"Avante é um festival. Nesta matéria deve seguir-se a ciência", diz líder do BE

Catarina Martins afirma não haver dúvidas que o Avante "é um festival, uma grande festa", mas deixa a decisão sobre a sua realização para a ciência. Numa entrevista à TSF, disse ser "preocupante " que Mário Centeno tenha autorizado o dinheiro para o Novo Banco.

Catarina Martins admite que o Avante é uma ação política mas não tem dúvidas que deve também ser considerado como um festival. "É uma ação política que tem um festival. Toda a gente reconhece o Avante como um festival, uma grande festa. E é uma ação política do PCP. É as duas coisas", afirmou a líder do BE aos microfones da TSF, numa entrevista em que criticou Mário Centeno e considerou preocupante que o ministro autorizasse a injeção de dinheiro no Novo Banco sem conhecimento de António Costa.

Sem tomar uma posição sobre a realização do evento do PCP, Catarina Martins disse que o importante é seguir as recomendações da ciência. "Tenho dificuldades em perceber quem já sabe hoje como será o primeiro fim de semana de setembro do ponto de vista da pandemia. Nestas matérias seguir a ciência é muito importante," afirmou durante a entrevista concedida esta segunda-feira à TSF.

No domingo, no Porto Canal, Jerónimo de Sousa disse que o Avante não é um festival, tendo admitido que o PCP ainda tem uma decisão definitiva sobre o evento agendado para o primeira fim de semana de setembro. O secretário-geral do PCP disse que o partido não tem uma "posição fechada" sobre a sua realização, afirmando que "os comunistas portugueses são muito criativos".

Decisão de Centeno é "preocupante"

Na entrevista, a coordenadora do BE criticou novamente os 850 milhões de euros concedidos pelo Estado ao Novo Banco, considerando "preocupante" que o ministro Mário Centeno não tenha informado o primeiro-ministro, como António Costa admitiu no debate parlamentar da semana passada.

"Não podemos ter injeções que ninguém sabe como aconteceram, nem mesmo o primeiro-ministro" apontou Catarina Martins, anunciando que o Bloco vai insistir, no Parlamento, com uma proposta em que "qualquer injeção no Novo Banco" passe a precisar de uma autorização dos deputados.

"A exigência é que seja o Parlamento a debater e a aprovar ou não qualquer injeção no fundo de Resolução", disse. "É preocupante que o ministro das Finanças faça uma coisa dessas sem o primeiro-ministro saber e mais preocupante é que o Estado faça injeções no Novo Banco sem saber o que lá se passa", criticou.

O PSD chumbou no passado uma proposta bloquista neste sentido e fez uma outra em que estipulava que teriam de passar pela Parlamento as injeções superiores a 850 milhões de euros. Ora é esse o valor agora em causa e, por isso, Catarina Martins desafia Rui Rio a apoiar a nova proposta do BE. "Agora vejo como o PSD está chocado, mas tem oportunidade de rever a sua posição", disse.

Sobre um orçamento suplementar Catarina Martins assegura que o BE está disponível para o aprovar, caso reúna as condições. "Não será por falta de disponibilidade do BE que o PS procurará a direita para obter a maioria de que necessita."

"Portugal não pode ficar sem a TAP"

A líder do partido de esquerda disse também que o Estado deve apoiar os trabalhadores informais, já que isso permite fazer um retrato mais real do país, revelando que o BE irá fazer mais propostas neste sentido de haver apoios para os trabalhadores que não faziam descontos. Ouvindo essas pessoas, disse, é possível saber onde existe trabalho não declarado. "Quando esses dados chegassem, a ACT ficava com um retrato do que é o trabalho informal do país e podíamos começar a fazer o maior programa de sempre de erradicação do trabalho informal, porque a ACT passava a saber onde existe e podia combatê-lo onde tem de ser combatido", afirmou.

Catarina Martins criticou o governo por não estar a saber dar as respostas adequadas aos efeitos estruturais da crise e no travão aos despedimentos. "Estamos a deixar muita gente sem emprego. O que poupamos em apoios às empresas para as obrigar a manter os postos de trabalho, estamos a gastar com subsídios de desemprego e com o facto de estes trabalhadores não terem descontos para Segurança Social."

Sobre a TAP, a dirigente do BE disse que há "sinais contraditórios" pelo Governo. "Portugal não pode ficar sem a TAP", realçou, mas com a garantia de que se "é o Estado a pagar, deve ser o Estado a mandar".

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