Justiça. O "amor" não correspondido de Lucília por Amadeu

Lucília Gago, a procuradora-geral da República, deu esta segunda-feira posse a Amadeu Guerra como procurador-geral distrital de Lisboa e não escondeu a controvérsia que envolveu esta nomeação. Com poucos sorrisos e cumprimentos mornos.

O novo procurador-geral distrital de Lisboa, Amadeu Guerra, tomou posse esta manhã, depois de cinco anos ao comando do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), unidade do Ministério Público (MP) que investiga os crimes de corrupção e a criminalidade grave e violenta. Não quis falar sobre os recentes desaires do seu anterior departamento, como é o caso dos processos Vistos Gold e e-Toupeira.

A procuradora-geral da República, Lucília Gago, no seu discurso, não fugiu à controvérsia que marcou a eleição de Guerra no Conselho Superior do Ministério Público (CSMP) - cujo nome não foi o proposto por Lucília. "São públicas as palavras de enaltecimento das qualidades de V.Exa. que, repetidas vezes, também em privado lhe reconheci, as quais não obtiveram recetividade no sentido da aceitação da recondução do cargo como diretor do DCIAP", sublinhou a procuradora-geral a Amadeu Guerra, ao seu lado.

Este elogio, sem "correspondência", integrava também a sua declaração de voto no CSMP - onde Amadeu Guerra foi escolhido por 12 votos a favor e sete contra - na qual explicava porque este não era o seu "eleito" para a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL). Segundo Lucília Gago, o próprio lhe tinha manifestado vontade de sair do DCIAP. "Tal proposta pressuporia, contudo, uma vontade que dele não logrei obter - pela invocação de um estado de desgaste e fadiga -, pese embora os sucessivos pedidos que lhe formulei nesse sentido desde que assumi o cargo de procuradora-geral da República", escreveu.

Conformada com aquela que foi a sua primeira derrota no MP, a magistrada deixou um aviso: "Desengane-se quem ache que o combate à criminalidade económica e financeira esmorecerá. Será necessariamente dada continuidade a este trabalho numa trajetória, não só de consolidação dos avanços alcançados, mas também de crescente progressão ".

A procuradora-geral sublinhou ainda ter a certeza que Amadeu Guerra "terá um importante contributo a dar na liderança da PGDL que exige uma "elevadas qualidades organizativas e gestionárias", bem como "elevadas capacidades de entrega à causa pública".

Por sua vez, no seu discurso, Amadeu Guerra foi mais subtil, dirigindo as "primeiras palavras ao CSMP pela confiança que depositou" em si", seguida de "uma palavra de sincero agradecimento" à ex-procuradora geral, Joana Marques Vidal, "pelo incentivo e atenção que prestou ao DCIAP com a disponibilização dos meios possíveis".

A Lucília Gago, em terceiro lugar, agradeceu "a confiança e menção elogiosa que proferiu no seu discurso, bem como o reconhecimento do trabalho do DCIAP".

Recordou os anos no DCIAP, como um "trabalho árduo, com muita dedicação, sacrifício e coragem de todos", assinalando que "a desconfiança e a descrença na justiça só pode ser combatida com competência técnica, capacidade, rigor e, especialmente isenção e coragem".

À saída da cerimónia, nem Lucília Gago, nem Amadeu Guerra quiseram prestar declarações, designadamente sobre os casos, investigados pelo DCIAP, e-Toupeira e Vistos Gold. No primeiro, o juiz de instrução despronunciou a maior parte dos acusados, no segundo foram apenas condenados quatro dos 21 arguidos acusados pelo MP.

Amadeu Guerra sucede a Maria José Morgado e ainda não é conhecido o nome de quem comandará o DCIAP.

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