Exército. General exonera comandante dos Comandos

Coronel Pipa Amorim deixa o Regimento de Comandos cerca de um ano após assumir funções e dias após fazer afirmações polémicas sobre o processo dos 19 militares acusados da morte de dois recrutas.

O Exército exonerou o coronel Pipa Amorim do cargo de comandante do Regimento de Comandos, cerca de uma semana após as cerimónias de aniversários daquelas forças especiais, confirmou esta sexta-feira o DN.

Pipa Amorim, que fontes militares disseram ao DN estar esta sexta-feira ainda em funções, vai ser substituído em breve pelo tenente-coronel comando Eduardo Pombo (em funções na Divisão de Planeamento Estratégico Militar do Estado-Maior General das Forças Armadas).

A decisão do Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), general Rovisco Duarte, noticiada na quinta-feira à noite pelo Observador, foi tomada depois de o coronel Pipa Amorim ter declarado sexta-feira que os 19 militares acusados da morte de dois recrutas (em 2016) têm sido "vítimas constantes de atentados à sua dignidade, idoneidade e bom nome".

"Não podemos aceitar que estas cabalas contra os nossos militares sejam utilizadas como arma de arremesso com o objetivo de desacreditar os Comandos e o Exército e o que estes símbolos representam", afirmou ainda o coronel Pipa Amorim, nas cerimónias do 56º aniversário dos Comandos realizadas no quartel da Carregueira (Sintra).

Nas redes sociais, o tenente-general na reserva António Menezes criticou a decisão do CEME ao afirmar quinta-feira que "a exoneração de um Comandante ao final de um ano de comando viola os ditames da virtude e da honra e em nada prestigia o Exército".

Note-se que António Menezes demitiu-se há cerca de um ano do cargo de comandante operacional do Exército, em protesto contra a decisão do general Rovisco Duarte exonerar cinco comandantes na sequência do furto de material de guerra nos paióis de Tancos e sem que tivesse havido qualquer apuramento de responsabilidades.

Pipa Amorim, promovido a coronel em outubro de 2016, substituiu há cerca de um ano o coronel Dores Moreira, comandante do regimento quando ocorreram as mortes de dois recrutas em setembro de 2016.

O Exército, questionado pelo DN sobre a matéria, ainda não respondeu.

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