Professor fingia ser criança nas redes sociais para cometer abusos sexuais

Suspeito de 40 anos, solteiro, é de Vila Real e foi detido na escola secundária do Algarve onde dá aulas. Utilizava perfis falsos nas redes sociais e "obtinha imagens de atos sexuais de menores que depois partilhava". Fez vítimas em Portugal e em vários países

Na escola do ensino secundário onde dava aulas era apenas um professor. Nas redes sociais usava identidades diferentes e falsas, sempre como criança, para convencer menores, com idades entre os 10 e 16 anos, a cederem imagens suas em atos sexuais. Depois partilhava as imagens, obtidas em Portugal e em vários outros países, para fazer "negócio" com outros abusadores sexuais de menores de todo o mundo, trocando entre eles imagens de pornografia com crianças. O professor de 40 anos, solteiro, foi detido ontem na escola secundária do Algarve onde dá aulas, numa investigação conduzida pela Unidade Local de Investigação da PJ de Vila Real, cidade onde o suspeito tem residência.

Está indiciado por crimes de abuso sexual e pornografia de menores, crimes ocorridos, pelo menos, desde 2013 até à atualidade. O indivíduo é suspeito de abusos sexuais à distância, por contacto através da internet. Interagia com crianças nessas redes sociais, assumindo uma identidade também de menor, e convencia os adolescentes a fazerem poses em atos sexuais. Dava instruções e fazia com que as vítimas cumprissem o que ele pedia, o que é uma forma de abuso sexual. Recolhidas as imagens, partilhava-as com outros pornógrafos de menores de todo o mundo. O DN sabe que os investigadores ficaram surpreendidos pela forma e pela dimensão dos ficheiros partilhados, agravado pelo facto do suspeito ser professor no ativo.

O professor atacava jovens portugueses e de todo o mundo. Tinha grande facilidade em expressar-se em inglês - há imagens com vítimas inglesas e norte-americanas - e recolhia uma grande quantidade de material no estrangeiro. Esta parte do processo vai ser mais complicada para reunir prova já que irá obrigar a cooperação judiciária internacional.

Pais de menor fizeram queixa

Mas há várias vítimas portuguesas e o inquérito foi iniciado com uma queixa de pais de uma criança em Portugal. Aperceberam-se que a criança interagia nas redes sociais com um perfil que consideraram suspeito devido ao tipo de contactos efetuados. O pai fez a denúncia e a PJ iniciou a investigação que culminou agora após um período de recolha de prova.

A investigação desenvolvida permitiu, segundo a PJ, "a apreensão de diverso material informático utilizado pelo arguido, contendo centenas de ficheiros de imagens de cariz sexual envolvendo menores que partilhou com dezenas de outros indivíduos em vários países". Fonte ligada à investigação refere que o caso "impressiona pela quantidade, pelo tipo de material e por atuar em todo o mundo."

O detido foi esta quinta-feira de manhã presente a tribunal, mas ainda não são conhecidas as medidas de coação aplicadas.

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