A nova Miss Japão tem sangue indiano e treina elefantes

Priyanka Yoshikawa foi coroada Miss Japão na segunda-feira, tornando-se a segunda vencedora birracial consecutiva. Filha de mãe japonesa e pai indiano, a jovem de 22 anos é treinadora de elefantes e sonha em "mudar perceções"

Pelo segundo ano consecutivo, a vencedora do concurso de beleza Miss Japão apresenta dupla herança racial. Priyanka Yoshikawa, de 22 anos, foi coroada na noite de segunda-feira e, este ano, será a representante do país asiático no evento Miss Mundo.

Filha de mãe japonesa e pai indiano, a jovem nascida em Tóquio passou parte da infância na Índia e nos EUA. Recusou, no entanto, aceitar as críticas - apontadas sobretudo nas redes sociais - à sua birracialidade. "Sim, sou meio indiana e as pessoas estão a questionar a minha pureza. Sim, o meu pai é indiano e tenho orgulho nisso. Quando era criança, senti-me confusa acerca da minha identidade, mas vivo no Japão há muito tempo e sinto-me japonesa", garantiu.

No seu discurso de vitória, a modelo de 1,76 metros que, até agora, se apresentava apenas como treinadora de elefantes, elogiou a sua antecessora, Ariana Miyamoto, pela inspiração e confiança que esta lhe depositou. Miyamoto, filha de mãe japonesa e pai afro-americano, foi também ela vítima de comentários racistas nas redes sociais. "Antes da Ariana, as raparigas haafu [que têm um progenitor não-japonês] não podiam representar o Japão. Eu própria pensava isso. Não duvidava nem questionava. Até agora. A Ariana encorajou-me muito ao mostrar-me a mim, e a todas as raparigas mestiças, o caminho certo", explicou, à agência AFP (Agence France Presse).

Praticante de kickboxing, um dos seus hobbies de eleição, Priyanka quer usar este seu triunfo para promover maior inclusividade no Japão - de acordo com as estatísticas mais recentes do governo desse país, crianças haafu correspondem a 2% das que nasceram em 2012.

"Quando vim para o Japão, toda a gente pensava que eu era um germe. Como se ao tocarem-me, estivessem a tocar em algo mau. Mas estou grata por isso, porque tornou-me forte. Enquanto Miss Japão, espero poder ajudar a mudar perceções. O número de pessoas de raça mista apenas vai aumentar, por isso as pessoas têm de aceitar esse facto", defendeu.

Embora as reações à sua vitória não tenham sido tão ferozes quanto as que se verificaram no ano de Miyamoto, alguns utilizadores das redes sociais fizeram questão de criticar a sua falta de pureza. "Qual é o objetivo de segurar um título como este? Com zero características nacionais?", apontou um internauta. Outro, queixou-se ainda: "É como se estivéssemos a dizer que alguém com um rosto japonês puro não pode vencer."

Priyanka Yoshikawa, que já recebeu felicitações da embaixada indiana em Tóquio, será a representante do Japão no concurso Miss Mundo, que se realiza em dezembro em Washington, nos Estados Unidos.

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