Governo vai utilizar e-fatura para estimar e mitigar prejuízos da restauração

António Costa revelou que vai anunciar um pacote específico de apoio a empresas do setor da restauração.

António Costa anunciou esta segunda-feira, em entrevista a Miguel Sousa Tavares no Jornal da 8 da TVI ,que o governo vai revelar um pacote específico de apoio a empresas da restauração e que para isso vai utilizar os dados da e-fatura para estimar e mitigar os prejuízos de cada restaurante.

"Vamos anunciar pacote específico a empresas de restauração. O e-fatura permite-nos saber qual a receita de cada restaurante e que teoricamente vai perder. Há restaurantes que faturam mais ao fim de semana, outros até fecham mais ao fim de semana. Podemos estimar faturação e custos fixos para mitigar prejuízos", afirmou.

O primeiro-ministro disse que "não foi de ânimo leve" que ordenou o confinamento obrigatório entre as 13.00 e as 05.00 no próximo fim de semana, mas justificou essa medida com o facto de "68% dos contágios" ter ocorrido em ambiente familiar e que cerimónias como casamentos, batizados e crismas foram grandes focos de contaminação. "Uma pessoa sozinha não pode contaminar ninguém. Duas pessoas já podem. Quatro ainda mais. Não é possível controlar a pandemia sem perturbar a economia", acrescentou.

Embora a situação pandémica tenha atingido números nunca antes vistos em Portugal, o líder do governo diz que "a situação ainda não se tornou incontornável". "Estamos numa situação bastante mais grave do que a que estávamos na primeira vaga. Temos o dobro das pessoas internadas que tivemos no pior momento da primeira onda, mas ainda não se tornou incontrolável", vincou, apelando uma vez mais ao esforço individual: "Do que podíamos preparar, aumentámos a capacidade de resposta em termos de chamadas da linha SNS 24, testagem e camas de internamento. Aumentámos muito a capacidade. A transmissão da doença não depende do governo, depende de cada um de nós."

Ainda que vírus já estivesse em Portugal desde março, António Costa confessou que "ninguém esperava uma segunda vaga tão cedo", embora tivesse referido que em setembro alertou que a situação já era "muito grave".

Relativamente a internamento, Costa frisou que a convenção com o setor privado remonta a abril. "Já tinha anunciado em abril que tinhamos uma convenção com o setor privado e que tínhamos camas previstas sobretudo para a região Norte. O setor privado tem 120 camas de cuidados intensivos", acrescentou, garantindo que não existiu "preconceito ideológico" que tivesse atraso no recurso aos privados.

"Temos 704 camas para cuidados intensivos em condições de funcionar. No princípio tínhamos o menor número de camas por 100 mil habitantes da UE. Já temos mais 50 camas e teremos mais 50 até março de 2021. Se vão ser suficientes? Se conseguirmos controlar esta pandemia agora, vamos conseguir viver sem dramas", aditou, reiterando "confiança reforçada" na ministra da Saúde, Marta Temido.

Sobre a vacina, o primeiro-ministro explicou como vai decorrer o processo de chegada a Portugal e distribuição pela população, garantido que vão haver critérios e que não vai ser o "salve-se quem puder". "A União Europeia decidiu fazer compra conjunta para todos os Estados-membros. Há uma distribuição tendo em conta a população e todos os países terão de apresentar até ao final deste mês os seus critérios de vacinação. Está a ser planeado o armazenamento e a distribuição das vacinas. Vai correr bem. Não podemos falhar", explicou.

Durante a entrevista António Costa falou ainda da geringonça à direita que se está a formar nos Açores, criticando o PSD por fazer acordos com a extrema-direita xenófoba. "O funcionamento do sistema parlamentar é assim, mas o PSD deu um passo ao fazer acordo com um partido de extrema direita xenófoba. O problema não é o acordo, é a natureza do Chega", afirmou, recusando comparações entre PCP e Chega: "Há um cordão sanitário na Europa em relação à extrema direita xenófoba, porque a xenofobia é condenável. Nunca negociarei com o Chega."

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