Mulher baleada pelo ex-marido tinha apresentado queixa em setembro

A mulher de 54 anos está livre de perigo, mas o estado de saúde da mãe, de 73 anos, igualmente alvejada, inspira mais cuidados. O suspeito está a monte.

Arminda Félix, a mulher que no domingo à noite foi baleada pelo ex-marido na localidade de Cumeada (Reguengos de Monsaraz), já tinha apresentado queixa na GNR por violência doméstica contra o antigo companheiro, mas nem assim o pesadelo acalmou. A mulher, de 54 anos, estará livre de perigo, enquanto o estado de saúde da sua mãe, Maria Margarida (73), que também foi alvejada, inspira mais cuidados, segundo fonte da Polícia Judiciária (PJ). O suspeito está a monte.

"Sabe-se lá se esta tragédia não poderia ter sido evitada se o tribunal já tivesse agido", questionava nesta tarde uma moradora da Rua Nossa Senhora da Conceição, vizinha da mãe de Arminda, garantindo que a mulher "andava atormentada há já algum tempo", após o processo de divórcio que estava a ter a retaliação por parte do ex-marido, também de 54 anos. "Ela precisava de ajuda e aqui está a prova disso", insistia esta amiga da família.

O comando de Évora da GNR confirmou ao DN que depois da queixa apresentada em setembro, por Arminda, foram efetuadas as respetivas diligências, tendo o processo sido concluído em outubro e entregue ao Ministério Público, onde ainda continua à espera de desenvolvimentos.

A tradicional pacatez do lugar de Cumeada, onde residem cerca de 60 pessoas, foi interrompida no domingo à noite com um cenário de extrema violência. O homem, que terá viajado até à Cumeada (a cerca de cinco quilómetros de Reguengos) acompanhado de outra pessoa, entrou na casa do sogra com uma arma de fogo. Abriu o portão, situado ao fundo de um beco, cruzou o quintal até à moradia, vindo a disparar vários tiros.

Arminda seria atingida na maxilar, tendo a sua mãe tentando protegê-la, acabando por ser também alvejada na zona da cabeça. Segundo o comandante dos Bombeiros Voluntários de Reguengos, Inácio Pacheco, o socorro que se deslocou ao local testemunhou um cenário de "grande violência".

Apesar de ferida com gravidade, Arminda conseguiu reagir. Fugiu para o quintal de um vizinho, onde se refugiou, enquanto moradores que se aperceberam do episódio alertaram as autoridades. Mãe e filha seriam encaminhadas para o Hospital de Évora, mas a gravidade dos ferimentos obrigou à sua transferência para Lisboa. Uma deu entrada no Hospital de Santa Maria e outra no de São José.

Quando o socorro chegou à Cumeada, já o ex-marido se tinha posto em fuga, continuando a monte até à hora de fecho desta edição, de acordo com a mesma fonte da PJ, para quem o paradeiro poderá demorar "um dia, dois, uma semana ou um mês" a encontrar. Acrescenta que a investigação está em curso à procura de pistas que permitam perceber para onde poderá ter-se dirigido o homem.

A investigação diz que a detenção pode depender dos apoios que o indivíduo venha a conseguir nesta fuga, admitindo que a proximidade da raia possa levar o suspeito a deslocar-se para Espanha. Se houver indícios de que o homem cruzou a fronteira, a PJ irá acionar os mecanismos de cooperação internacional com os congéneres espanhóis.

Contudo, avança a mesma fonte da PJ, neste momento, "nada indica" que o homem tenha viajado para o país vizinho, embora ressalve ser "igual que vá para Espanha, Algarve ou Minho. Vamos tratar o assunto exatamente da mesma maneira", diz.

Arminda Félix estava alojada há algum tempo na casa da mãe, após o processo de divórcio litigioso, que a levou a deixar a habitação onde o casal residia, em Reguengos de Monsaraz. O homem não aceitou a separação e terá começado a ameaçar a mulher.

O ex-casal tinha vivido cerca de dez anos na Suíça, acabando por regressar a Portugal há algum tempo para iniciar uma vida nova. Mas nos últimos meses a relação ter-se-á tornado insustentável, segundo revelaram amigos de Arminda.

A mulher, natural de Cumeada, tem mais três irmãs. Os vizinhos lembram-se de a ver trabalhar no campo quando ainda era jovem, mas revelam que aos dias de hoje é empregada doméstica em algumas casas de Reguengos de Monsaraz.

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