Líder da CGTP: maioria das grandes empresas não precisava de apoio

Sobre as medidas do governo frisou que "significam é um grande corte nos rendimentos dos trabalhadores, sejam os que estão em 'lay-off', sejam os que estão de apoio a familiar, sejam os quase 100 mil desempregados que perderam o emprego neste período".

A secretária-geral da CGTP, Isabel Camarinha, afirmou hoje que a maioria das grandes empresas que recorreram ao 'lay-off', na sequência da pandemia de covid-19, "não precisava de qualquer apoio", porque têm "milhões de euros de lucros".

"Dos 800 mil trabalhadores em 'lay-off', 200 mil são das grandes empresas, com mais de 250 trabalhadores, a maioria das quais não precisava de qualquer apoio", disse a sindicalista, durante uma marcha pelos direitos dos trabalhadores, em Évora.

Referindo que o critério do Governo para conceder apoio através do 'lay-off' (redução temporária dos períodos de trabalho ou suspensão dos contratos de trabalho efetuada por iniciativa das empresas) foi a "quebra de faturação", Isabel Camarinha reconheceu que as grandes empresas "tiveram quebra de faturação efetivamente", mas sublinhou que estas já "têm uma situação financeira com milhões de euros de lucros".

"Algumas até já distribuíram dividendos e outras estão a guardar os lucros para distribuírem os dividendos quando puderem, porque, neste momento, acedendo às medidas [do Governo], não podem distribuir dividendos", notou.

A líder da CGTP falava aos jornalistas durante a marcha "Pelos direitos e melhores salários", organizada por três sindicatos dos setores industriais, que arrancou no Rossio de São Brás e terminou junto à fábrica de Évora da multinacional TE Connectivity.

Devido à pandemia de covid-19, a organização do protesto esticou uma corda com marcas vermelhas de dois em dois metros, para os cerca de 50 participantes, todos com máscara, cumprirem o distanciamento recomendado.

Ao longo do percurso, os manifestantes entoaram palavras de ordem como "o aumento do salário, é mesmo necessário", "empresa sim, desemprego não", "a luta continua, nas empresas e na rua" e "mais salário, menos horário".

Isabel Camarinha realçou que as medidas do Governo "não são" as necessárias para "fazer face" à realidade, alegando que "não garantem os postos de trabalho" e "não garantem as retribuições dos trabalhadores".

"Pelo contrário, o que significam é um grande corte nos rendimentos dos trabalhadores, sejam os que estão em 'lay-off', sejam os que estão de apoio a familiar, sejam os quase 100 mil desempregados que perderam o emprego neste período", frisou.

Segundo a dirigente sindical, devido à pandemia de covid-19 existe "um conjunto muito grande de atropelos aos direitos dos trabalhadores", nomeadamente em relação aos horários de trabalho e às férias.

"Temos as micro, pequenas e médias empresas em situações muito difíceis e a não conseguirem recorrer aos apoios", por causa das "grandes dificuldades que lhes são colocadas", não podendo "garantir as retribuições dos seus trabalhadores", acrescentou.

A líder da CGTP assinalou que o distrito de Évora tem "toda esta situação que se vive no plano nacional ainda mais acentuada", uma vez que "a percentagem de trabalhadores desempregados, em 'lay-off' e com situações diferenciadas de perda de retribuições ainda é superior".

A marcha integrou a Semana Nacional de Luta da CGTP, a qual inclui, até sexta-feira, dezenas de greves, plenários e concentrações por todo o país, nomeadamente um desfile em Lisboa, na quinta-feira.

Portugal contabiliza pelo menos 1.534 mortos associados à covid-19 em 39.392 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim da Direção-Geral da Saúde.

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