Presidente da Câmara de Borba não se demite: "Isso é para os fracos"

António Anselmo diz-se de "consciência tranquila". "Prioridade é encontrar os corpos", refere. Derrocada da EN255 fez dois mortos e três desaparecidos.

O presidente da Câmara Municipal de Borba, António Anselmo, afirmou esta terça-feira que não está nos seus planos demitir-se depois da derrocada da EN255, que liga Borba a Vila Viçosa, que fez dois mortos e três desaparecidos.

O autarca disse à CMTV que, apesar dos vários alertas e avisos sobre o estado da estrada, se encontra de "consciência tranquila", acrescentando que recusa a demissão porque "isso é para os fracos". Os alertas remontam pelo menos a 2014, quando foi realizada uma reunião com a Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), à época um organismo tutelado pelo Ministério da Economia, na qual participaram empresários das pedreiras e António Anselmo, já presidente da câmara de Borba.

Nesse encontro "foi defendido o encerramento da Estrada 255, e foram inclusivamente propostas alternativas de forma a permitir o acesso às empresas e população", disse o Ministério do Ambiente ao DN. "Não cabe nas atribuições da DGEG executar o que foi proposto nessa reunião", explica o ministério, sendo que a última vistoria à pedreira onde ocorreu o deslizamento de terra foi em 2016.

Segundo a CMTV, António Anselmo referiu ainda que não tem na câmara "nenhum documento que diga que a estrada está em perigo" e que está "magoado e triste" com o acidente. Para o autarca, a "prioridade" é encontrar os corpos.

A derrocada da passada segunda-feira levou a que parte da estrada - uma extensão de cerca de 80 a 100 metros - fosse para o fundo de uma pedreira que se encontrava ao lado da EN255. Foram arrastados para o poço um carro ligeiro, uma carrinha de caixa aberta e uma retroescavadora com dois trabalhadores da pedreira.

As enormes quantidades de pedra e água estão a dificultar bastante a localização e o resgate das vítimas.

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