Stalking. Quando o amor dos fãs se transforma em loucura

George Clooney pediu uma ordem de restrição contra um homem que o perseguia. Nos próximos cinco anos, o fã não se poderá aproximar do ator. É mais um caso de stalking

Se Mark Bibbee estiver a menos de 91 metros de George Clooney e/ou da mulher, Amal, está a incorrer num crime. Não pode entrar em contacto com o ator norte-americano nem com a advogada britânica, por qualquer via, nos próximos cinco anos, evitando assim 12 meses de prisão e uma multa de aproximadamente 900 euros. Este foi o resultado da ordem de restrição obtida pela estrela de Hollywood contra o perseguidor. A Bibbee, de 55 anos, foi-lhe ainda diagnosticado transtorno bipolar e esquizofrenia. Está internado numa clínica psiquiátrica depois de ter enviado a Clooney 189 páginas recheadas de ameaças e pensamentos perturbadores.

Este caso é o mais recente entre dezenas de outros que opõem figuras públicas àqueles que se dizem - ou que começam por ser - seus fãs. Em Hollywood, pela dimensão da sua indústria e pelo impacto que esta tem a nível mundial, o stalking (assédio persistente) torna-se mais frequente do que em qualquer outro local. Aliás, foi esta prática que originou a série Stalker, protagonizada por Dylan McDermott e transmitida pela CBS em 2014.

[citcao:Alguns stalkers acreditam ser casados com as figuras públicas]

Entre as vítimas mais conhecidas encontram-se Taylor Swift, Britney Spears, Madonna, Björk, Justin Bieber, Beyoncé, Miley Cyrus, Joss Stone, Celine Dion, Justin Timberlake, Jennifer Lopez, Catherine Zeta--Jones, Alex Baldwin, Mel Gibson, Gwyneth Paltrow, Conan O"Brien ou David Letterman, se quisermos mencionar apenas alguns nomes.

Veja-se o caso de Bieber, que em 2012, então com 18 anos, viu a sua vida ameaçada por Dana Martin, que mesmo estando detida numa prisão no Novo México pela morte de uma rapariga de 15 anos conseguiu planear (juntamente com um colega de prisão e um primo deste) a castração e a morte do cantor canadiano. Foram apanhados antes de levarem o crime avante. Ou de Miley Cyrus, que em 2013 viu a sua casa em Los Angeles ser invadida por um homem que se dizia seu marido. A cantora conseguiu, depois da detenção do invasor, uma ordem de restrição de três anos. E ainda o perseguidor de Madonna, que na década de 1990 andou atrás da cantora por toda a Califórnia. Robert D. Hoskins ameaçou cortar-lhe a garganta "de orelha a orelha" e, depois de várias tentativas para entrar em casa da rainha da pop, acabou num hospital psiquiátrico. Em 2012, Hoskins conseguiu escapar. Foi encontrado uma semana mais tarde.

Entre os mais perigosos existem, claro, os stalkers "inocentes": os que não ameaçam mas moem. Um deles foi o de Beyoncé: o inglês Bassey Essien acreditava piamente que a verdadeira artista tinha sido assassinada e que, em sua casa, morava uma impostora. Essien enviava-lhe cartas, em que afirmava estar a par de "toda a verdade". Desde 2011 que não se pode aproximar da texana.

"Muitos são doentes mentais"

Lorraine Sheridan, psicólogo forense, explica que "dos mais típicos perseguidores de celebridades são os que acreditam genuinamente que têm algum tipo de relação com elas". "Alguns acreditam que são casados com as figuras públicas em questão, com quem, imaginam, podem enviar códigos através do televisor", explicou.

A dificuldade em travar as suas ações prende-se precisamente com a ligação que acreditam ter. "Olham para tudo aquilo que está entre eles e as celebridades - de seguranças privados a audiências em tribunal - como apenas mais um obstáculo a ser superado", prosseguiu Lorraine Sheridan ao jornal Daily Express. Já Keith Ashcroft vaticina que "muitas destas pessoas sofrem de doenças mentais".

E, de vez em quando, há stalkers bem- sucedidos, como Gert van der Graaf, que conseguiu manter uma relação íntima, entre 1997 e 1999, com Agnetha Faltskog, dos Abba. A cantora só descobriu que Der Graaf tinha uma obsessão por si quando se separaram: afinal, ele tinha-se despedido de um trabalho para ir viver junto da artista em Estocolmo. Conseguiu morar com ela.

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