Ministra garante que não há "descontrolo" na Área Metropolitana de Lisboa

Marta Temido diz que para isso "teríamos de ter, e não estamos a ter, um crescimento exponencial" de novos casos

A ministra da Saúde garantiu esta quarta-feira em entrevista à RTP que não há "descontrolo" na situação epidemiológica na Área Metropolitana de Lisboa, mas admite que existe "uma situação de sobressalto, que não nos deixa estar tranquilos" e "dificuldades em quebrar cadeiras de transmissão".

Marta Temido, ainda sem certezas sobre as razões que levaram a um novo aumento de casos, refere apenas que "são tipicamente zonas desse tipo, densamente povoadas, onde as pessoas circulam muito e onde é difícil intervir pela multiplicidade de contactos".

"Para haver descontrolo, teríamos de ter, e não estamos a ter, um crescimento exponencial de novos casos e reflexos em termos de sobreutilização do Serviço Nacional de Saúde. Não é isso, felizmente, que está a acontecer", frisou a governante.

A ministra reconhece que há "dois hospitais que têm tido maior pressão", referindo-se ao Fernando Fonseca (Amadora-Sintra) e ao Beatriz Ângelo (Loures).

Marta Temido adianta que o RT baixou na última semana e está ligeiramente abaixo de 1. Os últimos dados do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge apontam para um RT no país de 0,99 entre 24 e 28 de junho.

Questionada sobre os valores de Portugal comparativamente a outros países europeus, a ministra socorre-se dos números desta quarta-feira, em que o nosso país registou 313 novos casos: "Se avaliarmos números, a 1 julho Suécia tinha 784 casos novos, a Roménia 388, o Reino Unido 689, França 451, Alemanha 456."

Temido revela preocupação sobre uma eventual segunda vaga no inverno e diz que se está a trabalhar "no reforço da capacidade laboratorial". "Precisamos de ampliar significativamente a nossa capacidade de testagem, que tem sido um dos sustentáculos da nossa ação. Queremos ir mais além", vincou.

Marta Temido reiterou que o Estado comprou "mais 600 mil doses de vacinas para a gripe do que os dois milhões que são habituais" e reconhece um problema de falta de médicos de saúde pública: "Temos 363 médicos de saúde pública no país, no SNS. Não há mais. É claramente pouco. E a idade média são 59 anos."

Sobre as críticas do autarca lisboeta, Fernando Medina, a ministra diz que não ficou surpreendida. "Ao longo destes quatro meses, o ministério, autoridades de Saúde e Direção Geral da Saúde têm sido objeto de muita atenção, muito escrutínio e muitos reparos. Isso aconteceu no Porto, em Ovar. Se precisamos de maior eficiência? Nisso estamos todos de acordo", rematou.

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