Liderança do PCP. Jerónimo trava ambições internas: "Desistam os apressados"

Jerónimo de Sousa afirmou hoje que tem recebido uma "força imensa" de muitos não militantes do PCP que lhe pedem para ficar à frente do partido

O líder comunista manifestou hoje o desejo de continuar a "andar para a frente" em termos de reposição de rendimentos e direitos, acrescentando que vai continuar no cargo de secretário-geral do PCP "até ao limite" das suas forças.

Num almoço-debate na sede da Associação 25 de Abril, em Lisboa, Jerónimo de Sousa manifestou preocupação por existirem "alguns jornais ditos de referência que começam a ser jornais de palpite". E acrescentou: "Quero descansar quem possa estar preocupado. A questão não está posta. Até ao limite das minhas forças, continuarei a aceitar essa responsabilidade e o apoio que os meus camaradas me dão. Desistam os apressados, cá vamos continuar a nossa luta."

Segundo disse ainda, muitas pessoas que não são do PCP lhe pedem que se mantenha à frente do partido e isso dá-lhe "uma força imensa".

O líder comunista foi desafiado pelo presidente da Associação 25 de Abril, o coronel Vasco Lourenço, a contribuir para manter a atual solução que viabilizou o Governo minoritário do PS, a denominada "geringonça", com acordos parlamentares entre PS, BE, PCP e PEV.

"Funcionou. Não tão bem como cada um de nós gostaria, mas muito melhor do que a solução anterior [governo PSD/CDS-PP]. A minha esperança é a de que se criem condições para que, depois das eleições legislativas de outubro, haja uma solução do mesmo tipo. O país tem ganho mais do que tem perdido", afirmou o 'capitão de Abril'.

Sobre a reedição da "geringonça", o líder do PCP sublinhou que "falta ver o desenho e a relação de forças que a nova Assembleia da República vai ter", depois das eleições legislativas de 06 de outubro.

"Chegámos aqui e não podemos andar para trás. Andar para a frente é preciso. Podemos fazer profecias, palpites, mas será que iremos ter de recuar outra vez por imposições estrangeiras ou poderemos avançar? Mantemos os compromissos que assumimos, designadamente com o PS. O PS foi mais longe que o próprio PS pensava ir", disse, referindo-se aos avanços alcançados quando comparados com o próprio programa de Governo dos socialistas.

Jerónimo de Sousa recusou a ideia de que o PCP incitou o PS a formar o atual executivo por se tratar de um "mal menor".

"Nunca considerámos a questão de ser maior ou menor. Primeiro, era preciso afastar o Governo PSD/CDS. Conhecíamos bem o PS e seus conteúdos programáticos. Era preciso repor rendimentos e direitos. Além disso, permitiu outra coisa: repor a esperança em muitos portugueses", descreveu, sublinhando a "grande flexibilidade tática e grande determinação estratégica" do PCP.

Para o secretário-geral comunista, "ficou muita coisa por fazer" e há "problemas estruturantes da sociedade que continuam por resolver". "Houve avanços, fez-se justiça, mas, por imposição estrangeira, designadamente da União Europeia, temos atrofiamentos e dificuldades que têm de ser resolvidos e ultrapassados."

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