"É o dia mais importante do percurso que tenho feito". João Almeida é candidato à liderança do CDS

O deputado, eleito por Aveiro, é o terceiro candidato assumido à liderança do partido, mas ainda há outros dois que já se mostraram interessados em entrar na corrida. João Almeida acredita que o resultado do CDS nas últimas eleições legislativas, em que o grupo parlamentar passou de 18 para cinco deputados, "não é irreversível".

João Almeida anunciou este sábado que será candidato à liderança do CDS. "O CDS precisa de afirmar a sua voz na oposição a este governo. É por isso que sou candidato à presidência do CDS e conto com cada um de vós", avança, num vídeo partilhado na sua página de Facebook. O deputado de 43 anos, eleito por Aveiro, é o terceiro candidato assumido à liderança do partido, depois de Abel Matos Santos - que apresentou a sua candidatura imediatamente a seguir às eleições legislativas, quando Assunção Cristas disse que não se iria recandidatar - e de Carlos Meira, ex-líder da concelhia de Viana do Castelo.

"Hoje é o dia mais importante do percurso que tenho feito." A confirmação finalmente chegou, depois de João Almeida ter deixado várias vezes em suspenso a hipótese de se candidatar. No início de outubro, João Almeida admitiu mesmo ao DN que quando Assunção Cristas se retirasse iria ponderar uma eventual candidatura para presidente do CDS. "Confesso que não estava nos meus planos", mas "seria irresponsável" não o fazer. "Da maneira que as coisas estão", diz, sente "essa obrigação."

Logo a seguir à noite eleitoral, o deputado tinha escrito, na página do seu Facebook, que o resultado do CDS "foi uma derrota estrondosa", lembrando que "em democracia estes resultados não acontecem por acaso" e "é preciso não voltar a cometer os mesmos erros e encontrar o que faltou, causas e propostas que mobilizem as pessoas."

O resultado do partido nas últimas eleições legislativas, em que os centristas obtiveram 4,2% dos votos e o grupo parlamentar passou de 18 para cinco deputados, voltou a ser lembrado por João Almeida no anúncio da sua candidatura. O novo candidato à liderança do CDS considera, contudo, que este resultado "não é irreversível".

"Pelo contrário. Quando me filiei no CDS tínhamos cinco deputados, tínhamos tido 4% nas eleições e tínhamos 1% a 2% nas sondagens. Depois disso, conseguimos estar duas vezes no governo, tivemos o maior grupo parlamentar em 25 anos, conseguimos isso também na Madeira e nos Açores, conseguimos recuperar de uma para seis câmaras municipais e conseguimos isso tudo porque valorizamos aquilo que nos une. É isso que temos que ter em mente", remata.

O deputado João Almeida diz-se pronto "para lutar por tudo", "na saúde, na educação, na autoridade do estado, na valorização da família, ou numa política fiscal que seja efetivamente respeitadora das famílias e das empresas e que permita ao país crescer".

No passado mês, o primeiro candidato assumido à corrida, Abel Matos Santos, criticou a falta de mais candidaturas. "Há aqui uma vergonha, um encolhimento que não se entende", desafiava. Abel Matos Santos dirige a Tendência Esperança em Movimento (TEM) do CDS, que tem batalhado pelo regresso ao partido do eu ex-líder Manuel Monteiro.

Outros dois dirigentes já afirmaram estar disponíveis para concorrer, embora ainda não tenham apresentado nenhuma candidatura formalmente: o ex-deputado Filipe Lobo de Ávila e Francisco Rodrigues dos Santos, líder da Juventude Popular.

O Congresso do CDS está marcado para os dias 25 e 26 de janeiro, em Aveiro. Ao contrário do que acontece no PS e no PSD, a escolha do líder faz-se em congresso, através dos delegados escolhidos pelas bases, e não por escolha direta, secreta e universal de todos os militantes.

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