Marcelo e o combate à pandemia: "Se correr bem, ganhamos todos. Se correr menos bem, perdemos todos"

Presidente da República foi nesta segunda-feira vacinado contra a gripe e deu a início a várias audiências, começando pela minista da Saúde Marta Temido.

O Presidente da República defendeu nesta segunda-feira que "é muito importante ouvir todos, quanto mais melhor" sobre a forma como Portugal está a combater a covid-19 e as suas consequências económicas e sociais, porque todos estão "no mesmo barco".

Marcelo Rebelo de Sousa falava aos jornalistas na Unidade de Saúde Familiar (USF) Descobertas, em Lisboa, onde se vacinou contra a gripe, a propósito das audiências que anunciou para as próximas semanas com instituições de vários setores, começando esta segunda-feira com a ministra da Saúde, Marta Temido.

"Eu penso que é fundamental que todas aquelas instituições que estão relacionadas com a saúde, mas também com a economia e com a sociedade, possam dizer como é que veem o momento que o país vive e como é que veem a forma como se tem encarado, tem enfrentado e se pode enfrentar esta situação em conjunto. Este esforço é muito importante porque todos temos a noção de que estamos no mesmo barco e o correr bem para uns corre bem para outros", justificou.

O chefe de Estado argumentou que "esta é daquelas matérias em que, ao contrário de outras, quem ganha são todos, não há uns que ganham e outros que perdem".

"Se correr bem, ganhamos todos. Se correr menos bem, perdemos todos. Ao contrário de outras matérias. E, portanto, nesse sentido, esta é uma ocasião privilegiada, em Portugal como noutros países, para este tipo de encontros e de reflexões rápidas, isto é, concentradas no tempo ao longo das próximas semanas", acrescentou.

Questionado sobre a proposta de criação de um conselho científico independente que aconselhe regularmente o Governo face à atual pandemia de covid-19 feita pela coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, que assinalou que o Conselho Nacional de Saúde Pública não se reúne desde março, o Presidente da República respondeu que "são muitas" as instituições existentes em Portugal que devem ser ouvidas.

"Há outras no domínio específico da saúde pública, em particular, mas há outras que naturalmente são importantes e cujo juízo, a opinião, é importante. Mas são muitas - são muitas. São os representantes de classes profissionais, são os representantes de realidades da saúde, da economia e da sociedade. São muitas. Todas elas devem ser ouvidas", reforçou.

Marcelo Rebelo de Sousa referiu depois que em países com "sistemas mais presidencialistas" como a França "há, por exemplo, junto do Presidente da República órgãos alargados de consulta", mas que "isso não tem impedido mudanças consecutivas de orientação e ajustamento de medidas, à medida que o processo epidémico tem decorrido".

"Portanto, é muito importante ouvir todos. Quanto mais, melhor - quanto mais, melhor. Porque há, obviamente, consequências na vida e na saúde, mas também no emprego, mas também nos rendimentos, mas também na vida do dia a dia das pessoas", defendeu.

Segundo o chefe de Estado, há que "ouvir o maior número, tendo a noção de que país a país está permanentemente a corrigir o trajeto em função de uma evolução da epidemia que era e é largamente imprevisível".

Mais Notícias