Reflorestação do Pinhal de Leiria avança com 15 milhões até 2022

Nos próximos quatro anos o Governo vai por em prática um plano de recuperação das matas litorais. Só para o Pinhal do Rei estão orçamentados 15 milhões de euros, "uma pequena fatia" do que vai ser preciso, segundo o ministro da Agricultura

O Instituto de Conservação da Natureza e Floresta (ICNF) anunciou esta quinta-feira o investimento de 15 milhões de euros na reflorestação do Pinhal do Rei e Mata Nacional de Leiria, para os próximos quatro anos. Rogério Rodrigues, responsável do ICNF, fez-se acompanhar do ministro da Agricultura, Capoulas Santos, na apresentação do programa de recuperação das matas litorais, a cargo de uma comissão científica constituída há um ano, na sequência do fogo que devastou 86% do Pinhal.

"Os serviços florestais em Portugal, como os conhecemos, têm 200 anos de atividade. Tiveram várias vezes tarefas hercúleas em momentos vitais, mas o fenómeno do ano passado traz aos atuais serviços a maior responsabilidade de sempre", disse Rogério Rodrigues, que apresentava ao Observatório Local do Pinhal do Rei o plano traçado para responder "a curto prazo", ao processo de recuperação florestal daquela área. "Demorará décadas a podermos constituir novos povoamentos. Mas será certamente um pinhal melhor", disse, referindo-se a um período de quatro anos, até 2022.

A sessão de apresentação decorreu no auditório da resinagem, na Marinha Grande, onde a presidente da Câmara, Cidália Ferreira, aproveitou a ocasião para sugerir ao ministro da agricultura que deslocalizasse os serviços do ICNF para o concelho, sabendo que ali nasceram, noutro tempo. Capoulas Santos reconhece que não é fácil. Mas argumenta que "se a presidente encontrar um espaço e o presidente do ICNF obtiver a concordância dos funcionários..." é um caso a ponderar. Sabendo que é uma hipótese quase inverosímil, o ministro apontou antes para o reforço dos meios materiais e humanos daquele instituto: "O Ministério da Agricultura e do Ambiente vão apresentar uma proposta ao conselho de ministros no próximo dia 25".

O objetivo é reforçar em meios humanos e materiais, quase exclusivamente na sua componente regional. Queremos dar muito mais capacidade de intervenção aos serviços que estão no terreno, e não aos centrais em Lisboa". Embora se recuse, para já, a avançar com um número de lugares a criar, Capoulas Santos sublinha que será "um número considerável de técnicos". O governante ouvira, pouco antes, o lamento da presidente da Câmara da Marinha Grande - um concelho quase com pleno emprego - lamentar um concurso para assistentes operacionais que "ficou deserto". Reconheceu que existe "maior dificuldade no preenchimento das categorias mais baixas", e insistiu que "uma boa parte do reforço terá por base técnicos de formação média ou superior".

11 milhões e meio em lenha queimada

Tal como o DN avançou esta quinta-feira, o Estado já encaixou perto de 11,5 milhões de euros com os leilões de madeira queimada no Pinhal de Leiria. Capoulas Santos disse no final aos jornalistas que "funcionaram os valores de mercado. Tivemos cuidado em calendarizar as propostas de vendas, dado o excesso de oferta do ano passado, e fixar limiares mínimos". Toda essa verba será aplicada no plano de recuperação das matas, que para já tem uma verba cabimentada na ordem dos 15 milhões. "É seguramente apenas uma pequena fatia para um período de quatro anos, até 2022, e apenas na componente da gestão florestal", sustenta o ministro, adiantando que o Estado está "a responder a um problema de grandes dimensões, mas a nossa primeira prioridade é a recuperação da componente florestal. É obvio que esse custo no futuro será multiplicado várias vezes".

Confrontado pelo DN com as críticas da população e de alguns técnicos quanto ao atraso na recuperação, depois do fogo do ano passado, Capoulas Santos diz compreender, mas refuta as acusações. "Cada dia que passa, para cada um de nós que sofreu com esta tragédia e vive a angústia de ver este pinhal destruído, é um século. Creio que num ano não poderia fazer-se muito mais, até porque as épocas de plantação são próprias de acordo com o calendário e estações do ano. Por mais evoluída que seja a técnica, aí o homem não pode fazer grande coisa".

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