecanismo que suspende direitos constitucionais só se justifica em momentos excecionais. Alargá-lo seria absurdo". No mesmo sentido foi o PCP pela voz de Jorge Pires: "Não deve haver uma abertura pela abertura e preciso salvaguardar a saúde pública, mas rejeitamos qualquer medida de controlo que ponha em causa as liberdades individuais".

André Silva, deputado e líder do PAN, apelou a um reforço das medidas para conter a pandemia junto dos idosos. "País deve aprender com o que aconteceu nos lares e reforçar os mecanismos de segurança. Não houve capacidade de apoiar essas instituições". Mariana Silva, do PEV, manifestou-se favorável ao levantamento , mesmo que forma faseada, das medidas de contingência.

Do Iniciativa Liberal, João Cotrim Figueiredo rejeitou a ideia de Rui Rio que quem critica o governo neste momento é anti-patriótico. "A IL não acha que criticar o Governo seja antipatriótico. Unanimismo artificial é um favor quer não estão a fazer ao combate à pandemia e ao retorno à vida económica e social. Um apelo a todos para que exerçam o seu sentido crítico. A união não se pode confundir com subserviência", disse.


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