Testes "de prevenção" em lares arrancaram em Lisboa e no Algarve

Os testes de "prevenção" do covid-19 arrancaram em Lisboa e no Algarve, o que se deve à intervenção do Instituto de Medicina Molecular e da Universidade do Algarve, que se comprometeram a realizar 16 mil testes. Há mais 12 instituições de ensino a prepararem-se para se alargar a colheita de amostras a todo o país.

Os testes ao covid-19 em lares de idosos, lançados esta semana, restringiram-se às regiões de Lisboa e do Algarve, o que tem a ver com a capacidade de resposta das instituições académicas, explicou ao DN a ministra do Trabalho, Segurança Social e Solidariedade (MTSSS).

Os testes foram desenvolvidos pelo Instituto de Medicina Molecular (IMM) que se propôs realizar 10 mil unidades nas instalações de Lisboa e serão, também, produzidos pelas unidades de investigação que se juntem ao programa, de forma a criar uma rede nacional. A Universidade do Algarve arrancou ao mesmo tempo que o IMM e comprometeu-se a fazer 6 mil testes. Segue-se a Universidade de Aveiro, na próxima semana.

"Pretendemos avançar com o programa ao memo tempo em todo o país, aumentando a capacidade de resposta à medida que a academia esteja preparada para a realização desses testes, sempre numa perspetiva preventiva. O objetivo é identificar e isolar as situações de casos positivos. O programa resulta de uma parceria com as universidades e laboratórios, começámos com o IMM e, neste momento, temos 14 universidades e politécnicos", disse Ana Mendes Godinho. Sublinhou que se trata de uma medida de prevenção e que decorre em paralelo com a colheita de amostras nos lares em que são detetados casos de covid-19.

Nos testes de prevenção, as prioridades são os profissionais dos lares e os utentes que apresentem sintomas da doença. Já nas residências para idosos em que se regista a infeção com o SARS-Cov-2, é feita colheita de amostras a funcionários e residentes e o número de infetados não para de aumentar.

As escolha dos lares onde intervir é definida com os responsáveis do Ministério da Saúde: nos estabelecimentos de maior dimensão e nos que estão localizados em zonas do país onde há uma maior infeção da comunidade, onde há um maior risco dos funcionários serem portadores do vírus. Por sua vez, os lares visitados comprometem-se a realizar as medidas necessárias para evitar a propagação do SAS-Cov-2: equipas distintas e que não se cruzam, separação de circuitos, utilização de proteção individual, espaços de isolamento, etc.

Ana Mendes Godinho esclareceu que o Porto não está incluído nesta parceria por já existir um protocolo entre a Câmara Municipal do Porto e o Hospital de São João para a realização de testes nas residências para idosos. Nos estabelecimentos que têm enfermeiros são estes profissionais a fazer a zaragatoa para colher a amostra, nos outros, são visitados por organizações de saúde.

Universidades, politécnicos e laboratórios

O programa tem a parceria dos ministérios da Segurança Social e da Ciência, sendo que o governo pretende alargar a redes de unidades de investigação para uma maior cobertura do país, nomeadamente às regiões da Madeira e dos Açores. Além das universidades Nova de Lisboa, Algarve e Aveiro, participam no projeto as universidades de Trás-os-Montes e Alto Douro (Vila Real), de Aveiro, de Évora e Coimbra; os institutos Superiores de Agronomia e o Técnico (Lisboa), a Faculdade de Farmácia (Lisboa) e os politécnicos de Bragança, Castelo Branco e Viana do Castelo.

"Tem sido muito interessante esta partilha e mobilização da academia, que está a partilhar conhecimento para que o número de testes seja alargado. Além das universidades e politécnicos, estão envolvidos laboratórios para que as análises das amostras sejam feitas nas zonas onde estão os lares, possibilitando uma maior rapidez na obtenção de resultados", salientou a ministra.

Não tem os números desta primeira semana, garantindo mas foram visitados lares em Lisboa, no Porto e no Algarve. E que o objetivo é ir a todos os lares, cerca de 3 mil, num total de 100 mil utentes.

Em Lisboa é uma unidade móvel da Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) que se desloca aos locais. Gonçalo Órfão, coordenador Nacional de Emergência da organização, disse ao DN que a equipa de Lisboa visitou o primeiro lar na terça-feira ao fim do dia, a residência sénior da Associação do Hospital Civil e Misericórdia de Alhandra, na quinta-feira, o Lar Militar em Lisboa, e um terceiro esta sexta-feira. Colhem uma média de 40 amostras em cada lar.

"A nossa equipa de Lisboa desloca-se com a unidade móvel "triagem smart" às unidades indicadas pela Segurança Social, que nos pediram apoio para este programa", informou Gonçalo Órfão. A "triagem smart" significa que são realizados dois tipos de teste: à presença de uma infeção e ao SARS-Cov-2 para que, no futuro, seja estudada a relação entre a a dimensão da infeção e a possibilidade da pessoa contrair uma doença, nomeadamente o covid-19. Para já, a amostra é sinalizada com as cores, verde, amarelo e vermelho, de forma a que sejam analisadas mais rapidamente as das pessoas quem tem uma infeção grave.

"Uma das coisas que estamos a perceber é em que situação é obrigatória a análise ao covid-19 e que pode ajudar a reduzir o número de zaragatoas. No fundo, estamos a testar os parâmetros inflamatórios para conseguir avaliar o risco de uma pessoa ter uma doença, incluindo o covid-19", explica o médico.

A Cruz Vermelha tem uma unidade "triagem smart" no seu hospital junto a Sete-Rios, em Lisboa, a realizar os testes gratuitamente a quem for referenciado pelo Serviço Nacional de Saúde, às forças policiais e aos agentes de proteção civil, no âmbito do projeto "Eu ajudo quem ajuda". Quem pretender realizar os dois testes a nível individual, inscreve-se numa aplicação da CVP e paga 100 euros.

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