Residentes nas zonas em estado de calamidade utilizam mais os transportes públicos

Proporção de deslocações dos residentes nestes territórios para fora do município de origem através dos transportes públicos é de 14,0%, mais do dobro do observado no restante território da AML (6,7%)

A percentagem de habitantes nas freguesias em estado de calamidade que utilizam os transportes públicos para se deslocar para fora do concelho de origem é o dobro da verificada na restante Área Metropolitana de Lisboa, informou esta sexta-feira o INE.

Num relatório divulgado esta sexta-feira, o Instituto Nacional de Estatística (INE) realça que os dados de utilização dos transportes públicos sugerem "uma associação forte e positiva entre a proporção de deslocações da população residente em transporte público com o número de casos confirmados [de covid-19] por 10 mil habitantes".

O INE analisou vários indicadores relativos às 19 freguesias em estado de calamidade ou, na falta destes, aos concelhos onde estas se situam, em comparação com os mesmos indicadores da Área Metropolitana de Lisboa e os dados relativos aos casos de covid-19 identificados.

Segundo os números coligidos pelo INE, a proporção de deslocações dos residentes nestes territórios em estado de calamidade para fora do município de origem através dos transportes públicos é de 14,0%, mais do dobro do observado no restante território da AML (6,7%).

"É ainda de assinalar que, em 90% das freguesias do território em estado de calamidade, a proporção de deslocações para fora do município com transporte público é superior à média do restante território da AML (7,9% versus 6,7%)", realçou.

Os municípios da AML onde é superior a proporção de deslocações para fora do município com utilização do transporte público são os de Odivelas (15,2%), Amadora (14,1%), Loures (12,9%) e Barreiro (12,8%), os três primeiros pertencentes ao território em estado de calamidade.

Ainda que a diferença relativa seja maior quando se considera apenas as deslocações para fora do município, o INE salientou que também a proporção de deslocações da população residente com utilização do transporte público, independentemente se o âmbito territorial da deslocação é para fora ou dentro do município, é maior nos territórios em estado de calamidade, de 17,5%, em relação à restante AML (onde é de 13,4%).

Neste caso, obtêm valores acima da média os municípios de Lisboa (20,8%), Almada (18,2%), Odivelas (18,1%), Amadora (17,4%), Loures (16,6%) e Barreiro (16,4%), sendo que quatro deles pertencem ou integram parcialmente o território do estado de calamidade.

Por outro lado, segundo o INE, a proporção de população residente a 15 minutos a pé de uma estação de comboio é maior nos território em estado de calamidade (42,9%) do que na restante AML (29,6%).

Quando comparado o grau de associação entre os indicadores de mobilidade analisados e os de situação da pandemia, o INE realça que os dados sugerem "uma associação forte e positiva entre a proporção de deslocações da população residente em transporte público com o número de casos [de covid-19] confirmados por 10 mil habitantes".

Esta relação é "apenas moderada" quando comparada a proporção de deslocações da população residente em transporte público com o número de novos casos confirmados nos últimos 14 dias por 10 mil habitantes e era uma relação mais elevada em 13 de abril do que em 13 de julho.

Portugal continental está dividido em três níveis para fazer face à pandemia de covid-19, estando a generalidade do país em situação de alerta, a Área Metropolitana de Lisboa (AML) em situação de contingência (nível intermédio) e 19 freguesias de cinco municípios da AML em calamidade.

As 19 freguesias que permanecem em estado de calamidade são: Santa Clara (Lisboa), as quatro freguesias do município de Odivelas (Odivelas e as uniões de freguesias de Pontinha e Famões, Póvoa de Santo Adrião e Olival Basto, e Ramada e Caneças), as seis freguesias do concelho da Amadora (Alfragide, Águas Livres, Encosta do Sol, Mina de Água, Venteira e União de Freguesias de Falagueira e Venda Nova), seis freguesias de Sintra (uniões de freguesias de Queluz e Belas, Massamá e Monte Abraão, Cacém e São Marcos, Agualva e Mira Sintra, Algueirão-Mem Martins e a freguesia de Rio de Mouro) e duas freguesias de Loures (uniões de freguesias de Sacavém e Prior Velho, e de Camarate, Unhos e Apelação).

Portugal regista esta sexta-feira mais três mortes e 312 novos casos de infeção por covid-19, em relação a quinta-feira, 236 dos quais na região de Lisboa e Vale do Tejo, segundo o boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS).

Segundo a DGS, desde o início da pandemia até esta sexta-feira registam-se 48.077 casos de infeção confirmados e 1.682 mortes.

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