Pais modernos partilham experiências em novo livro

"Nós, os Pais" inclui testemunhos de Paulo Baldaia, diretor do DN, António Raminhos, Jorge Gabriel, Pedro Boucherie Mendes, Henrique Raposo e Alexandre Homem Cristo

Os pais mudaram. E muito. Agora, vemo-los a mudar fraldas, a sussurrar canções de embalar, a dar banhos, a carregar compras do supermercado, a ir ao pediatra, a escolher roupas, penteados, ou a preparar papas.

Como é ser um novo pai, autónomo e interventivo, quando o papel de mãe se manteve intacto? É o que o livro Nós, os Pais, apresentado ontem ao final da tarde, em Lisboa, se propõe explorar, com base nos testemunhos de Paulo Baldaia, diretor do Diário de Notícias, António Raminhos, Jorge Gabriel, Pedro Boucherie Mendes, Henrique Raposo e Alexandre Homem Cristo.

"Fui pai muito tarde, aos 45 anos, e felizmente tive muita adrenalina para conseguir não dormir e trabalhar ao mesmo tempo", começou por partilhar Paulo Baldaia, pai das gémeas Joana e Camila, de 7 anos, com Mariana Adam. "Ela é uma ditadora, como todas as mães. Eu faço muita coisa lá em casa, cozinho e ponho a loiça na máquina, mas eu não teria a capacidade que tem a Mariana de garantir que vai tudo correr bem com elas. Por isso, ser pai, para mim, é uma experiência fantástica e muito fácil", confessa o responsável de 52 anos.

A obra foi apresentada pelo jornalista e escritor João Miguel Tavares, ele próprio pai de quatro filhos: Carolina, de 12 anos, Tomás, de dez, Guilherme, de oito, e Rita, de quatro. "O mundo mudou, de facto. O papel do homem doméstico começa agora a ser pensado e é muito importante ouvir estes seis homens, quase todos figuras públicas, a falar de coisas simples que mostram que ser pai é duro", frisa. "Mas é engraçado notar que, em todos os textos, aparece uma mulher em posição superior. Eles falam mais das mulheres do que dos filhos!", atirou, arrancando risos à plateia.

António Raminhos é, talvez, um dos mais populares progenitores da sociedade portuguesa. Tudo graças à série do Youtube As Marias, que mostra as suas duas filhas mais velhas - Maria Rita, de 5 anos, e Maria Inês, de 3 - em momentos de lazer (no mínimo, insólitos) com o pai. "Eu só tenho raparigas, estou a pagar pelos meus pecados. Eu quando vou para casa até digo que vou para Guantánamo, porque a tortura acaba por ser a mesma", começou por brincar o humorista, que foi pai de uma terceira menina, Maria Leonor, há pouco mais de três meses.

"Agora mais a sério, ser pai é, ao mesmo tempo, a melhor e a pior coisa do mundo. A melhor porque recebemos um tipo de amor que nem dá para quantificar, e a pior porque vivemos intensamente as doenças, os problemas que podem haver, a primeira vez que saem com os amigos... Mas mil vezes eu vivesse, mil vezes eu passava por isto tudo", reconheceu.

Histórias insólitas também não faltam no currículo de Jorge Gabriel, pai de Pedro, de 4 semanas, Mariana, de 16 anos, e Madalena, de 13, com a sua mulher Filipa Gameiro. "Este livro mostra que nós, os homens deste milénio, somos um avanço incrível da natureza. Estamos a transformar-nos diariamente. Já não somos os mariquinhas pés-de-salsa que gostam de estar com as crianças a brincar. Hoje, assumimos mais responsabilidades e temos a possibilidade de cometer erros, que é algo que os nossos pais não fizeram", alertou o apresentador da RTP, que é também pai de Duarte, de 23 anos, fruto de um relacionamento anterior.

Mais parco em palavras, Pedro Boucherie Mendes, pai de Simão, de 16 anos, e de Xavier, de 13, limitou-se a dizer que "ter filhos é a melhor coisa do mundo". Nas páginas do livro deixou, no entanto, um alerta: "Como ser o melhor pai do mundo? Evitar estar com os filhos", escreveu o diretor dos canais temáticos da SIC.

A obra, com prefácio de Margarida Lobo Antunes, contém ainda os contributos do escritor Henrique Raposo, pai de duas raparigas de 4 e 1 anos, e do jornalista Alexandre Homem Cristo, pai de uma menina, Alice, de 7 meses.

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