Praias vão abrir a 6 de junho, anuncia António Costa

Reunido o Conselho de Ministros, o chefe do Governo fez o balanço dos primeiros quinze dias de desconfinamento. E garantiu que não há qualquer crise com Mário Centeno: "Nem crise, nem mini-crise, nem nano-crise. Está tudo esclarecido"

"As primeiras medidas de desconfinamento há 15 dias não alteraram a tendência de controlar a evolução da pandemia", assegurou esta tarde o primeiro-ministro.

Falando no Palácio da Ajuda (Lisboa) após uma reunião do Conselho de Ministros (ler o comunicado AQUI), António Costa, rodeado de quadros com números, garantiu também que o desconfinamento não agravou o número de pessoas em internamento geral ou em unidades de cuidados intensivos, bem como os óbitos.

De acordo com o chefe do Governo, "manteve-se a tendência" para uma "curva claramente afastada da taxa de crescimento exponencial". A taxa de infeção (quantas pessoas são contagiadas por um doente com covid-19) está estável num valor de 0,97. Também está a "decrescer" a curva dos novos casos e se se registou um pico a meio da semana passada isso ficou a dever-se a um "foco muito preciso" na Azambuja (arredores de Lisboa).

Para exemplificar os seus argumentos, António Costa disse que a percentagem de pessoas infetadas pelo número total de testes efetuados passou de 5,6% (há duas semanas) para 4,3% (agora).

"Não há razão que nos leve a adiar medidas que tínhamos previstas para entrar em vigor na próxima segunda-feira."

No mesmo período de tempo, o número de doentes internados baixou de 968 para 673. Sendo que há duas semanas, 172 estavam em unidades de cuidados intensivos e atualmente são 112 (0,7% dos infetados detetados).

Ou seja: "Tal como tínhamos dito há 15 dias, perante esta evolução, não há razão que nos leve a adiar ou retroceder ou a adiar qualquer das medidas que tínhamos previstas para entrar em vigor na próxima segunda-feira. Pelo contrário, tal como há 15 dias, nós continuamos a ter um sistema robusto de capacidade de testagem. Somos neste momento na Europa o quarto país com o maior número de testes realizados por um milhão de habitantes", só atrás da Lituânia, o Chipre e a Dinamarca.

"Podemos confiar que é possível ir à lojas porque elas estão preparadas para nos receber em segurança, à restauração, à escola, podemos colocar as crianças nas creches porque elas estarão em segurança" e "há boas razões para estarmos confiantes".

Saiba as regras para estar na praia

Enfim, "assim vamos avançando" mas para isso "é preciso vencer este compreensível receio que temos". "Eu também tenho receio de ser contaminado", confessou.

O chefe do Governo anunciou vários calendários de reaberturas. Assegurando que, segundo a DGS, "nem a água do mar nem a das piscinas devidamente tratadas são veículos de transmissão da doença", revelou que as praias vão ser abertas dia 6 de junho. O conjunto das regras para as praias pode ser consultado AQUI.

"A estabilidade está restabelecida e tudo decorre normalmente"

Segundo acrescentou, "se houver abusos" (nas praias) estas serão interditadas, sendo que os militares se aplicarão sobretudo a controlar praias sem vigilância.

Quanto às restantes, "cada um de nós tem o dever cívico de se proteger e de proteger os outros". "A regra é clara, temos de estar a 1,5 metros uns dos outros. É assim que temos de estar na praia."

Entretanto, está a ser melhorada uma aplicação, Infopraia, para poder informar em tempo real a lotação de cada praia vigiada: luz verde para ocupação baixa (1/3); amarela para ocupação elevada (2/3) e vermelha para ocupação plena.

Centeno? "Nem crise, nem mini-crise, nem nano-crise"

Questionado sobre a crise que levou Mário Centeno a ameaçar demitir-se de ministro das Finanças, o chefe do Governo assegurou que "a estabilidade está restabelecida e tudo decorre normalmente". "Não há crise, está tudo ultrapassado", insiste. "É um não assunto", diria mais tarde. Ou ainda: "Não há crise política nem mini-crise nem nano-crise."

O chefe do Governo anunciou também várias reaberturas para 1 de junho. O teletrabalho deixará de ser uma regra - mas Costa pediu que este regresso à normalidade laboral seja "parcial", não regressando todos os trabalhadores ao mesmo tempo aos seus postos de trabalho. "Era muito importante que as empresas ensaiassem rotinas de trabalho alternado e de rotações semanais ou mensais", apelou.

O que também reabrirá nesse dia 1 de junho serão as creches, ATL's e jardins de infância, bem como os cinemas, teatros, centros comerciais e lojas do cidadão.

No último fim de semana de maio recomeçarão as missas abertas ao povo - com regras que a Conferência Episcopal já determinou.

O que reabre já segunda-feira

Já na próxima segunda-feira poderão abrir lojas de dimensão até 400 metros quadrados (ou maiores mas com a sua área útil limitada a 400 metros quadrados), bem como restaurantes, cafés e pastelarias e esplanadas com lotação a 50%.

A reabertura da restauração é, segundo o chefe do Governo, um "passo muito importante" mas para já "será feita com medidas restritivas, tendo em vista em assegurar o distanciamento físico dos clientes, normas de higienização e com uma lotação limitada a 50%." Dentro de duas semanas essas medidas poderão ser aliviadas, admitiu.

Segunda-feira também poderão abrir museus, monumentos e palácios. Os idosos internados em lares poderão também, esta segunda-feira, voltar a receber visitas (mas só uma pessoa por utente e cumprindo-se todas as regras de higienização).

"O dever geral de recolhimento mantém-se, embora agora com a prorrogação do estado de calamidade aliviamos um conjunto de restrições que existiam."

Apesar do alívio de algumas medidas, a situação de calamidade devido à pandemia foi prorrogada até ao final do mês, tendo o primeiro-ministro, António Costa, explicado que o dever geral de recolhimento se mantém, mas com o alívio de um conjunto de restrições.

"O dever geral de recolhimento mantém-se, embora agora com a prorrogação do estado de calamidade aliviamos um conjunto de restrições que existiam ou explicitamos que não existem restrições que as pessoas se convenceram que existiam apesar de nunca terem sido formalizadas."

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