Hard Club põe em quarentena colaboradores em contacto com DJ infetado mas mantém a agenda

É pedido a todos os que estiverem no evento de sexta-feira no Hard Club, no Porto, que fiquem em isolamento social e que contactem as autoridades.

O Hard Club do Porto revelou esta terça-feira ter colocado em quarentena todos os colaboradores que, na passada sexta-feira, estiveram em contacto direto com um DJ que atuou naquele espaço e que está infetado com a doença Covid-19.

Numa publicação na sua página oficial de Facebook, o Hard Club revelou que também procedeu às limpezas das áreas ocupadas pelo referido DJ, nomeadamente palco e 'backstage', "com o rigor previsto pela Direção-Geral de Saúde (DGS)".

Trata-se do DJ da Figueira da Foz Marco Almeida. Ele é uma das 41 pessoas infetadas com o novo coronavírus em Portugal. Está internado no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos. O DJ partilhou um vídeo no instagram, no qual o vemos na unidade hospitalar dizendo que não tem sintomas e pede para se "manter a calma".

"Está-se bem aqui no Pedro Hispano. Não há problema nenhum. Está tudo a stressar, acho que não há problema nenhum. Nâo tenho tosse, não tenho febre, não tenho nada. É só manter a calma e ficar por casa. Também se não for por mim, pode ser por qualquer outra pessoa numa estação de táxi, num supermercado, em qualquer lado se pode apanhar", diz Marco Almeida no vídeo do Instagram. "Mesmo que não sejam de risco, eu aconselharia a ficarem em casa", acrescenta.

A delegada de Saúde do Norte pediu esta terça-feira a todos os que estiveram num evento na sexta-feira no Hard Club com um participante infetado com o novo coronavírus, que fiquem em isolamento social e contactem as autoridades.

Os contactos devem ser feitos para os números 220411170 ou 220411171.

Apesar desta situação, o Hard Club garantiu que vai manter o agendamento normal dos concertos, até indicações em contrário, seja por parte da própria DGS, promotores, bandas e/ou outras entidades.

O apelo da delegada regional de Saúde do Norte, Maria Neto, foi feito à Lusa. Explicou que os participantes do evento em causa, sem revelar qual, devem contactar os números acima descritos para obterem informações e recomendações sobre como proceder.

"Até lá, devem manter medidas de afastamento social até informações em contrário", afirmou.

Maria Neto sublinhou que a avaliação do risco será ponderada individualmente, durante o contacto telefónico, pelo que as recomendações podem ser mais especificas em determinadas situações.

Dizendo que o Covid-19 é, em grande maioria, ligeiro a moderado, a delegada regional frisou que mesmo os mais jovens podem sofrer doença severa e, acima de tudo, são potenciais transmissores desta infeção a pessoas mais velhas, nomeadamente seus pais e avós, que podem adoecer severamente.

Apelando à serenidade dos participantes, Maria Neto lembrou, contudo, ser "imprescindível" a colaboração de todos para se fazer face ao atual desafio coletivo.

A epidemia de Covid-19 foi detetada em dezembro, na China, e já provocou mais de 4.000 mortos.

Cerca de 114 mil pessoas foram infetadas em mais de uma centena de países, e mais de 63 mil recuperaram.

Portugal regista 41 casos confirmados de infeção, segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS).

Nos últimos dias, a Itália tornou-se o caso mais grave de epidemia fora da China, com 463 mortos e mais de 9.100 contaminados pelo novo coronavírus, que pode causar infeções respiratórias como pneumonia.

A quarentena imposta pelo governo italiano ao Norte do País foi alargada esta terça-feira a toda a Itália.

O Governo português decidiu suspender todos os voos com destino ou origem nas zonas mais afetadas em Itália, recomendando também a suspensão de eventos em espaços abertos com mais de 5000 pessoas.

Mais Notícias