CDS avança com nova comissão parlamentar de inquérito à CGD

Decisão foi anunciada depois de o Ministério Público informar "nada ter a opor" que a CGD disponibilize ao parlamento a auditoria feita pela EY à gestão do banco público.

O CDS-PP vai propor uma nova comissão parlamentar de inquérito à situação da Caixa Geral de Depósitos (CGD), disse hoje à Lusa o vice-presidente da bancada dos centristas João Almeida.

Esta decisão foi anunciada depois de o Ministério Público ter informado, hoje, "nada ter a opor" que a CGD disponibilize ao parlamento a auditoria feita pela EY à gestão do banco público.

Logo depois, o banco informou que vai enviar ao parlamento a auditoria feita pela EY, após a consultora "expurgar as questões de sigilo bancário", disse à Lusa fonte da CGD.

A posição do CDS Vem agora juntar-se à do PS, PSD e BE que admitem também uma nova comissão de inquérito, o que viabiliza a mudança.

Em declarações à Lusa, João Almeida, também porta-voz do CDS, disse que esta comissão "é uma segunda oportunidade" para PS, Bloco de Esquerda e PCP permitirem apurar as responsabilidades sobre a situação na Caixa.

Para o deputado centrista, "o facto de ter havido uma comissão de inquérito e haver uma auditoria que é exaustiva de apuramento de factos e práticas", e afastados que estão os "entraves do passado", dá oportunidade aos partidos de esquerda para se concluir quem tem responsabilidades.

O CDS-PP tem acusado os partidos de esquerda de, há cerca de dois anos, terem acabado com a comissão de inquérito antes de chegar àquela comissão a auditoria que agora vai ser enviada, que tinha uma decisão favorável do Ministério Público.

O objeto da nova comissão de inquérito, segundo os centristas, "é o mesmo da anterior", havendo agora "mais informações e facto novos" com a auditoria que agora será enviada à Assembleia da República.

Segundo João Almeida, trata-se de finalizar "o trabalho que há dois anos PCP, BE e PS não deixaram concluir" e os objetivos são os mesmos da anterior comissão.

É um inquérito "em defesa dos contribuintes no apuramento da verdade", de modo a existirem "consequências para quem causou tanto prejuízo aos contribuintes e para que este tipo de situações não volte a repetir-se", explicou.

Para João Almeida, "as necessidades de recapitalização da CGD" podem agora "ser mais profundamente apuradas e também as responsabilidades na concessão de crédito, nos processos que originaram as imparidades e que motivaram a recapitalização, e o esforço dos contribuintes".

O vice-presidente da bancada do CDS admitiu que "é indiscutível" que o tempo para fazer o inquérito parlamentar "é um constrangimento".

O facto de "já ter havido uma comissão de inquérito e haver uma auditoria, que é um trabalho exaustivo de apuramento de factos, de práticas e responsabilidades", poderá permitir concluir esse apuramento de responsabilidades antes de julho, antes do fim da sessão legislativa.

Na segunda-feira, o presidente do PSD revelou estar a "avaliar" a possibilidade de pedir uma comissão parlamentar de inquérito à Caixa Geral de Depósitos, notando que a esquerda cortou "abruptamente" a anterior "antes que doesse a alguém".

Rui Rio lembrou que a "última comissão" relativa à CGD "foi abruptamente cortada pelo PCP, BE e PS", pelo que é um "discurso um bocado hipócrita pedirem [uma avaliação] doa a quem doer", quando "encerraram a comissão antes que doesse a alguém".

Já hoje, o deputado do PS João Paulo Correia afirmou-se disponível para propor uma nova comissão parlamentar de inquérito, desde que seja possível começar e acabar a averiguação nesta legislatura.

Uma versão da auditoria da EY à CGD relativa ao período 2000-2015, com data de dezembro de 2017, refere que os administradores do banco público receberam "remuneração variável" e "voto de confiança", mesmo com resultados negativos.

A auditoria aponta "importantes insuficiências" organizacionais que poderão ter contribuído para decisões pouco fundamentadas na concessão de crédito e detetou sete operações de concessão de crédito com risco grave ou elevado e perdas, só nestas, de mais de 1.000 milhões de euros, entre as quais as operações de financiamento da fábrica da La Seda de Barcelona, em Sines.

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