Fundador do Livre anuncia saída por divergências com "postura política"

Miguel Dias diz que deixou de se rever na forma como o partido faz política. É o segundo fundador a sair desde as eleições legislativas.

Um dos membros fundadores do Livre, Miguel Dias, anunciou na rede social Twitter que vai deixar o partido, uma decisão que não se deve a divergências ideológicas, mas a "uma questão de forma e de postura política", na qual diz ter deixado de se rever.

"Não foi uma decisão fácil nem leviana. É emocionalmente complexa a decisão de abandonar o LIVRE, partido que ajudei a fundar e ao qual dediquei seis anos da minha vida. As razões para a minha saída foram explicadas internamente", escreveu Miguel Dias numa das mensagens, esta terça-feira, em que anuncia que deixa o Livre.

O também candidato pelo círculo de Setúbal, nas últimas eleições legislativas, explica que as razões da saída "não estão relacionadas com o conteúdo", até porque os seus "valores ideológicos e as ideias politicas continuam a condizer em larga medida com o defendido pelo partido". Devem-se antes a uma "questão de forma e de postura política na qual não me revejo", escreve Miguel Dias, que diz ainda: "Hoje é um dia triste para mim. E equacionei se deveria tornar pública esta minha decisão. Mas por saber que muitos e muitas de vocês me ligam ao LIVRE achei importante fazer este anúncio".

Em declarações à TSF, Pedro Nunes Rodrigues, porta-voz da direção do Livre, lamentou a saída. "Ficamos com alguma pena que o Miguel decida desvincular-se do Livre, mas é uma decisão pessoal", afirmou, antes de acrescentar: "O grupo de contacto pode apenas agradecer ao Miguel toda a dedicação que deu nos últimos seis anos ao Livre. Foi uma das pessoas mais importantes na dinamização do núcleo do Livre em Setúbal".

A saída de Miguel Dias soma-se à de um outro fundador, Ricardo Alves, concretizada logo no dia das eleições e sobre a qual o próprio também falou no facebook, esta terça-feira. "Desvinculei-me do LIVRE no dia das eleições legislativas. As razões político-ideológicas são evidentes: não me revejo na viragem de rumo do partido no último ano", escreve o ex-militante, que aponta igualmente "razões internas", de que deu "conta aos que ficaram no Livre".

A decisão de Miguel Dias é anunciada numa altura em que a deputada única do partido, Joacine Katar Moreira, tem estado envolvida em sucessivas polémicas, nomeadamente com a própria direção do Livre, depois da abstenção da deputada num voto de condenação à ação militar de Israel na Faixa de Gaza, que deu início a uma troca de acusações entre as duas partes,

Já depois disso, a deputada única do Livre entregou o projeto de lei que altera a lei da nacionalidade fora dos prazos que permitiriam a discussão da proposta a 11 de dezembro, dia em que estarão a debate no Parlamento os textos do Bloco de Esquerda, PCP e PAN sobre a mesma matéria.

Esta terça-feira a deputada protagonizou um episódio insólito na Assembleia da República, com o assessor a solicitar a escolta de um elemento da GNR para evitar que os jornalistas pudessem fazer perguntas a Joacine Katar Moreira, uma situação que levou a secretaria-geral do Parlamento a vir esclarecer que esta é uma situação que "nunca se verificou" no Palácio de São Bento e que os serviços de segurança só podem intervir "quando estiver em causa a segurança" dos deputados.

Com Lusa

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