Costa e as presidenciais: "Sei em quem vou votar e não será em branco"

Nasceu o grande tabu das presidenciais: em quem irá votar o primeiro-ministro? Uma coisa é certa, garantiu o próprio: "Não votarei em branco."

"Já sei em quem vou votar e não votarei em branco". A garantia, sobre a opção de voto nas presidenciais, foi esta manhã dada pelo primeiro-ministro numa entrevista à rádio do Observador.

António Costa escusou-se porém a revelar em quem votará e assegurou mesmo que nunca o fará.

"Tenho um excecional dever de recato", assegurou. Reforçando: "Não terei qualquer tipo de intervenção nas presidenciais."

Segundo explicou, isso acontecerá a bem da relação do Governo com "o Presidente ou a Presidente" que resultar das eleições.

Bloco: "Puseram-se ao fresco"

A aprovação do OE2021 foi também um dos temas da conversa, nomeadamente o voto contra do BE e o voto a favor do PSD na proibição de transferências para o Novo Banco sem um orçamento retificativo.

O chefe do Governo zurziu fortemente nos dois partidos mas ressalvando que não governa com "estados de alma" - pelo que nenhuma rutura será definitiva.

Quanto ao BE, considerou que partiu de um pressuposto sobre o PS e o Governo: "Fiquem sozinhos com a vossa impopularidade e vamo-nos por ao fresco".

Mas "os portugueses são muito mais sábios do que a bolha politica ou mediática" e isso, recordou, já se reflete em sondagens negativas para os bloquistas.

Rio e o Novo Banco: "Brincar com o fogo"

"Perante o que o Bloco fez não poupo nas palavras", os bloquistas cometeram um "erro político na avaliação da correlação de forças" e "espero que o Bloco aprenda com os seus erros políticos", afirmou ainda.

De Rui Rui disse que foi "muito grave" a decisão do PSD na questão do Novo Banco - uma "brincadeira com o fogo" que na verdade, em seu entender, não passará de "uma bravata politica juridicamente e politicamente inconsequente". Que revela, além disso - acusou - que "Rui Rio arruma com muita facilidade os seus princípios", como se verificou, por exemplo, no acordo com o Chega nos Açores.

Segundo explicou, "há N soluções jurídicas para assegurar que a credibilidade internacional não será atingida". Ou seja: uma eventual necessidade de mais transferências para o Fundo de Resolução (e daqui para o Novo Banco) "não passará necessariamente" pela aprovação no Parlamento de um Orçamento Retificativo. Podem ser usadas, por exemplo, dotações provisionais previstas no OE2021.

"O que importa é responder às causas políticas do Chega"

Questionado, António Costa aproveitou ainda para assegurar que no OE2021 não houve qualquer negociação do PS com o Chega.

Mostrou-se por outro lado cético em relação à ideia - avançada por Fernando Medina - de combater o Chega eventualmente através de uma decisão judicial de ilegalizar a sua existência.

Isso, disse, é uma competência da esfera judicial "mas o que importa é responder às causas políticas do Chega".

Quanto à Hungria - que, com a Polónia, bloqueia a aprovação na UE das verbas para o Plano de Resiliência e do próximo Quadro Financeiro Plurianual - reconheceu que "não é uma democracia como a nossa".

Mas aproveitou para aqui atacar os partidos à direita do PS no Parlamento. "Só me surpreende que Viktor Orbán [chefe do governo húngaro] esteja no mesmo partido europeu que o PSD e o CDS".

No seu entender, "numa casa a 27 é necessário compatibilizar muitos contrários". Mas - acrescentou - "a Polónia e a Hungria estão-se se a colocar numa posição inaceitável de bloqueio e de chantagem", a qual poderá ter consequências "dramáticas" se representar mesmo, por exemplo, a não aprovação dos Fundos de Coesão em janeiro.

"Espero que o Conselho Europeu de 10 e 11 dezembro, ou 12 ou 13, se necessário, resolva este bloqueio."

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