Mais duas mortes e 362 infetados. Portugal com o dobro dos novos casos

A ministra da Saúde atribui o aumento de casos aos surtos verificados no hospital de Vila Franca de Xira e em lares de Santarém e Setúbal. O boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde indica que há 56.274 infetados e 1.807 mortos desde o início da pandemia.

Portugal registou, nas últimas 24 horas, mais duas mortes e 362 novos diagnósticos de covid-19 (um crescimento de 0,6% em relação ao dia anterior). De acordo com o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) desta quarta-feira (26 de agosto), no total, desde que a pandemia começou registaram-se 56.274 infetados e 1.807 óbitos.

O número de novos casos é quase o dobro face ao dia de ontem e o mais elevado desde 15 de julho, dia em que foram notificados 375 infeções.

Há mais 163 pessoas recuperadas da doença, para um total de 41.184 pessoas.

O boletim da DGS indica que há 311 pessoas internadas (menos 14 do que na terça-feira), das quais 38 estão em unidades de cuidados intensivos (menos três).

Os dados apontam para mais 197 casos ativos, que esta quarta-feira somam 13.283.

Dos novos diagnósticos de covid-19, 214 foram registados em Lisboa e Vale do Tejo, o que representa 59,1% do total nacional.

Surto no hospital de Vila Franca de Xira contribui para aumento de novos casos

A ministra da Saúde, Marta Temido, em conferência de imprensa sobre a pandemia em Portugal, refere que os novos casos nesta região devem-se em parte aos surtos verificados no hospital de Vila Franca de Xira - último balanço indica que há 42 pessoas infetadas e uma vítima mortal -, e em lares de Santarém e Setúbal.

Logo a seguir aparece o Norte como a segunda região com mais novos casos (109), alguns dos quais identificados em agrupamentos do centro de saúde, nomeadamente em Feira-Arouca e Cabreira -Gerês, afirmou a ministra da Saúde.

Na região Centro registam-se mais 25 casos, o Alentejo tem mais oito, o Algarve identificou mais cinco e os Açores reportaram mais um. A Madeira não apresenta novas infeções, refere a DGS.

154 surtos ativos, resumiu a ministra da Saúde. Aos jornalistas, Marta Temido, refere que os números de hoje refletem a "fragilidade daquilo que são as nossas conquistas" e que é necessário manter o esforço e o trabalho para travar a disseminação do novo coronavírus.

Os dois óbitos registados nas últimas 24 horas ocorreram em Lisboa e Vale do Tejo, que contabiliza 654. As vítimas mortais tinham mais de 80 anos.

Desde o início da pandemia, morreram 911 homens e 896 mulheres, sendo que ao dia de hoje a taxa de letalidade situa-se nos 3,2% e acima dos 70 anos é de 15,4%, revelou a ministra da Saúde.

Os casos confirmados distribuem-se por todas as faixas etárias, sendo entre os 40 e os 49 anos que se registam mais infeções, contabilizando-se um total de 9274, seguida da faixa etária entre os 30 e os 39 anos, com 9243 casos, e entre os 20 e os 29 anos, com 8.771.

Os dados indicam ainda que houve 25 276 homens e 30 998 mulheres infetados desde o início da pandemia.

Já em relação aos óbitos, o maior número concentra-se nas pessoas com mais de 80 anos, com 1206 mortes registadas desde o início da pandemia, seguindo-se as faixas entre os 70 e os 79 anos (356).

A DGS refere que 33 782 pessoas estão em vigilância pelas autoridades de saúde, menos 39 face ao dia anterior.

A taxa de incidência, nos últimos sete dias, é de 15,3 novos casos por 100 mil habitantes, referiu Marta Temido. Já a taxa de incidência a 14 dias é de 29,7 novos casos por cem mil habitantes.

A ministra da Saúde revelou também que o RT, o índice de transmissibilidade, é agora de 1, tendo em conta dados entre os dias 17 e 21 de agosto, o que representa uma "ligeira" descida.

Jorge Gabriel é uma das 14 pessoas em quarentena após férias no Porto Santo

Catorze pessoas estão em quarentena, 11 das quais no Porto Santo, depois de terem contactado com uma visitante que esteve na ilha e acusou positivo após o regresso ao continente, disse fonte da autoridade de saúde da Madeira.

O apresentador da RTP Jorge Gabriel é uma das pessoas que iniciou um período de quarentena "devido ao facto de ter estado em contacto, no Porto Santo, com uma pessoa a quem foi diagnosticada a covid-19", refere a RTP em comunicado enviado às redações.

Jorge Gabriel "encontra-se bem e não tem qualquer sintoma, apenas se encontra a cumprir as normas emanadas pela DGS", refere a mesma nota da estação pública.

Num vídeo partilhado no Instagram, o apresentador revela que está de quarentena em casa, em Lisboa, depois de ter estado em contacto com uma amiga que foi diagnosticada, já no continente, com covid-19. "Estou ótimo, sem problema algum." Conta que fez um teste, cujo resultado foi negativo, mas referiu que não quer dizer que não possa estar infetado. "Por causa disso, eu estou em casa nas próximas duas semanas pelo facto de o teste não dar uma resposta 100% real aos dias anteriores que eu vivi-"

Jorge Gabriel explica que a amiga já estava "adoentada" durante as férias, voltou para o continente e fez o teste que deu positivo. "Evidentemente que todas as pessoas com quem ela tinha contactado nas últimas horas, dias, que era o meu caso, foram imediatamente confinadas." Nesse sentido, continua o apresentador, vai estar em casa nos próximos dias, ausente do trabalho.

Jorge Gabriel indicou que a sua família está no Porto Santo, em casa, a aguardar os testes de despiste à covid-19.

Centros de saúde. Retoma a várias velocidades preocupa médicos de família

O regresso da atividade programada nos centros de saúde está a acontecer a ritmos diferentes de norte a sul do país, dependendo das condições do espaço, dos equipamentos e da quantidade de profissionais. Se em alguns casos há já consultas presenciais a decorrer, outros estão a receber apenas urgências e doentes crónicos, apontam o presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar e o presidente da Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiar.

"Infelizmente, a retoma progressiva das consultas presenciais está a andar a várias velocidades ao longo do país devido às assimetrias das lideranças, dos recursos humanos e materiais. Há locais onde essa retoma está já a acontecer há algum tempo; noutros não é bem assim", diz, ao DN, o enfermeiro de família da Unidade de Saúde Familiar (USF) D. Dinis, em Leiria, Diogo Urjais, também presidente da Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiar.

Refere-se a falhas tão essenciais como computadores, telefones ou gente para atender estes últimos, o que faz que muitos utentes não consigam entrar em contacto com o seu centro de saúde, numa altura em que toda a atividade deve ser marcada à distância. Diogo Urjais fala também em espaços pequenos para receber os utentes e sem condições de distanciamento, que não garantem a segurança necessária e, por isso, não reabrem.

"Há também limitações em sítios onde ainda há bastantes casos [de covid] ou já houve e onde não existem percursos bem delineados [de separação entre estes doentes e os outros]", continua Rui Nogueira, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar.

África ultrapassa os 1,2 milhões de casos, que quase duplicam desde julho

África ultrapassou nas últimas 24 horas os 1,2 milhões de infetados pelo novo coronavírus, quase duplicando as infeções em pouco mais de um mês, e contabilizando mais 342 mortos em relação ao dia anterior, segundo dados oficiais.

O Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana (África CDC), que reúne os dados dos 55 membros desta organização, refere que a região conta agora com 1.202.918 infetados, mais 7621 do que na terça-feira.

A meio de julho, os casos de covid-19 em África eram sensivelmente metade (625 702 a 15 de julho).

Em relação às vítimas mortais, elas ascendem agora a 28 934, mais 342 do que no dia anterior.

Na região foram dados como recuperados da doença 931 057 infetados.

Entre os países africanos lusófonos, Cabo Verde lidera em número de casos (tem hoje 3568 casos e 37 mortos), seguindo-se Moçambique (3508 casos e 37 mortos), Angola (2283 casos e 102 mortos), de acordo com os dados divulgados pelas autoridades oficiais destes países.

A pandemia de covid-19 já provocou pelo menos 809 mil mortos e infetou mais de 23,4 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Com Lusa

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