"Bolas-de-berlim só as da Merkel, não há fuga possível"

Herman Kripahl José nasceu em Lisboa a 19 de março de 1954. Filho de pai alemão e espanhol e de mãe portuguesa, Herman José é por muitos considerado como o "pai" do humor em Portugal. Aos quatro anos já protagonizava os filmes do pai, cineasta amador. Aos cinco entrou para o Kindergarten (jardim-infantil), da (Escola Alemã de Lisboa). Era aluno mediano, mas brilhante nas áreas artísticas. À medida que foi tendo os primeiros contactos com o teatro e a música, o seu futuro foi desenhando-se e estreia-se como ator em outubro de 1974, no Teatro ABC.

O que é que te irrita nos inquéritos de verão e saltamos já essa parte?

O que me irrita são as melgas. Aos inquéritos de verão só responde quem quer.

O que é que nunca te perguntaram num inquérito de verão e começamos por aí?

Até que verão está a pensar viver? Resposta: Agosto de 2058.

No livro de Italo Calvino, o Sr. Palomar olhava um seio nu na praia com imparcial objetividade. E tu, de zero a dez, qual é o teu descaramento?

Tenho uma componente de voyeur que se está a esbater com o tempo. Hoje em dia, entre um lavagante e uma garrafa de Ruinart Blancs des Blancs gelada e um bom par de mamilos, mon coeur balance...

Toda a gente pergunta que livro levaria para as férias, eu pergunto que livro escreverias nas férias?

Um best-seller com o título: "Lista dos insuspeitos poderosos que deviam estar presos há muito com penas nunca inferiores a vinte anos."

Com tantas más notícias sobre aviões quero saber: ficas cá ou és corajoso?

Até final de setembro tenho cinco compromissos profissionais que dependem de viagens aéreas. Poderia ir de barco, mas acabaria por morrer de tédio. Entre as duas mortes, escolho a mais rápida.

Um papparazzo fotografa-te nu numa praia, preferes aparecer na capa de frente ou de costas?

Se fosse na Alemanha, escolheria de frente para acabar o ano com três ou quatro milhões de indemnização na conta. Em Portugal, a sentença seria lida no dia do meu 77.º aniversário e acabaria por me condenar ao pagamento de uma multa à publicação por "exposição indecente involuntária".

Passa gente bonita na praia, olhas descaradamente ou vais buscar os óculos de sol para poder ver sem virar o pescoço?

Em Portugal como imaginam, não posso olhar para lado algum. A minha popularidade está felizmente mais acesa do que nunca. No estrangeiro olho à vontade para onde me apetece, e ninguém tem nada com isso.

Mário Henrique Leiria escreveu: Uma nêspera estava deitada na cama. Muito calada a ver o que acontecia. Chegou a Velha e disse: olha uma nêspera! E zás, comeu-a. A nêspera teve o que merecia?

Respondo com outra pergunta: "Estava um artista posto em descanso. Chegou o autor de um inquérito de verão e resolve citar o génio surrealista Mário Henrique Leiria para tentar cobrir um objeto ultraleve com o manto diáfano do piscar de olhos cultural. Chegou o Mário Cesariny e disse: "E se fosses brincar com a passarinha da tua namorada ?" O autor do inquérito teve o que merecia?

(Claro que teve! Mas como diria o próprio Cesariny:... afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo à saída da pastelaria, e lá fora - ah, lá fora! - rir de tudo.)

Vais a uma praia mas está cheia de concorrentes da Casa dos Segredos, mudas de praia ou ficas para ver se estão domesticados?

Para mim, o público tem todo os mesmos direitos. Trato-o sempre com elevação independentemente dos acidentes em que se envolvem: dos concorrentes da Casa dos Segredos à família Espírito Santo, (onde tenho muitos e bons amigos).

De zero a dez quanto é que te encolhe a barriga na praia?

Estou neste momento a fazer uma dieta rigorosa, na esperança de nos últimos dias de setembro não ter de pensar sequer nessa tremenda fatalidade.

Bola-de-berlim com creme e que se lixe a ASAE, ou com creme e que se lixe a linha?

Nesta fase só saladas, grelhados e fruta. Bolas-de-berlim só mesmo as da Merkel, das quais não há fuga possível.

A família do chapéu ao lado do teu não se cala com as histórias da novela da noite. Ficas a ouvir ou mudas de país?

Tenho uns belíssimos auscultadores wireless ligados ao iPhone que na praia anulam qualquer conversa com Elektro Deluxe e Snarky Puppies.

Atendes o telefone na praia e toda a gente fica a saber da tua vida ou consegues falar num tom normal?

Na praia só sms.

Costumas levar revistas cor-de-rosa para a praia ou escolhes outra cor?

Não tenho o hábito de ler imprensa estrangeira, prefiro a nacional. Ou seja, revistas para mim, só mesmo as cinzentas.

Vamos a contas, de zero a BES quanto costumas exagerar nos gastos das férias?

Tenho hoje em dia muitos espetáculos de verão, o que quer dizer que esta época não é de despesismo. Lá mais para o Natal conto fazer uma semana passível de fazer corar qualquer Miguel Pais do Amaral.

Nas férias preferias confiar as tuas poupanças a um bancário ou a um banqueiro?

A minha carga de encargos faz que a palavra "poupança" não faça parte do meu léxico há muitos anos.

O teu dinheiro está melhor offshore ou onshore?

Terás de me perguntar daqui a dez anos...

É barrado à porta da discoteca. Chama o gerente ou soltas o clássico: você sabe quem eu sou?

Só vou às discotecas em trabalho, o que quer dizer que chego ao sound check sempre antes dos seguranças.

É dos que quer estacionar o carro dentro da praia ou aceita bem o facto de ter chegado tarde e ter de estacionar lá atrás como os outros.

Eu chego sempre às praias por mar...

Se visse os seus iates agora o que é que lhes dizia?

Ainda há semana vi um dos meus cinco Spettacolo em Palma de Maiorca. Lembro-me de ter pensado: "Coitado, este é dos que ainda não descobriram que sai infinitamente mais barato alugar um nas férias..."

O Herman liga para um restaurante e diz que fala Herman José. O que é que respondem do outro lado?

Acreditam sempre. Possivelmente porque dos poucos profissionais que são levados a sério em Portugal são os humoristas! (risos)

Quanto é que gasta um Rolls Royce aos 100?

Hoje em dia, com o que se paga de seguro e manutenção, o carro até podia andar a Chanel n.º 5 que ninguém daria por isso !

Que férias já fez mas nunca mais irá fazer?

Em agosto de 2006 dividi-me entre Vilamoura e o hospital para dar assistência a uma pessoa de família que adoeceu gravemente. Eis umas férias que não me deixaram saudades.

Se houvesse um programa chamado: "Herman na praia", seria com ou sem bolinha?

Terão de perguntar à própria se estaria disponível. Ao que sei, a Anabola vai fazer uma peça de teatro.

Quanto é que as tardes da RTP vão ser na escala de zero a Herman?

A entrega será total. Espero manter a escala de agrado que conquistei em quase quatro anos de memoráveis talk shows nas noites de sábado na RTP1.

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