Donos do histórico café Ribamar pedem 8,1 milhões à Câmara de Oeiras

Tribunal Administrativo de Lisboa começa julgamento de pedido de indemnização reclamado pelos donos do café de Algés. Processo arrasta-se há 25 anos

O início do julgamento, com vista à fixação do valor da indemnização a pagar pela Câmara Municipal de Oeiras aos donos do antigo café Ribamar, está agendado para as 10.00 desta segunda-feira no Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa (TACL), no Campus da Justiça, no Parque das Nações, em Lisboa.

No despacho judicial, a que a agência Lusa teve acesso, o TACL admitiu o depoimento do presidente do município, requerido pela defesa da Sociedade Pavilhões de Algés (SPA), que explorava o café Ribamar, tendo a juíza Maria Carolina Duarte ordenado a notificação, "pessoalmente", de Isaltino Morais, atual presidente da câmara, para comparecer na sessão desta segunda-feira.

O contrato de concessão do espaço municipal à SPA, de Horácio Augusto Sobreira e da mulher, hoje com 88 e 83 anos, respetivamente, chegou ao fim em 1992, mas o mesmo previa o direito de opção sobre a nova proposta que ganhasse o concurso em hasta pública. Contudo, esse direito foi-lhes negado nesse ano, o espaço foi concessionado pelo município de Oeiras a outra empresa e o caso seguiu para os tribunais, onde se arrasta desde então.

Isaltino Morais era, à data (1991/1992), o presidente da Câmara Municipal de Oeiras.

O emblemático estabelecimento, instalado num pavilhão com três pisos, nos quais funcionavam um café, um restaurante e um salão de jogos, situava-se no Jardim de Algés, junto à Marginal, e foi explorado desde a década de 40 pela Sociedade Pavilhões de Algés (SPA).

Em novembro de 2002, o Supremo Tribunal Administrativo condenou a Câmara Municipal de Oeiras "a reconhecer o direito de opção invocado pela recorrente (a SPA) sobre a proposta apresentada" pela nova concessionária.

Antes e depois de 2002, o processo passou por vários tribunais, com avanços e recuos, com diferentes decisões e com recursos, até que chega agora ao Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa, na sequência de um acórdão do Tribunal Central Administrativo Sul, o qual decidiu que as partes cheguem a um acordo quanto à indemnização a que a SPA "tem direito".

O requerimento de liquidação apresentado pela defesa da Sociedade Pavilhões de Algés, a que a Lusa teve acesso, sublinha que a Câmara de Oeiras "impediu a sociedade de explorar o estabelecimento desde 11/11/1992 em diante até 18/11/2012 e até hoje".

O documento acrescenta que "o rendimento líquido médio anual do pavilhão era de 400.000 euros, o que, multiplicando por 20, dá oito milhões de euros".

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