Armando Vara diz que está pronto para se apresentar e cumprir pena

O ex-ministro, condenado no processo Face Oculta a cinco anos de prisão efetiva por crimes de tráfico de influência, disse ao Observador que não vai recorrer da decisão do Tribunal Constitucional que indeferiu mais um dos seus recursos.

"Meus senhores, não vou meter recurso, aguardo que me indiquem onde me devo apresentar." A frase é de Armando Vara ao jornal Observador e depois de ter perdido o último recurso que apresentou, no Tribunal Constitucional (TC), no processo Face Oculta. O ex-ministro referiu mesmo estar pronto para cumprir a pena.

Vara disse já não acreditar que possa fazer alguma coisa para mudar a decisão da justiça que o condenou a cinco anos de prisão efetiva por três crimes de tráfico de influência, em 2014.

Ainda segundo o Observador, o advogado Tiago Rodrigues Basto tinha admitido a possibilidade de alegar nulidades na decisão do Tribunal Constitucional, o que poderia levar a um adiamento da entrada de Armando Vara na prisão, mas o seu cliente não parece convencido de que esse seja um bom caminho.

"A partir do momento em que a decisão é tomada, a única coisa a fazer nesta fase é acatar, não haver nenhum tipo de tentativa de adiar", disse Armando Vara ao Observador, argumentando: "Sempre que meti recursos acreditava mesmo que era possível obter vencimento neles. Nunca foi para tentar adiar o que quer que fosse."

Nesta fase, já não acredita que seja possível o Tribunal Constitucional mudar de opinião e admite que em breve escreverá "uma carta ao processo a dizer: "Meus senhores, não vou meter recurso, aguardo que me indiquem onde me devo apresentar."

Ao Observador confessou que nunca se tinha imaginado a escrever uma coisa dessas - ou a aceitar essa inevitabilidade -, mas, agora, "é como é". "Eu ando a cumprir pena há anos. A minha vida nunca mais foi a mesma depois deste processo. Mas eu ganhei força nisto porque eu nunca fiz nada do que fui acusado", referiu.

O Tribunal de Aveiro deu como provado que Armando Vara recebeu 25 mil euros do sucateiro Manuel Godinho, como pagamento por ter intercedido ou vir a interceder pelas empresas do principal arguido em vários negócios. O ex-ministro e ex-vice-presidente do BCP sempre negou tais acusações.

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