Jerónimo diz que alternativa de esquerda "só com PCP" e garante: "Não estou a prazo"

O secretário-geral do PCP encerrou domingo o XXI congresso com a afirmação de que não há alternativa política sem os comunistas e reclamar para o partido "os avanços" positivos no Orçamento do Estado de 2021, que ajudou a viabilizar.

A alternativa política, de esquerda, precisa da "convergência de democratas e patriotas, da luta dos trabalhadores e do povo" e do "reforço do partido, afirmou Jerónimo de Sousa no discurso com que encerrou o congresso, no pavilhão Paz e Amizade, em Loures, Lisboa.

"Alternativa política que não é possível só com o PCP, mas também não será possível sem o PCP", disse Jerónimo, eleito pela quinta vez.

No discurso, de pouco mais de 15 minutos, o secretário-geral comunista reclamou ainda "os avanços" que disse terem sido conseguidos pelo partido e que levaram a bancada comunista a abster-se e a viabilizar o Orçamento.

E sem nunca o citar, criticou o Bloco de Esquerda por ter ficado de fora do entendimento para viabilizar o Orçamento do Estado, esta semana.

É certo que, admitiu, foi um "caminho de ficou curto porque o PS não se liberta das suas escolhas e opções", que o PCP associa às "políticas de direita". "Mas enquanto alguns desistiam, se há avanços, medidas consagradas dirigidas aos trabalhadores, aos reformados, às pequenas empresas, à cultura, ao Serviço nacional de Saúde e aos seus profissionais, todas têm a marca, a contribuição, a proposta do PCP", afirmou.

Jerónimo garantiu ainda que não está "a prazo datado, nem em período experimental", aos delegados ao congresso do PCP, em Loures. A frase foi improvisada, não estava discurso escrito distribuído pelo partido e surgiu quando se referiu às votações feitas no congresso e pelo comité central.

"Não estamos aqui a prazo datado, nem em período experimental, mas sim disponíveis para fazer o que temos de fazer, o que o congresso decidiu", disse, na única referência a questões internas do partido e do congresso. O mandato dos órgãos eleitos neste congresso, o XXI, é de quatro anos, até 2024. O secretário-geral é, pelos estatutos, eleito pelo comité central do partido.

À saída do congresso, questionado insistentemente sobre se irá cumprir integralmente os próximos quatro anos à frente dos comunistas, Jerónimo de Sousa assegurou estar "com força". "Não estou a prazo", repetiu, antes de entrar para a viatura do PCP que o costuma transportar, com os seguranças a apressarem o abandono do recinto.

Aos 73 anos e líder do PCP há 16 - o secretário-geral com maior longevidade a seguir ao histórico Álvaro Cunhal, o ainda deputado e antigo operário metalúrgico revelou-se "com energia, com força [para a luta]". "Eu força terei, se não tiver é que não posso...", brincou ainda.

​​​​​​​O XXI Congresso do PCP terminou cerca das 12:30, após o discurso do secretário-geral eleito, com os hinos "Avante Camarada" e a Internacional, e os delegados de pé e punho erguido.

Os delegados ouviram por fim o Hino Nacional e os trabalhos foram declarados encerrados às 12:28, no Pavilhão Paz e Amizade, em Loures, com alertas de que "é absolutamente essencial" que, na saída, cumpram o "distanciamento físico" e as medidas de proteção sanitária.

Também por razões sanitárias, foi pedido aos delegados que deixassem as cadeiras no lugar, ao contrário do que é habitual nos congressos comunistas, em que todos participam na arrumação do local no final dos trabalhos.

"Assim se vê a força do PC" e "PCP/PCP" foram as palavras de ordem proferidas pelos delegados, que empunhavam as bandeiras vermelhas comunistas, num ritual que foi breve.

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