O apelo da Ordem dos Médicos: "Governo não tem de ter receio em tomar decisões de contenção"

O bastonário da Ordem dos Médicos (OM) defende que "o Governo não tem de ter receio em tomar decisões de contenção" do surto de Covid-19 para que Portugal "não passe por aquilo que outros países passaram".

"Estamos numa fase importante de contenção da doença. O Governo vai hoje tomar decisões que são decisões importantes para o país e o Governo não tem de ter receio em tomar decisões de contenção porque são mesmo necessárias", disse Miguel Guimarães.

O bastonário da OM, que falava esta quarta-feira aos jornalistas no Porto à saída de uma reunião com o conselho de administração do Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ), frisou que todos os setores têm de estar "unidos no objetivo de conter a doença e tratar quem está infetado" nem que isso implique "fazer alguns sacrifícios".

"Não queremos que Portugal passe por aquilo que passaram outros países, nomeadamente a Itália. E para que isso não aconteça é preciso quebrar a transmissão do vírus e isso significa fazer alguns sacrifícios temporariamente", afirmou.

Questionado sobre as medidas considera que devem ser adotadas de imediato e se defende o fecho de estabelecimentos escolares, Miguel Guimarães disse que "a OM não tem de ter posição sobre o encerramento das escolas", no entanto, "como médico e cidadão ativo", defende que "se as escolas forem consideradas como locais onde o vírus pode ser transmitido, o Governo deve considerar seriamente encerrá-las".

"E terá todo o apoio da OM. Todas as medidas consideradas principais, não vale a pena adiá-las um dia ou dois dias", sublinhou.

Atualmente estão ativados no país 10 hospitais no âmbito do tratamento e contenção do surto Covid-19 e o bastonário da OE, que esta manhã reuniu com o presidente do conselho de administração do CHUSJ, Fernando Araújo, bem como com o diretor do serviço de infecciologia, António Sarmento, apelou para que outras medidas sejam pensadas.

"Se calhar devíamos ter mais [hospitais ativados]. Se calhar já devíamos ter pensado na possibilidade de termos hospitais dedicados apenas ao Covid-19, pelo menos um na região Norte e um na Centro e outro na Sul. Se for para fazer isso é melhor ativar imediatamente", disse, acrescentando o exemplo do Reino Unido, onde "doentes pouco sintomáticos recebem a visita de um médico e de uma enfermeira fazer os testes em casa".

"Dá um certo alívio e impede a contaminação. A senhora ministra e a diretora-geral de saúde estarão a equacionar estas medidas. Admito que sim. É natural que sim. A decisão tem de ser já", frisou, após uma reunião na qual também participou o presidente do Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos, António Araújo.

Miguel Guimarães aproveitou ainda para elogiar a "equipa fantástica" do Hospital São João pelo "trabalho extraordinário" que está a fazer, apontando que "os profissionais de infecciologia estão a trabalhar quase 24 sobre 24 horas" e referiu ter-lhe sido transmitido que o CHUSJ está a tratar 29 doentes com o novo vírus.

A epidemia de Covid-19, a doença provocada pelo novo coronavírus, foi detetada em dezembro na China e já provocou mais de 4.200 mortos.

Cerca de 117 mil pessoas foram infetadas em mais de uma centena de países, e mais de 63 mil recuperaram.

Nos últimos dias, a Itália tornou-se o caso mais grave de epidemia fora da China, com 631 mortos e mais de 10.100 contaminados pelo novo coronavírus, que pode causar infeções respiratórias como pneumonia.

A quarentena imposta pelo governo italiano ao Norte do País foi alargada a toda a Itália.

O Governo português decidiu suspender todos os voos com destino ou origem nas zonas mais afetadas em Itália, recomendando também a suspensão de eventos em espaços abertos com mais de 5.000 pessoas.

Portugal regista 59 casos confirmados de infeção, segundo as últimas informações da Direção-Geral da Saúde (DGS), divulgadas nesta quarta-feira.

A DGS comunicou também que em Portugal se atingiu um total de 471 casos suspeitos desde o início da epidemia, 83 dos quais ainda a aguardar resultados laboratoriais.

Segundo a DGS, há ainda 3.066 contactos em vigilância pelas autoridades de saúde.

Face ao aumento de casos, o Governo ordenou a suspensão temporária de visitas em hospitais, lares e estabelecimentos prisionais na região Norte, até agora a mais afetada.

Foram também encerrados alguns estabelecimentos de ensino, sobretudo no Norte do País, assim como ginásios, bibliotecas, piscinas e cinemas.

Os residentes nos concelhos de Felgueiras e Lousada, no distrito do Porto, foram aconselhados a evitar deslocações desnecessárias.

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