Prisão preventiva para suspeitos da morte de jovem de 24 anos

Pedro Fonseca foi assassinado no dia 28 de dezembro no Campo Grande, em Lisboa.

Os três jovens, de 16, 17 e 20 anos, suspeitos do homicídio de Pedro Fonseca ficaram em prisão preventiva. Os detidos foram presentes nesta terça-feira a primeiro interrogatório judicial.

De acordo com fonte judicial, citada pela agência Lusa, a medida de coação mais gravosa foi aplicada pelo Tribunal de Instrução Criminal (TIC) de Lisboa, onde os arguidos foram ouvidos durante a tarde de hoje. Os três suspeitos foram formalmente detidos na segunda-feira e indiciados pela prática do crime de homicídio.

O jovem de 17 anos, diz o Jornal de Notícias, será o responsável pelas duas facadas que causaram a morte ao filho de um ex-inspetor da Polícia Judiciária.

No entanto, tal como noticiou nesta segunda-feira o Diário de Notícias, independentemente de quem desferiu os golpes, serão todos responsabilizados pelo crime. Até porque acabaram por não levar qualquer bem pertencente à vítima, no assalto.

Os suspeitos têm mais de 16 anos e, segundo o Código Penal, são considerados responsáveis pelo crime que cometeram, mas é "uma responsabilidade criminal mitigada", uma vez que os três não atingiram os 21 anos. Significa que têm atenuantes e estão sujeitos a medidas especiais, por exemplo, têm de ser acompanhados por um advogado em todos os atos processuais.

Os detidos são também suspeitos de um crime de roubo, cometido no mesmo dia, na mesma zona sobre um estudante que passava no local, lê-se no comunicado.

Em declarações aos jornalistas na segunda-feira, à margem da cerimónia de abertura do Ano Judicial, no Palácio da Ajuda, em Lisboa, o diretor nacional da PJ, Luís Neves, sublinhou que foram "recolhidos elementos de prova muito relevantes sobre o caso" e que "a resposta da Polícia Judiciária foi tão pronta e rápida quanto possível".

Pedro Fonseca tinha 24 anos e licenciara-se em Engenharia Informática, na Faculdade de Ciências. Precisamente no Campo Grande, onde viria a encontrar a morte numa noite da última semana do ano.

Foi junto à faculdade que Pedro marcou encontro com os amigos. Não jantou no McDonald's, mas com os pais, em casa, e apanhou um autocarro para ir ter com os amigos, aos bares da zona universitária. Já era noite, mais ou menos 23.00. E foi no percurso entre a paragem de autocarro e os bares que foi atacado por três assaltantes.

Pedro praticava karaté - o que, naquele momento, o terá feito reagir. E um dos assaltantes deu-lhe duas facadas, uma no pescoço e outra na zona dos pulmões. A PJ, em comunicado, diz que "a vítima foi atingida com dois golpes de uma arma branca de elevadas dimensões transportada pelos autores, e veio a falecer no local".

Os amigos, ao verificaram que Pedro não aparecia, contactaram a família, que reside na zona de Carnide - onde foi o funeral do jovem, no último dia de 2019. O pai, um inspetor reformado da PJ, soube horas depois que tinha havido um homicídio no Campo Grande e acabou por juntar todas as peças.

Encontrada arma branca que vitimou Pedro Fonseca

Fonte da PJ diz que estão a investigar como tudo se terá passado, mas que foi impossível aos suspeitos negar a autoria do crime dada "a matéria probatória". Essas provas foram fundamentalmente os testemunhos de pessoas que estiveram naquela noite na área, entre elas um estudante que tinha sido assaltado pelo mesmo grupo duas horas antes.

Todas as pessoas descreveram três jovens e as suas roupas. Mais tarde foram detetados pelas câmaras de videovigilância que existem na zona e, com essa informação, a PJ acabou por chegar ao local de residência dos suspeitos, na zona de Sintra. Com o auto de detenção, e revistadas as casas, encontraram algumas das peças de roupa, bem como a arma branca que vitimou o jovem.

Foi apreendida ainda "uma quantidade de produto estupefaciente, nomeadamente cocaína, superior a 50 doses individuais", descreve a PJ.

Os três suspeitos têm 16, 17 e 20 anos. E estavam, segundo a polícia, "fortemente indiciados pela prática, em coautoria, de crimes de homicídio qualificado e de roubo".

Este é um crime que está a ser investigado pela Polícia Judiciária, através da Diretoria de Lisboa e Vale do Tejo, com a colaboração de outras forças policiais, nomeadamente a PSP.

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