Festa do Avante!. Pressão está toda sobre a DGS, mas ainda não há data para falar da lotação

Como dançar a Carvalhesa seguindo as regras sanitárias? A JCP explica. Isto no dia em que a realização da Festa do Avante! continua a gerar polémica. A pressão está toda nas costas da DGS para definir a lotação do evento que decorre no Seixal. Marcelo Rebelo de Sousa foi o último a sinalizar a autoridade de saúde.

Falta menos de um mês para a Festa do Avante!, que se realiza a 4, 5 e 6 de setembro, mas a polémica sobre a lotação que será permitida para garantir condições de segurança em tempo de pandemia está cada vez mais acesa. Muitas vozes se levantam contra a realização da anual iniciativa do PCP que vai muito além da atividade política. E a pressão está toda a ser feita sobre a Direção-Geral da Saúde (DGS), para que dite as regras. Marcelo Rebelo de Sousa foi o último a sinaliza a DGS, que disse ontem ao DN não ter ainda uma data prevista para tornar público o que vai decidir sobre o evento comunista que se realiza no Seixal.

"É muito importante o papel da DGS na definição das condições sanitárias dos vários eventos", disse nesta quinta-feira (13 de agosto) o Presidente da República. "Tenho fugido a pronunciar-me porque ainda não é o tempo. Mas há o tempo em que as autoridades sanitárias têm de dizer que há regras que têm de ser cumpridas, sendo certo que essas regras se aplicariam a outros eventos." Para Marcelo, a capacidade de definição "não é política, é técnica" por parte das autoridades sanitárias, e tem de ser "percebida por todos os portugueses".

O novo subdiretor da DGS, Rui Portugal já admitiu que houve reuniões com o PCP, mas o DN apurou junto da autoridade de saúde que não há ainda uma data para tornar público o que foi acordado com o partido de Jerónimo de Sousa sobre a Festa do Avante!.

Apenas a ministra da Saúde, Marta Temido, num dos habituais briefings diários sobre a evolução da pandemia de covid-19, advertiu que a lotação da festa terá de ser inferior à capacidade total, ou seja, as cem mil pessoas que a licença da Quinta da Atalaia permite.

Após estas declarações, o líder do PSD começou a fazer contas. No Twitter, e em tom crítico, Rui Rio escreveu: "Se reduzirem a lotação máxima (cem mil pessoas) em 50%, ela passará a corresponder ao estádio do Porto ou do Sporting completamente cheios. Aguardo com expectativa qual será a anunciada redução que o Governo irá fazer, em coerência com a sua obrigação de defesa da saúde pública."

O PCP reagiu de forma violenta às palavras de Rio, a quem acusou de "desonestidade política". "Há afirmações tão ridículas que só podem assentar numa aversão sem limites ao PCP e à sua luta pelos direitos dos trabalhadores e do povo".

Do Governo, também falou a ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, que recordou aos críticos do Avante! que "a Constituição e a lei não permitem proibir eventos políticos". Mariana Vieira da Silva frisou que não há exceções nas regras dentro do recinto e garantiu que a DGS está a trabalhar para garantir que as regras são cumpridas.

O PCP não se quis pronunciar ao DN sobre a polémica, mas nas redes sociais o deputado António Filipe defendeu o Avante!. "Tenho para mim, porque conheço razoavelmente a direção do PCP, que as preocupações de segurança sanitária nunca estiveram ausentes da ponderação sobre a realização da Festa. Basta verificar que as iniciativas realizadas pelo PCP têm tido esse cuidado. Ao contrário de outras manifestações e ajuntamentos, que não vejo a comunicação social de serviço criticar", escreveu no Facebook.

António Filipe recorda que é público que o PCP tem estado em contacto com a DGS e refuta a ideia de que os festivais estão proibidos. "Eles podem ser feitos desde que sejam cumpridas as regras impostas pela DGS. Que os promotores não queiram assumir essa responsabilidade, é problema deles. Não venham é acusar o PCP de querer exceções. Até porque, como é notório, há festivais a serem realizados."


O deputado garante ainda que o PCP nunca disse que ia ter cem mil pessoas na Festa do Avante!. "O que disse foi que a área disponível permite acolher esse número de pessoas em segurança, o que é bem diferente. Há quem critique o momento da decisão. Certamente que a decisão foi difícil dado que a antecedência era incontornável. Quem conhece a Festa sabe que ela não se põe de pé em dois dias nem sequer num mês, e assumir avançar sabendo que teriam de ser tomadas medidas sem precedentes foi um ato de coragem, mas não de irresponsabilidade."

Aos que alegam que o evento só se realiza por razões financeiras, diz que "conhecem mal o PCP". E remata: "Há quem diga que o PCP vai pagar caro por realizar a Festa. Pois vai. Mas não é por ser neste ano. É por realizar a Festa todos os anos. É por existir e defender os direitos dos trabalhadores. O PCP paga sempre muito caro o facto de existir e de não desistir de existir e ser o que é. Compete-nos a nós, comunistas e outros democratas, não alimentar o coro desses credores."

No site oficial do PCP há já um vídeo exemplificativo sobre as medidas de segurança que o partido pretende adotar na Festa do Avante!. E na página do Facebook da Juventude Comunista (JCP) há outro que ajuda a treinar a dança da Carvalhesa seguindo as regras sanitárias.

Mais Notícias