46 mortes nas últimas 24 horas. É o número mais alto de sempre

Há ainda a registar mais 2506 casos de covid-19 em Portugal. Há mais 133 pessoas internadas, o que elevou o número de internamentos para 2255.

Portugal registou mais 2506 casos de covid-19 nas últimas 24 horas e mais 46 mortes, segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) desta segunda-feira (2 de novembro). É o dia com mais mortes desde o início da pandemia, só ultrapassando o registo mais negro de 30 de outubro, quando o país atingiu, então, aquele que era o número recorde de mortes - 40 - e também o mais elevado número de infeções: 4656.

Também é o número de internamentos por covid-19 mais alto de sempre no país: há neste momento 2255 doentes hospitalizados (+ 133), 294 dos quais em cuidados intensivos (+ 10).

De acordo com o boletim epidemiológico da DGS hoje divulgado, Portugal regista hoje 2506 casos, abaixo dos 3062 notificados no domingo, e 146 847 casos confirmados de infeção pelo novo coronavírus, além de 2590 óbitos.

Em relação aos internamentos, o número de pessoas hospitalizadas continua a subir desde há mais de uma semana, sendo agora de 2255 pessoas, mais 133 do que no domingo, dos quais 294 (mais dez) estão em unidades de cuidados intensivos.

Das 46 mortes registadas, 20 ocorreram na região norte, 17 em Lisboa e Vale do Tejo, seis na região centro e uma no Alentejo, no Algarve e na Madeira, respetivamente.

Os casos confirmados distribuem-se por todas as faixas etárias, situando-se entre os 20 e os 59 anos o registo de maior número de infeções diárias, mas é entre os 20 e os 29 que há mais casos de covid-19.

Relativamente às novas infeções, o valor de hoje é o mais baixo dos últimos sete dias, período em que se verificou um crescimento exponencial de contágios e no qual foi atingido o máximo de novos casos (4656, na sexta-feira) desde março.

As autoridades de saúde têm agora sob vigilância 66 428 pessoas, mais 1623 pessoas nas últimas 24 horas.

A DGS revela ainda que estão ativos 60 963 casos, mais 937.

Nas últimas 24 horas foram dados como recuperados 1523 casos, totalizando 83 294.

A região norte continua a registar o maior número de novas infeções diárias, hoje com mais 1202 casos, totalizando 66 145, e 1151 mortos, dos quais 20 nas últimas 24 horas.

Na região de Lisboa e Vale do Tejo foram notificados mais 845 novos casos de infeção, contabilizando a região 61 064 casos, e 1021 mortes, das quais 17 nas últimas 24 horas.

Na região centro registaram-se 333 novos casos, contabilizando 13 050, e 323 mortos (mais seis em relação à véspera).

No Alentejo foram registados 46 novos casos de infeção, totalizando 2854, com um total de 50 mortos (mais um).

A região do Algarve tem hoje notificados mais 66 casos de infeção, somando 2904 casos, e 29 mortos (mais um).

Na Região Autónoma dos Açores foi registado mais um caso nas últimas 24 horas, somando 371 infeções detetadas e 15 mortos desde março.

A Madeira registou 13 novos casos nas últimas 24 horas, contabilizando 459 infeções, e o seu primeiro óbito desde o início da pandemia.

No total, o novo coronavírus já afetou em Portugal pelo menos 66 617 homens e 80 230 mulheres, de acordo com os casos declarados.

Do total de vítimas mortais, 1320 eram homens e 1270 mulheres.

O maior número de óbitos continua a concentrar-se nas pessoas com mais de 80 anos.

Marcelo ouve governo e partidos sobre eventual estado de emergência

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, vai receber nesta segunda-feira o primeiro-ministro, que lhe transmitirá a posição do governo sobre um eventual estado de emergência, e de seguida os nove partidos com assento parlamentar.

António Costa será recebido por Marcelo Rebelo de Sousa às 10,30, após uma curta cerimónia de homenagem aos mortos, em especial às vítimas da covid-19, junto ao Palácio de Belém, em Lisboa, em dia de luto nacional, em que participarão o chefe do Estado, o primeiro-ministro e o presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues.

As audiências aos partidos estão marcadas para entre as 11.00 e as 17.30, por ordem crescente de representação parlamentar: Iniciativa Liberal, Chega, PEV, PAN, CDS-PP, PCP, BE, PSD - por videoconferência - e PS.

No sábado, António Costa anunciou ter pedido uma audiência ao Presidente da República para lhe transmitir a posição do governo sobre uma eventual declaração do estado de emergência aplicável aos concelhos com mais de 240 infetados com o novo coronavírus por cem mil habitantes nos últimos 14 dias.

Em conferência de imprensa, no final de uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros, no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa, António Costa acrescentou que só iria divulgar a posição do governo sobre esta matéria depois de a revelar ao Presidente da República.

Questionado sobre um eventual recolher obrigatório, o primeiro-ministro respondeu que "essa medida nunca poderia ser adotada com as competências constitucionais de que o governo dispõe".

Para já, na reunião de sábado o governo decidiu, ao abrigo da Lei de Bases da Proteção Civil, renovar a situação de calamidade em todo o território continental, das 00.00 horas da próxima quarta-feira até às 23.59 de 15 de novembro, e aplicar medidas especiais em 121 concelhos que têm mais de 240 casos de infeção por cem mil habitantes nos últimos 14 dias, incluindo um "dever de permanência no domicílio", teletrabalho obrigatório, e encerramento do comércio até às 22.00 e dos restaurantes até às 22.30.

Antes de anunciar estas medidas, o primeiro-ministro ouviu os nove partidos com assento parlamentar, na sexta-feira.

O PAN revelou que o governo colocou em cima da mesa a hipótese de um confinamento geral na primeira quinzena de dezembro para preservar o período de Natal, o que requer vigência do estado de emergência.

O primeiro-ministro confirmou no sábado que isso foi discutido com os partidos, mas adiantou que "houve uma opinião generalizada de que era absolutamente prematuro" estar agora "a pensar o que fazer em dezembro".

Na quinta-feira, Marcelo Rebelo de Sousa não excluiu um eventual regresso ao estado de emergência "por proposta de outro órgão de soberania", referindo que os próximos passos do combate à covid-19 iriam depender também dos partidos.

O estado de emergência vigorou em Portugal no início desta epidemia, entre 19 de março e 2 de maio.

De acordo com a Constituição, a declaração do estado de emergência pode determinar a suspensão de alguns dos direitos, liberdades e garantias, por um prazo máximo de 15 dias, sem prejuízo de eventuais renovações com o mesmo limite temporal.

A sua declaração no todo ou em parte do território nacional é uma competência do Presidente da República, mas depende de audição do governo e de autorização da Assembleia da República.

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