Carlos Carreiras: "É tempo de combater nas ruas contra os extremismos"

Simbolicamente no dia 25 de novembro, o presidente da Câmara de Cascais lança um manifesto em que pede aos "moderados e reformistas" do país que se rebelem contra os "revolucionários e extremistas".

Na mítica data do 25 de novembro, em que se instaurou verdadeiramente a democracia em Portugal, o social-democrata Carlos Carreiras lança um apelo, em forma de manifesto, a que os "moderados e reformistas" arregacem as mangas e combatam os extremismos que tomaram de "assalto o poder". No texto que vai tornar público num encontro de concelhias do PSD em Cascais, cidade em que é autarca, cita dois "tiranos" das minorias, o PAN e o BE.

"É tempo de arregaçar as mangas. E combater. Combater nas ruas e nas universidades, nas associações e nas redes sociais. Combater a inevitabilidade de um país com donos da moral e dos costumes, monopolistas da bondade e dos valores da civilização", escreve no manifesto a que o DN teve acesso.

De viva voz diz-nos que o país está dividido em dois grandes blocos: o dos "radicais", de partidos de perfilham as ideologias marxistas, leninistas, trotskistas; e o dos que são sociais-democratas, liberais, democratas-cristãos. Estes últimos, diz Carlos Carreiras, "têm de combater o outro bloco que só se empenha em causas fraturantes e não estruturantes". E que, garante, "põem em causa os valores da sociedade portuguesa".

No manifesto escreveu: "Se os extremistas são sempre perigosos, extremistas com poder, por maioria de razão, sê-lo-ão muito mais." Dá exemplos da "tirania da minoria", materializada "em projetos como os do BE, do PAN ou do Podemos [em Espanha]". O PS, afirma, dividido entre os dois blocos tende a pender para o dos "extremismos" do PCP e do BE e a abandonar o socialismo democrático.

"Nunca o Estado esteve tão presente na vida das pessoas e nas empresas, atabafando-as", considera o autarca, que sublinha a degradação dos serviços públicos como o Serviço Nacional de Saúde e a escola pública para denunciar o que diz ser a deterioração dos pilares do Estado democrático. "Portugal tem de se libertar desta subordinação ideológica."

"É tempo de arregaçar as mangas. E combater. Combater nas ruas e nas universidades, nas associações e nas redes sociais. Combater a inevitabilidade de um país com donos da moral e dos costumes, monopolistas da bondade e dos valores da civilização."

Carlos Carreiras, que já defendeu que os partidos de centro-direita se devem entender, entre os quais o PSD, o CDS e a Aliança de Santana Lopes, diz estar consciente de que os tempos são outros que não os do 25 de novembro de 1975, mas pensa que esta atrofia desses tais "extremismos" é hoje "um fator de não desenvolvimento do país".

A quem o acusa de com estas posições de ter ambições no PSD, o autarca de Cascais garante ao DN: "Não tenho aspirações à liderança do partido, as minhas aspirações são as autárquicas."

O vice-presidente do PSD David Justino, ainda na sexta-feira, no programa da TSF Às Onze no Café de São Bento, o tinha acusado de ser um dos "mentores" das conspirações internas no partido. Carlos Carreiras lamenta essas palavras, até porque "tenho com o professor David Justino uma relação próxima e amistosa". Agradece, no entanto, que o esteja a "elevar a líder da oposição interna no partido que não quer ser".

E dá uma resposta dura ao vice-presidente de Rui Rio: "Sou social-democrata desde os tempos em que o Dr. David Justino era marxista-leninista, já que foi fundador do MES (Movimento de Esquerda Socialista)". E recorda ao antigo ministro da Educação que andou a apoiar candidatos autárquicos contra os do PSD, numa alusão ao facto de David Justino ter apoiado Isaltino Morais como independente em Oeiras na corrida às autárquicas de 2005. Isto numa altura em que o então líder do PSD, Marques Mendes, tinha rejeitado as candidaturas de Isaltino e de Valentim Loureiro em Gondomar, por ambos responderem na justiça por crimes alegadamente praticados no exercício de funções autárquicas.

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