135 novos casos. É o número mais baixo de infeções em uma semana

O boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde indica que Portugal regista mais duas mortes por covid-19. A ministra da Saúde afirma que o valor médio do risco de transmissão (RT) no país é de 0,94%.

Em Portugal, nas últimas 24 horas, foram confirmados mais 135 casos de infeção por coronavírus e mais duas mortes. Desde o início da pandemia, registam-se no país 50.299 infetados e 1719 óbitos por covid-19, de acordo com o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS), divulgado esta segunda-feira (27 de julho).

Há precisamente uma semana, o número de novos casos reportado também foi de 135 infeções. É o segundo melhor registo desde 11 de maio, dia em que foram notificadas 98 infeções.

Há 414 doentes hospitalizados (mais 11 face a domingo), dos quais 45 (menos três) estão em unidades de cuidados intensivos.

A DGS indica que há mais 158 recuperados da doença, o que eleva para 35.375 o número de pessoas que são consideradas curadas.

Dos 135 novos casos (o que representa um aumento de 0,27%), 101 dizem respeito a cidadãos com residência em Lisboa e Vale do Tejo. Ou seja, 74,8% das novas infeções estão localizadas nesta região que soma 25.549 casos confirmados.

Os dois óbitos que foram registados em 24 horas também foram reportados em Lisboa e Vale do Tejo - região tem, no total, 588 mortos. As vítimas mortais tinham mais de 80 anos.

Em relação aos novos casos, além dos 101 registados em Lisboa e Vale do Tejo, há mais 22 infetados na região Norte, que soma agora 18.525 casos, mais quatro no Centro (4411), mais três no Alentejo (691) e mais cinco nos Açores (165). Algarve e a Madeira mantêm os mesmos números de infetados: 853 e 105, respetivamente.

A região Norte que continua a registar o maior número de mortes (828), seguida de Lisboa e Vale do Tejo (588), o Centro (252), Alentejo (21), Algarve (15) e Açores (15).

"A epidemia não vai desaparecer" em breve, afirmou a ministra da Saúde, Marta Temido, na conferência desta segunda-feira, explicando que as autoridades de saúde estão neste momento muito atentas ao desenvolvimento da epidemia em todo o mundo, em especial agora no hemisfério sul. "Estamos a preparar-nos o melhor que podemos, tendo em conta que esta é uma doença para a qual não há uma vacina."

A ministra afirmou ainda que as medidas de contenção da covid-19 poderão ser também as mesmas que podem mitigar os outros vírus da gripe. No entanto, alertou, convém não subestimar os riscos associados ao inverno.

Também a diretora-geral de saúde, Graça Freitas, considerou que é preciso estar atento ao comportamento do vírus: "Há países onde o vírus já esteve contido e agora piorou, e noutros casos é o inverso. Mantemo-nos atentos".

Concelho de Lisboa continua a ser o que tem mais casos

Relativamente ao número de casos por concelho, os dados da DGS indicam que Lisboa lidera com 4.408 casos, seguida de Sintra (3.695), Loures (2.284), Amadora (2.185), Vila Nova de Gaia (1.805), Odivelas (1.512), Porto (1.447), Matosinhos (1.316) e Cascais (1.382).

Por faixas etárias, o maior número de óbitos concentra-se nas pessoas com mais de 80 anos (1.155), seguidas das que tinham entre 70 e 79 anos (332), entre 60 e 69 anos (152) e entre 50 e 59 anos (55). Há ainda 20 mortos registados entre os 40 e 49 anos, três entre os 30 e 39 e dois entre os 20 e 29 anos de idade.

Em termos globais, há mais infetados na faixa etária entre 40 e 49 anos (8.321, mais 27 casos do que na véspera), depois entre 30 e 39 anos (8.227, um aumento de 28 casos), 20 e 29 anos (7.682, mais 22 casos), 50 a 59 anos (7.628, mais 61), seguida das pessoas com mais de 80 anos (5.773, mais 18).

As autoridades de saúde têm sob vigilância 35.120 pessoas e 1.397 aguardam resultado laboratorial.

Alentejo com risco de transmissão (RT) de 1,09, o mais alto, diz ministra da Saúde

O relatório do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge sobre o risco de transmissão (RT) indica que o valor médio, no período de 19 a 23 de julho foi de 0,94%, afirmou a ministra da Saúde, Marta Temido, durante a conferência de imprensa sobre a evolução da pandemia em Portugal.

O índice de transmissão do vírus varia entre 0,86 na região Norte e do 1,09% no Alentejo, que tem o maior risco de transmissão, acrescentou a ministra.

Sintra regista uma "variação negativa" e mantendo os restantes concelhos da Grande Lisboa um comportamento decrescente, referiu ainda Marta Temido.

Em relação ao RT nos cinco concelhos mais afetados pela pandemia na região da Grande Lisboa, Marta Temido afirmou que é de 0,89 em Sintra, 0,83 em Odivelas e Amadora, 0,78 em Lisboa e 0,99 em Loures. Dados que têm de ser analisados "com prudência", afirmou.

Nos últimos sete dias, a taxa de incidência do vírus no nosso país foi de 14,9 novos casos por 100 mil habitantes. "Portanto, continua baixar", refere Marta Temido. "E nos últimos 14 dias de 33,8 novos casos por 100 mil habitantes. Também uma evolução no mesmo sentido", concluiu.

"O combate a esta doença implica atitudes individuais. Por mais que o governo seja atento e diligente não há forma de proibir os indivíduos de cometerem atos que põem em risco a sua saúde e a dos demais", afirmou ainda Marta Temido, sublinhando a necessidade de cada cidadão ser responsável e evitar estar "em situações e locais onde o risco seja considerável", como por exemplo festas e outros tipos de ajuntamento.

"Esta é uma doença que não se compadece com facilitismos nem com correr riscos que possam ter consequências fatais", atirou a ministra da Saúde. O que as autoridades de saúde podem fazer - para além de divulgar as medidas de prevenção - é "continuar a investir na fiscalização" e, sempre que necessário, usar as forças de segurança e agir até criminalmente para impedir essas situações.

Reunião entre autarcas da Área Metropolitana de Lisboa

Esta segunda-feira, os autarcas de Sintra, Loures, Lisboa, Amadora e Odivelas, os cinco concelhos da Área Metropolitana de Lisboa com freguesias (são 19) em estado de calamidade devido ao número de casos de covid-19, reúnem-se com vários elementos do Governo. O objetivo é analisar a estratégia adotada naquelas áreas para se tomar uma decisão, em conselho de ministros de quinta-feira, sobre o eventual levantamento da medida de exceção de estado de calamidade.

"A evolução que temos tido ao longo das últimas semanas tem sido positiva na generalidade dos municípios da área metropolitana e nas várias freguesias. Essa avaliação vai ser feita no início da próxima semana com o governo. Se for possível registar, ao longo destes dias que ainda faltam, uma evolução positiva, como aquela que temos vindo a registar, o mais provável é de facto a retirada de freguesias da lista da situação de calamidade", comentou na sexta-feira o autarca de Lisboa, Fernando Medina, que é também presidente do Conselho Metropolitano de Lisboa.

Antes, Bernardino Soares, autarca de Loures, declarou que a evolução nas suas freguesias (Camarate, Unhos e Apelação e Sacavém e Prior Velho) é positiva. "Se se confirmar a trajetória de descida [esta semana], quer do número de casos ativos, quer do número de novos casos diários, eu julgo que estão criadas as condições para as nossas freguesias saírem do estado de calamidade", afirmou à Lusa.

o Alentejo regista um novo surto de covid-19. Foi detetado na aldeia de Póvoa de São Miguel, no concelho de Moura, distrito de Beja, e existem mais de duas dezenas de casos confirmados, dos quais um está internado, disse o coordenador da proteção civil municipal.

Situação é "muito crítica" na Catalunha

Em Espanha, o aumento de casos de infeção está a preocupar as autoridades levando mesmo a Catalunha a considerar a hipótese do regresso do confinamento se em 10 dias a situação epidemiológica não melhorar na região. Quim Torras, presidente do governo regional, falou esta segunda-feira numa situação que é "muito crítica".

"Está nas nossas mãos. Não quero que este país volte a março. Faremos tudo para que isso não aconteça. É um esforço coletivo e solidário", disse o governante catalão. Segundo Torra, numa semana, os novos casos na Catalunha passaram de cerca de 3.500 para 5.500.

Mas o aumento de casos de covid-19 estende-se a outras regiões de Espanha, que é o quinto país na Europa com uma maior incidência do vírus, atrás dO Luxemburgo, Roménia, Bulgária e Suécia, escreve o El País.

Tendo em conta o aumento de infeções, o Reino Unido desaconselhou as viagens "não essenciais" para Espanha e retirou o país da lista de estados que rotula de seguros, o que significa que os viajantes regressados, seja do continente, seja das ilhas terão de passar a cumprir uma quarentena.

Pandemia de covid-19 é a pior emergência mundial de saúde que a OMS já enfrentou

A pandemia de covid-19 já infetou mais de 16 milhões de pessoas em todo o mundo e é a pior emergência mundial de saúde que a Organização Mundial de Saúde (OMS) já enfrentou nos seus mais de 70 anos de existência.

A afirmação foi feita esta segunda-feira pelo próprio diretor-geral da agência da ONU, Tedros Gebreyesus.

Só com um rigoroso cumprimento das regras de saúde, que passam por evitar multidões e utilizar a máscara de proteção, é que o mundo poderá vencer o novo coronavírus, afirmou o responsável da OMS.

"Onde estas medidas estão a ser seguidas, os casos diminuem. Onde não estão, os casos aumentam", afirmou o diretor-geral da OMS que elogia o Canadá, a China, a Alemanha e a Coreia do Sul por controlar os surtos.

Tedros Ghebreyesus fez saber que a OMS vai voltar a convocar esta semana o seu comité de emergência para avaliar o estado da pandemia da covid-19.

Seis meses depois de a OMS ter declarado o novo coronavírus como emergência de saúde pública internacional, o contágio "continua a acelerar", afirmou o responsável máximo da agência das Nações Unidas.

Foi a 30 de janeiro que pela sexta vez foi declarada "uma emergência sanitária global ao abrigo do regulamento internacional de saúde

A pandemia de covid-19 já provocou a morte de pelo menos 649.577 pessoas e infetou 16.295.350 em todo o mundo, segundo o último balanço feito pela AFP.

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