Segurança Social em "visita técnica" à IPSS que deixou criança esquecida numa carrinha

Os técnicos da Segurança Social de Leiria estão no Centro Paroquial de Assistência da freguesia do Juncal (Porto de Mós), numa visita que pretende apurar as condições de funcionamento daquela IPSS, que na semana passada deixou uma criança de dois anos esquecida numa carrinha das 9 da manhã às 5 da tarde

A Segurança Social está desde esta manhã nas instalações do Centro Paroquial de Assistência do Juncal (Porto de Mós), numa visita técnica, para apurar as condições de funcionamento daquela IPSS, que na sexta-feira passada deixou uma criança esquecida dentro de uma carrinha, durante mais de oito horas (entre as 9 da manhã e as cinco da tarde).

"É uma situação grave. Têm de ser apuradas responsabilidades", disse esta manhã ao DN o presidente da Câmara Municipal de Porto de Mós, Jorge Vala, sublinhando que a instituição em causa "é parceira do Município, e nunca houve qualquer problema até hoje". Entretanto, o autarca acrescenta que não deixará de acompanhar o processo, entretanto comunicado ao Ministério Público.

A direção do Centro, presidida pelo padre António Cardoso, acabou por emitir um comunicado, no domingo, na sequência da reportagem da SIC sobre o assunto. Um documento de duas páginas relata a versão dos factos pela instituição, dando conta da deliberação da direção: "Proceder à realização de diligências internas a fim do apuramento dos factos e dos responsáveis pelo ocorrido, tendo em vista a sua responsabilização em sede disciplinar."

No comunicado, a direção do CPAJ dá ainda conta de que decidiu "disponibilizar-se para prestar ajuda financeira à família, tem do em vista o acompanhamento médico e psíquico da criança e da mãe da mesma". De resto, a própria instituição anuncia ter participado o ocorrido aos serviços do Ministério Público, "para os fins tidos como convenientes".

A pequena Sofia, de dois anos, foi deixada na carrinha durante oito horas há uma semana, na segunda-feira, 17 de fevereiro. Todos os dias, Sofia e os irmãos mais velhos eram transportados pela carrinha de transporte escolar do Centro Paroquial de Assistência do Juncal, ela para a creche, os irmãos para a escola primária. Naquele dia, a rotina repetiu-se. Com uma diferença grave, de que a mãe, Lina Pereira, só viria a ter conhecimento à noite, por responsáveis da instituição, que se dirigiram a sua casa para dar conta do que tinha acontecido: a sua filha tinha ficado fechada na carrinha escolar, à porta da creche, das nove da manhã às cinco da tarde, sem comer nem beber, presa na cadeirinha de transporte, com o cinto de segurança, como a mãe contou à SIC.

O motorista que levou Sofia a casa e a entregou à avó, cerca das 17.45, nada disse. A educadora não deu pela falta da criança nem procurou saber se alguma coisa tinha acontecido. Tudo falhou naquele dia e a mãe, que diz ter inicialmente ficado incrédula e em estado de choque, neste momento sente-se revoltada e acusa a instituição de negligência, tendo retirado Sofia da creche, cancelado o transporte escolar dos filhos mais velhos e apresentado queixa na GNR de Porto de Mós, que confirmou ao DN ter o registo da ocorrência, mas se escusou a avançar pelo telefone quais as diligências que serão feitas na sequência da queixa apresentada.

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