Músico com a Covid-19 teve alta hospitalar mas depois não teve qualquer vigilância

O músico Davide Zaccaria esteve internado por estar infetado com o SARS-Cov-2. Veio para casa e ninguém o contactou para fazer o acompanhamento que as normas exigem.

Davide Zaccaria é um dos milhares de residentes em Portugal infetado pelo novo coronavírus. Situação que o levou ao internamento hospitalar, primeiro no Hospital São Bernardo, em Setúbal, e depois no Hospital Garcia de Orta, em Almada. Teve alta ao fim de 12 dias, a 25 de setembro, e veio para casa sem qualquer tipo de acompanhamento, nomeadamente a vigilância dos sintomas e evolução da doença.

"Nunca tive um médico a ligar para saber como estava, nem ninguém me contactou da plataforma Trace-Covid-19. Os profissionais de saúde que encontrei nos hospitais foram impecáveis, o que senti é que há uma grande desorganização", protesta o músico. Sublinha: "Só ao fim de muitos emails e telefonemas da minha mulher é que uma médica me ligou, isto na quinta-feira, ao fim de seis dias de deixar o hospital. Questiono-me o que acontece com pessoas mais velhas e que não têm a mesma informação e meios."

Davide Zaccaria tem 52 anos, toca violoncelo e guitarra, é compositor e produtor, tem acompanhado Dulce Pontes, é o mentor do projeto "Por Terras de Zeca", criou com a mulher a empresa "Maria Anadon Jazz". É um italiano de Milão, que vive em Portugal há 20 anos, em Azeitão, no concelho de Setúbal.

Ficou infetado num concerto e teve todos os sintomas da doença, nomeadamente dificuldades de respiração, razão que o levou a ligar para a Linha Saúde 24. Encaminharam-no para o Hospital de São Bernardo para fazer um raio-x, acabando por ficar internado na unidade hospitalar, de onde foi transferido para Almada.

"Tenho uma pneumonia, muita tosse e respiro com dificuldade, mas no Garcia de Irta disseram que precisavam de camas e, como eu não necessitava de oxigénio, mandaram-me para casa. Aceito isso, o problema é que estive seis dias sem ser contactado por um médico", conta.

Após muitos telefonemas e emails enviados pela mulher, Maria Anadon, nomeadamente para o centro de saúde da sua área de residência e sem sucesso, recebeu uma chamada telefónica de uma médica esta quinta-feira, que se mostrou muito surpreendida por não ter sido contactado através da plataforma Trace Covid-19. E, também ontem, recebeu uma prescrição para fazer um novo teste da doença, o que já fez e está a aguardar o resultado.

A plataforma Trace Covid-19 permite aos profissionais de saúde o registo detalhado dos doentes, como o rastreio de contactos, para que possa ser feita "uma vigilância ativa e passiva e também acompanhamento clínico", segundo a Norma DGS N.º 004/2020.

Os responsáveis da Administração Regional de Saúde e Vale de Tejo responsabilizam o Hospital Garcia de Orta pelo sucedido. E reconhecem que, entre 29 de setembro e 1 de outubro, "houve alguma demora no acompanhamento por parte da UCSP Quinta do Conde, tendo-se retomado o acompanhamento nessa data".

Justificam ao DN que, "por serem contactos de alto risco de um caso positivo", a família do Sr. Davide Zaccaria tem sido acompanhada pela Unidade de Saúde Pública (USP) do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Arrábida". E que, na terça-feira, dia 29, constataram que "o doente permanecia identificado como estando internado, algo que deveria ter sido atualizado pela unidade hospitalar aquando da alta".

Acrescentam que no dia 1 de outubro, "a Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados da Quinta do Conde emitiu a prescrição de teste COVID a este doente, a pedido da esposa do Sr. Davide Zaccaria. Nessa altura foi-lhe referido que o doente seria contactado esta sexta-feira, 2 de outubro.

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