Ivo Rosa vai conduzir instrução da Operação Marquês. "Calhou-me a mim"

Juiz vai reavaliar os indícios e provas contra os 28 arguidos, entre eles José Sócrates, e decidir se há fundamento suficiente para os levar a julgamento

Ivo Rosa é o juiz que vai conduzir a fase de instrução e decidir o futuro dos arguidos da Operação Marquês. Entre os 28 arguidos encontra-se o ex-primeiro-ministro José Sócrates, que é acusado de 31 crimes, um dos quais de corrupção. Dos arguidos, apenas Henrique Granadeiro tinha a sua mandatária na sala. Ivo Rosa, ao contrário de Carlos Alexandre, também estava na sala. "Calhou-me a mim", desabafou depois de ver o seu nome surgir e antes de se recolher a um gabinete.

Conforme ditou o sorteio eletrónico, será Ivo Rosa a conduzir a fase do processo em que serão reavaliados os indícios e as provas contras os arguidos e de onde depois se decidirá se existem ou não fundamentos suficientes para os levar a julgamento.

A chegada de Ivo Rosa ao processo acaba por ir ao encontro das pretensões de arguidos como José Sócrates e Armando Vara, que queriam Carlos Alexandre fora da Operação Marquês. Ivo Rosa é também tido como "cético" e não tem a mesma relação com o Ministério Público do que o juiz que teve até agora nas mãos o processo. Recentemente, vieram a público alguns conflitos entre Ivo Rosa e o MP em grandes casos

Nos pedidos de instrução do processo, houve várias referências à forma de atuação do juiz Carlos Alexandre - e mesmo de quem não apresentou pedido de abertura. Ricardo Salgado, por exemplo, diz que não tem forma de defender-se. Na mesma linha está o ex-ministro Armando Vara, cujo pedido de abertura de instrução apresentado na quarta-feira, deixava bem expressa a contestação a Carlos Alexandre. De acordo com o requerimento apresentado, Vara alega que a forma como Carlos Alexandre, que liderou a fase de inquérito, foi escolhido para acompanhar este caso foi ilegal e manipulada, obrigando a anular o processo.

Armando Vara lembra que não houve sorteio na fase inicial do processo, em 2014, tendo este sido distribuído diretamente a Carlos Alexandre, que partilhava o "ticão", nessa altura, com o juiz João Filipe Bártolo. A defesa de Vara apresenta os mapas de distribuição dos processos onde está registado que, no dia da distribuição da Operação Marquês, não houve sorteio. Ou seja, esta terá sido feita de forma manual. O mesmo aconteceu, registam, com outro caso de grande impacto mediático, que foi o caso dos "Vistos Gold".

Por outro lado, alega ainda, ao contrário do que diz a lei, que nenhum juiz presidiu à distribuição, deixando em causa, na opinião da defesa, a imparcialidade da escolha. A entrega a Carlos Alexandre da Operação Marquês foi, no entender de Vara, "ilegal, manipulada e violadora dos princípios do processo penal".

José Sócrates não aceitava sequer que desse a Carlos Alexandre 50% de hipóteses de conduzir a instrução.

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